«A Grécia, berço da democracia ocidental, deu-nos mais uma lição política com a eleição do Syriza. Será este um feito dos deuses do Olimpo, cansados de tanta insensatez humana? Seja como for, permanece por agora na mente dos europeus a pergunta: “E agora?” Resta-nos apenas acrescentar um clamoroso: “Força, Syriza!”»
Patrícia Vieira, no Público (28 de Janeiro de 2015)

«Segundo a Reuters, saiu da banca grega dois mil milhões de euros em depósitos nos últimos três dias. Este valor representa 1,5% dos depósitos das famílias e empresas no final de Abril, época em que o valor total era de 133,6 mil milhões de euros.»
(Jornal Negócios, 18/06/2015)
Esta série, que já vai longa, é interessante. Como as outras.
No entanto, neste caso, ainda não percebi exactamente qual é a mensagem.
Ficamos a saber que o Syriza vai perder o braço de ferro? Ou que a mudança exigida pelo Syriza era má?
O futuro da Grécia é mais negro hoje, do que era em Dezembro?
È melhor a Grécia ficar no Euro, ou sair?
Lembro-me bem quando os cenários foram colocados pela primeira vez, no inicio da “crise”.
O “eurogrupo” forços a sua “solução e parece que sair do Euro, naquela altura era um cenário aterrador porque levaria a quedas do PIB de 25%, aumento atroz do desemprego, default na divida, etc..
Mas afinal, parece que foi exactamente essse o resulatdo obtido e agora ainda falta…sair do euro, numa posição infinitamente mais frágil.
Como disse no inicio, não percebo qual a mensagem desta série… Se calhar não tem nenhuma, é só uma iniciativa politica, que se basta a si mesma.
Miguel
Ainda não percebeu a justificação desta série? Eu não queria, mas lá terei que desvendar: destina-se a glorificar a acção do Syriza, que chegou ao poder como “um feito dos deuses do Olimpo, cansados de tanta insensatez humana” (hum… onde terei eu lido isto?)
Se como o Miguel diz (repito, o Miguel diz, eu não) o Eurogrupo disse o que lhes ía acontecer, tinham saído logo e pior do que estão não estariam dado que – como o Miguel diz – teriam saído numa posição muito melhor do que aquela em que poderão saír agora.
Então faça lá o favor de me explicar porque é que, na sua opinião, eles não saíram.
Não acredito que não tenha uma opinião assertiva depois de escrever o que escreveu…
Nota- Nunca escondi aqui que sempre votei PS, portanto responda-me nessa perspectiva sff, sem rodeios primários.
Mais ainda: com o que vejo e escrevo abaixo ponho sériamente a hipótese de votar PCP, fazendo assim pelo menos uma vez na vida a vontade a amigos meus que ainda vêem dos tempos em que ser comunista não era fácil como é hoje.
Obviamente que é muito pior hoje que em Dezembro.
Se precisa de perguntar é porque ainda não percebeu. Hoje já muitos mais milhões de Gregos e bem fugiram da Grécia. Hoje ainda mais insutentável se tornou a Grécia e a confiança geral na Grécia.
Li por aí que o PS calculou quanto nos custaria o Grexit e fui ler.
Segundo o que percebi os cálculos foram feitos não sobre a situação actual mas sobre a situação que teremos quando as medidas “boas” do programa do PS (também as há “más”, estão lá escritas, mas nessas não ouço falar) tiverem dado todos os frutos constantes das folhas de Excel, isto é, foram lá às “casinhas” e mudaram não sei o quê e deu o que deu.
Isto é: um custo imaginado sobre um ganho também imaginado.
Talvez por isso Mário Centeno, que suponho tenha ambições de ser governante e ter que dar a cara – e não mero “emissor de bitaites” – teve o bom senso de recusar especulações sobre o assunto.
Nota- Aqui há 20 anos fiquei com a área de planeamento de uma grande empresa industrial e passados uns tempos o presidente da empresa chamou-me e disse algo do estilo:
“Como V. não gosta muito de computadores faz os seus cálculos à maneira antiga, portanto põe logo as premissas todas em que acredita e faz 3 ou 4 cenários e pronto.
O seu antecessor só usava Excel e fazia 300 ou 400 cenários (era exagero, claro), via-se logo que tinha posto o resultado final e o computador ía fazendo as contas para trás até chegar às premissas que lhe convinham”.
Pois é nisto que se vive.
Não há dúvida nenhuma que os analistas e comentadores, em geral, cá da nação são uns totós. São aquilo que parecem ser, isto é, só parecer que parecem. Mas não são. São umas meninas a pretender mostrar o dote e os lavores habilidosos que só revelam sua falência.
Força Grécia! O mundo na realidade não é para menininhas. Lagarde já se apercebeu disto. É só para adultos.
EHEHEHEHEH! Jogos de Xadrez é para quem sabe e tem inteligência!