No último editorial que escreveu enquanto director da Ler, Francisco José Viegas anuncia para Setembro a implementação do acordo ortográfico na revista. É pena. Mas estamos em crise. E se, por falta de opção, pode vir a existir um momento em que eu comece a comprar livros, jornais e revistas escritos segundo o acordo, esse momento não será em Setembro de 2011. Para mim e por enquanto, a decisão da Ler representa uma poupança de cinco euros por mês.
Grão a grão…
escafandro,

Também tenho poupado uns tostões. Em Setembro, são mais uns euros que ficam no bolso.
Nem mais, VSC. Mas talvez os responsáveis pela Ler esperem compensar a perda das pessoas que vão deixar de comprá-la por passar a seguir o acordo com as pessoas que não a compravam porque ainda NÃO seguia o acordo. Devem ser dezenas de milhar, não?
Eheh.
Francamente, só comprava a ler pelo Rogério Casanova, uma das minhas poucas admirações portuguesas, depois de Miguel Esteves Cardoso.
Ah, finalmente vejo reacções ao acordo. Já desesperava, pelo acordo em si, e pelo que tomei por persistência do antiquíssimo gosto pela acomodação do espinhaço à Autoridade. Obedecer é um vício português e se lhe acrescentarmos um pouco de desonestidade canalha, é um fadinho a que se não consegue fugir. Lá diz o secretário viegas, que é um caminho sem regresso.
Sinceramente, não se continua a perceber o conteúdo das mensagens escritas de acordo com o novo acordo ortográfico?
Não será mais produtivo estar a escrever sobre livros novos do que a criticar um acordo ortográfico que, a mal ou a bem, faz com que as vossas mensagens sejam melhor entendidas por todos os outros que escrevem português de formas ligeiramente diferentes?
Moderado (a sério?), V. tem um grande sentido de oportunidade, mas faltam-lhe outros sentidos. Por exemplo: quando diz (escreve) «que as vossas mensagens sejam melhor entendidas», devia dizer (escrever) “que as vossas mensagens sejam mais bem entendidas”. Entendidos?
“Bom” ou “mau” não é o mesmo que “bem” ou “mal”, sabia? E isto é verdade para todos os que escrevem português de forma igual ou «de formas ligeiramente diferentes»…
“E será que OS ingleses”, claro. Com ou sem acordo, os artigos definidos mantêm-se.
Bolas, isto não é daqui!
A questão não tem nada a ver com entendimentos. Ninguém se atreve a dizer uma dessas. É questão não é linguística mas política e quem o disse foi malaca casteleiro. O problema reside aí: é que se trata apenas de política externa e interna, mas… brasileira.
Nunca tive problemas em entender a escrita do Machado de Assis ou do Rubem Fonseca. Acha mesmo que os brasileiros têm problemas em entender o Saramago? (Er, se calhar não é o melhor exemplo…) E será que ingleses não conseguem perceber que “color” é “colour”?
“E será que OS ingleses”, claro. Com ou sem acordo, os artigos definidos mantêm-se.
Faço minhas as tuas palavras.
Ópptimo, Pedro. (Estou a pensar reagir ao acordo começando a acrescentar ainda mais consoantes mudas às palavras.) 🙂
Também eu. E a pronunciá-las. O mais curioso é que um ‘acordo’ que se destina sobretudo a suprimir as ‘consoantes mudas’ não começa por eliminar a mais muda de todas, que é o H.
E eu não faço menos.
Hoje somos muitos, amanhã seremos… bom, a verdade é que provavelmente seremos menos.
Também já comecei a fazer poupança com as editoras já há alguns anos. Diz-me onde publicas dir-te-ei o que escreves :)))
Bem visto!
Setária! (Estou a usar o acordo “Ana Vidal”.)
Boa, também vou poupar em Setembro. Os fatos que a Ler publicar deixam de ser uma oção. Oviamente.
A tua perceção não é uma exceção.
