a vida real está nas séries, não te enganes


Patrícia Reis,

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A identificação com a personagem é a sorte do comum mortal. A televisão salva-nos. Série atrás de série, gravações numa box preta que controla os conteúdos do mundo, e podemos apenas vegetar. Pensar em quê? Tudo o que sentimos está no pequeno ecrã. Os personagens já fizeram o esforço para conseguir os mesmos objectivos e fracassaram, para quê tentar? No próximo episódio haverá solução, ou não. A vida real não precisa de existir.

0 comentários em “a vida real está nas séries, não te enganes”

  1. É muito raro seguir uma série, embora saiba que há boas séries. Andei anos sem seguir nenhuma, depois segui a nova do Sherlock Holmes… e mais nada. Ando ocupada com a vida 😉

  2. A televisão alimenta sobretudo os ‘couch potatoes’, os ‘batatas de sofá’ (tb foi traduzido por ‘cú de chumbo’) que não se questionam sobre que notícias e como foram dadas (e porque foram excluídas outras notícias) sobre as personagens e as narrativas distorcidas da telenovela (os esteriótipos do bom e do mau da fita, mostrados a preto e branco), com ingredientes e truques para agradar às audiências dos vários grupos sociais, através de análises superficiais.
    O ser humano tem tendência a tomar pela verdade, aquilo que a televisão mostra e, na grande maioria dos casos, não se questiona sobre as mensagens subliminares, a sedução manipuladora, as opiniões e opções invisíveis que não estão explícitas, mas encobertas, os interesses comerciais. TV Light com uns pózinhos de problemas sociais, para criar o indispensável suspense.
    Quem resiste (uns muito menos que outros) em plantar-se, sempre ou pontualmente, no sofá e deixar crescer a/o batata que há em si?

  3. A tv a negro e a cor-de-rosa: por um lado uma tv light com uns pózinhos de problemas sociais para criar o indispensável suspense, na telenovela, por outro lado, uma tv ‘da pesada’ que usa a violência, o sensacionalismo, o escândalo, o efeito de choque, para agarrar o espetador ao écran.
    Um deserto afetivo.

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