… impossíveis de provar”. Eis o sugestivo título de um magnífico livro editado pela Tinta da China, que recolhe dezenas de contributos de reputados cientistas das mais diversas áreas (astrofísica, biologia, informática, medicina, psicologia, filosofia, etc.). O desafio? Indicar em meia dúzia de linhas um palpite sobre uma hipótese científica que o autor julga ser verdadeiro, mas que as limitações da ciência actual impedem para já de comprovar. O resultado é uma espécie de viagem ao futuro promovida pela imaginação humana, que nos aponta notáveis possibilidades – a vida noutros planetas, a aplicação da teoria da evolução ao mundo virtual, a existência de consciência nos animais, universos paralelos, entre muitas outras abordagens aos mistérios da ciência.
Deseja o caro leitor entrar no jogo? Deixe-nos o seu palpite: “O que acredita ser verdade, mesmo sem poder prová-lo?”

Se fossem mesmo “impossíveis de provar” e não simplesmente impossíveis (por enquanto) de testar, não teriam nada a ver com ciência, e sim com metafisica. A ciência só trata de coisas que podem ser (des)provadas.
Para já, uma coisa que acredito ser verdade, é que a decisão humana, mesmo que baseada em princípios racionais, é inerentemente irracional, pelo que mecanismos de agregação de preferências não tem hipótese de funcionar. Quanto a mecanismos de teste para a validar, ainda não consigo formular a hipótese nula. 🙂
Sim, mas o caminho da ciência tem sido o do olho que quer ver tudo, mas é cego por não se ver a si próprio.
O sucesso da ciência a analisar rochas, bosões e calhaus, pretende esconder a quase total ignorância sobre a génese dos processos cognitivos.
Há hoje físicos famosos, que vão ficar igualmente famosos pela sua profunda ignorância epistemológica.
Por isso, se há prova científica honesta que tem contribuído para o avanço tecnológico, há também muita “prova científica” que tem abusado do consenso das hierarquias para propagandear outras “verdades científicas”… que são falsas.
Atrai-me a possibilidade do Universo ter consciência. É um tema que tenho vindo a estudar, sobretudo do lado da Física.
O universo tem pelo menos algumas fontes de consciência – que somos nós!
E sem nenhuma consciência, o universo nem saberia se existia ou não!
O resto é um problema de comunicação…
A ciência, conforme é concebida hoje em dia, pretende fazer coincidir o universo do observador com o observado. Isso é uma básica contradição lógica, e portanto a ciência é uma forma de religião moderna, obviamente inconsistente – apesar disto ser silenciado.
Onde antes estava Deus, está agora o Acaso…
Temos este universo, com estas leis, por acaso… a vida aparece por acaso, o homem aparece por acaso, etc… Isto é absolutamente equivalente a uma moderna Religião do Acaso.
A hipótese de um Deus programador, que define as leis deste Universo, acaba por ser mais consistente e permite juntar as descobertas científicas com a tradição judaico-cristã de forma interessante.
Ou seja, mesmo actualmente, um programador pode definir um universo computacional, onde define seres com o objectivo da inteligência artificial.
Programa-se a evolução desses organismos usando justamente algoritmos genéticos que emulam os procedimentos evolutivos.
No entanto, sabe-se que não é possível fazer saltos evolutivos sem ajuda do programador. Da mesma forma que a aquisição de sistema nervoso é um salto evolutivo inexplicável, tal como a aquisição da inteligência apenas numa espécie.
Ou seja, o programador tem a tendência de simular a inteligência à imagem da sua inteligência… tal como é dito que Deus fez o homem à sua imagem.
O programador não desperdiça os seres que lhe agradam mais, e é natural guardá-los num “paraíso” – fora do universo definido, após a morte natural…
Também é habitual o programador influenciar o desenrolar dos acontecimentos, com vista ao seu objectivo evolutivo.
Assim, conforme Cuvier, há evidências geológicas catastróficas, que acabaram com evoluções menos desejadas. Uma evolução simplificada levaria a um mundo de bactérias dominantes; a simples competição animal evolui para grandes monstros dominantes, sem grande necessidade de inteligência (dinossauros).
Numa fase posterior, a utilização da inteligência como competição animal, leva a sociedades despóticas fortemente hierarquizadas, que cristalizam o poder e não favorecem a inteligência alheia.
Assim, o programador, em desespero de causa, pode ser tentado a encarnar um dos personagens e tentar influenciar o mundo… e não usando poderes adicionais, arriscaria um destino funesto desse personagem.
Qual seria o objectivo desta programação?
A inteligência desenvolveria uma compreensão do próprio universo onde foi criada, deveria compreender que tinha sido desenvolvida por criação de uma inteligência externa, e tentaria responder às questões fundamentais da existência.
Afinal, as mesmas questões que se levantavam ao próprio programador, apesar da sua omnipotência e omnisciência sobre aquele universo…
Se eu acreditasse em Deus diria sem hesitar: Deus.
Que existe uma qualquer forma de vida para além da que conhecemos. Aqueles 21 gramas têm de ter uma explicação… 🙂
Livro fantástico.
Muito bom