Proponho que se comece a escrever oção!
Otimo. Por mim, já está ajudicado. 🙂
Manífico!
Admiro as convicções fortes. A sério. Também tenho as minhas e atravesso-me em 3 tempos. Mas se me apetecer e tiver 5 oiros à mão, comprarei a LER, porque quem colabora não tem culpa. Preocupa-me muito mais o dia em que tiver de começar a escrever segundo o AO. Isso, sim, será muito violento (embora possam dizer-me que estou a ser incoerente e a prestar-me a confraternizar com o inimigo antes de a guerra estar decidida… 🙂
Sim, sim, mas a poupança a partir de Setembro ia causar muito boa impressão ao FMI e aos mercados…
Laura: eu também gosto de ler muitos dos colaboradores da revista. Mas paciência. O meu problema não é o momento em que se decidir que é preciso escrever segundo o acordo porque não tenciono respeitá-lo. Tenho problemas mais prosaicos, como poder vir a ser obrigado a deixar de usar dicionários online por eles já só terem a versão pós-acordo.
Tenho boicotado os livros que aparecem nos escaparates impressos “de acordo com o AO90”. Por exemplo, durante anos adiei a compra de “Dune” à espera que fosse re-editado em português. Agora saiu uma edição AO90. Comprei um exemplar editado no UK. Prefiro ler em inglês do que ler AO90.
A minha estratégia é a mesma, JT. Ainda por cima tenho pouquíssimo espaço disponível em casa e um Kindle que ando a usar tão raramente…
Esse grande Devedor ao Fisco que dá pelo nome de Francisco José Viegas e desempenha actualmente o cargo de Secretário de Estado da Cultura vai continuar a ser comentador de televisão (TVI24horas)?
É política e eticamente condenável.
E ninguém se indigna?
Anónimo: como eu nunca recusei publicar um comentário, aqui ficam as suas questões, tão adequadas ao tema do post.
Agradeço-lhe a atenção.
Creio que, atendendo à pessoa de quem se fala no post e que é um “homem do momento”, se deve olhar a toda a sua “obra” (e não apenas à, excelente, Ler). Ou, se quiser, há que Ler nas entrelinhas.
Com o aborto ortográfico os anónimos não deviam começar a ser ‘anônimos’?
Pedrinho,
Se não quer anònimos, anónimos, anônimos ou anonimos no seu Blog, proiba!
Não é vale é permitir e depois ficar ressentido com o que os ditos escrevem, usando de todos os meios para desvalorizar o anonimato.
Nem todos somos vaidosos, neste País de Vaidade!
Aqui não há proibições, anôniminho. Mas registo como a presunção da inocência se transforma logo em letra morta, na sua perspe(c)tiva, mal surge um conflito entre um cidadão e a administração fiscal. Na sua perspe(c)tiva, o cidadão que no exercício do seu legítimo direito de contestar uma execução fiscal torna-se instantaneamente um ‘devedor ao fisco’, até com direito a maiúscula. Nem o dire(c)tor-geral da administração fiscal é tão lesto em classificar um cidadão nesses termos.
Registo, Pedro, como a questão de FJV continuar a ser comentador de televisão lhe merece comentário.
o “D” maiusculo foi devido ao “respeitinho” e não visava tocar na presunção de inocência, a qual, aliás, se refere ao âmbito criminal e não ao âmbito tributário/fiscal….
Mas o Pedro lá saberá o que o direito criminal tem que ver com FJV e com a sua dívida fiscal em litígio…
Não há nenhuma questão com o FJV nos termos em que você a põe. Ele era comentador da TVI24 e deixou de o ser entretanto, como foi amplamente sublinhado no último programa em que participou. Ponto final, parágrafo.
Quanto à presunção de inocência, faço naturalmente uma interpretação extensiva do artigo 32º da Constituição da República. Que implica todas as garantias de defesa e a proibição da inversão do ónus da prova em detrimento do arguido.