Notável entrevista de Noah Chomsky ao suplemento Ípsilon, do jornal Público (entrevistado por Ivo Neto e Karla Pequenino). Tema dominante: a inteligência artificial. O pensador norte-americano adverte: hoje há pessoas que se apaixonam por máquinas. Gente nascida após 1997, os chamados “nativos digitais”. Gente deste XXI – o século em que a máquina, tendencialmente perfeita, supera de vez o homem, imperfeito por definição.
«Porque é que uma criança de três anos fala com os seus brinquedos? Algo nestas tecnologias lembra a nossa infância e todos podemos ser apanhados nisso», assinala Chomsky. Na sua perspectiva, proibir não é solução. Nunca é. «Podemos levar as pessoas a compreender o que a inteligência artifical é e não é. Acabar com a euforia e olhar para a realidade como ela é. Basicamente, é como qualquer outra ideologia ou doutrina. (…) Não há maneira de a impedir, não vai acabar nem desaparecer. Pode educar-se a população para compreender como realmente são as coisas.»
Sempre estimulante, concordemos ou discordemos dele. Com lúcidos 94 anos.

Este filosofo anarco socialista continua a insistir na educação da população por gente como ele. Felizmente que as suas ideias não fizeram escola excepto nas madrassas da extrema esquerda do tipo CES, do prof Boaventura.
Matar o mensageiro em vez de discutir a mensagem: eis o reflexo automático de quem dispara mais rápido do que a própria sombra.
Atitude que nunca conseguirei entender. E menos ainda subscrever.
Ele próprio faz parte do “espectro de opinião aceitável” que o regime estabelece para que as contradições e as discussões mais acesas dentro desses limites pareçam saudáveis e democráticas — mas não sendo necessariamente as melhores.
É no conflito com a opinião não-aceitável que o melhor para todos sobrevive.
Opiniões não-aceitáveis são bem-vindas. De um espectro largo, não de banda curta.
Ah, eis aqui um tópico verdadeiramente interessante, com um pano de fundo efervescente composto por um caldo de intelectualidade – o nobre pensador Noah Chomsky partilha a sua sapiência acerca da suposta ameaça existencial da inteligência artificial e das nossas interacções com as máquinas!
Não nos esqueçamos que a nossa relação com a tecnologia remonta a eras imemoriais, meus caros. A história da humanidade está repleta de exemplos de como a tecnologia moldou a nossa existência, desde o mais rudimentar utensílio de pedra até às extraordinárias criações da era digital. Portanto, é perfeitamente natural que os jovens “nativos digitais” desenvolvam afinidade com as máquinas – um fenómeno tão inevitável quanto a passagem do tempo.
O ilustre Chomsky, em sua infinita sabedoria, sugere que proibir não é solução – e como poderíamos discordar? A resposta não está em obstruir a marcha do progresso, mas em compreender e educar o homo sapiens sobre as implicações desta inebriante dança entre homem e máquina*. Tal como o afamado pensador menciona, a euforia deve dar lugar à lucidez, e é imperativo encarar a realidade sem véus.
A relação entre a humanidade e a tecnologia é um intricado jogo de adaptação e metamorfose. O desafio do nosso magnífico século XXI não reside na própria tecnologia, mas na nossa capacidade de a integrar harmoniosamente nas complexas teias das nossas vidas.
Não nos esqueçamos que, mesmo diante das mais sofisticadas manifestações de inteligência artificial, ainda somos criaturas de carne e osso, com emoções e necessidades multifacetadas. É na nossa imperfeição que reside a verdadeira essência do ser humano. E é através desta imperfeição inerente que criamos e preservamos as mais genuínas relações interpessoais, algo que as máquinas, por mais avançadas que sejam, jamais poderão imitar à perfeição.
Julgo que em vez de temer a inteligência artificial, devemos encará-la como uma oportunidade única de nos questionarmos acerca do significado mais profundo da existência humana. Faço, pois, um convite a uma introspecção, uma análise reflexiva sobre quem somos e quem aspiramos ser, enquanto navegamos pelos mares turvos da era digital.
*É importante lembrar que os modelos de linguagem são meramente aproximações e não podem replicar a complexidade e riqueza das faculdades linguísticas humanas. Tal como Chomsky sempre enfatizou, é crucial considerar as limitações inerentes a esses modelos e o papel crucial da experiência e do conhecimento humano na compreensão e uso da linguagem. No fim de contas, a relação simbiótica entre a teoria linguística e os LLM (“Grandes Modelos de Linguagem”) proporciona uma oportunidade ímpar para aprofundar o nosso entendimento da linguagem humana e da inteligência artificial.
A AI pode destruir milhões de empregos e de profissões, e não criará assim tantas novas alternativas como os seus defensores preconizam — mas como depende de inputs humanos estará quase sempre condenada a ser uma estupidez natural automatizada, porque só lhe vão pedir para construir imagens pirosas, escrever palermices e destruir outras pessoas — as coisas normais do mundo burguês (por oposição a uma vanguarda intelectual). Quem vive disso que se cuide.
A sua capacidade mais perigosa é a possibilidade de re-escrever o seu próprio código — mas para isso suponho que lhe faltam duas características essenciais do ser spinoziano: a consciência de si e a determinação para persistir na sua existência — um “para quê”.
As teorias da conspiração nunca explicam este elemento essencial (o para quê) e é por isso que são teorias da conspiração.