Genéricos, sff


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A Carolina passou para o 7º ano. Fomos comprar os livros (mais os cadernos de actividades e os CD’s). Ainda falta o livro de matemática, ainda no prelo (como se dizia) pois a ser actualizado e já partiram 290 euros. Mais ou menos metade para a Leya mais ou menos metade para a Porto, que isto na escola são salomónicos. Antevejo que com o livro que falta – e o (vasto) material escolar – isto irá até aos 400 euros. 80 contos em moeda verdadeira. Por filho.

Pois, isto da necessidade dos livros novos e sempre diferentes, da pluralidade. Isto da liberdade de escolha dos agentes educativos. Isto da necessária actualização, dos diversos enfoques e visões. Todo o discurso a fazer-me lembrar o debate sobre os medicamentos, a manipulação das ideias democráticas ao serviço do lucro, das punções sobre as famílias (por via directa, por via indirecta através de impostos).

Livro escolar? Genéricos, sff.

23 comentários em “Genéricos, sff”

  1. Já não és o primeiro a falar do custo exorbitante do material escolar. Há muito tempo que é assim, incompreensivelmente. Já não sei quem dizia que num país de que não me recordo já o nome (Reino Unido? EUA?) os livros têm na contracapa espaço para 5 nomes de alunos. A escola detém os livros que passam de aluno para aluno durante 5 anos consecutivos. Quem estragar o livro antes dos 5 anos, compra um novo. E pronto, assunto resolvido. É que depois, ainda por cima, a grande maioria destes livros têm como destino a reciclagem, na melhor das hipótese.

  2. Tenho um filho no 10º ano e outro no 7º. Para o do 10º, gastei 240 euros. Para o do 7º, 230. Perto de 500 euros em livros escolares. Uma autêntica máfia dos manuais escolares. Metade do meu ordenado vai para livros. Um roubo à descarada

    1. Antes de escrever este postal resmunguei-o. Responderam-me: “decerto que há avençados das editoras no funcionalismo”. Seja no mundo da docência (e seus sindicatos) seja no mundo do “ministério da educação” acredito, veementemente, que há gente remunerada para manter esta situação

  3. O ministério parece capaz de fazer os programas, mas parece incapaz de fazer livros.
    A sua comparação com a ausência genéricos é bastante boa.

    Trata-se do “Imposto Editora”.
    As editoras usaram esse expediente de pressão para assegurar a sua sobrevivência.
    Foi obviamente expediente inconstitucional, porque agravou o custo do ensino, ao contrário da afirmada progressiva gratuitidade.
    As Associações de Pais já deveriam ter colocado uma acção no TC.

    Não gosto de dar ideias, mas alternativamente o Estado poderia ter financiado as editoras com outro expediente… obrigava a que as Declarações de IRS fossem enviadas num livrinho comentado, publicado pelas editoras, que cada contribuinte era obrigado a comprar.

    Tratando-se tudo de uma negociata, em cima do joelho, ao longo dos anos houve equívocos ridículos.
    Ficam “ipsis verbis” codificações e títulos da programação. Porquê?
    Porque quem faz o programa não é quem valida os livros.
    Por exemplo, se no programa da 1ª classe estivesse um título indicativo – desenvolvimento de capacidades cognitivas da gramática na perspectiva de Chomsky… o mais natural é que passe a estar assim, ipsis verbis, como título de capítulo em todos os livros, caso contrário não é aprovado.
    A criança familiariza-se assim com uma verborreia que não entende, mas que está nos livros… irá usar essa atitude no futuro, para não ligar à maioria das palavras que não entende.

  4. Sim, a questão dos livros escolares é sem dúvida um grande negócio, para as editoras em primeiro lugar e para os seus autores. A maior parte são, ainda por cima, de qualidade científica e pedagógica duvidosa. Aposta-se mais no “visualmente apelativo”, importante, naturalmente, mas que não pode, nem deve, esquecer o resto.
    Sei do que falo, porque sou professora. De português. E defendo a velha “selecta literária”. O mais ridículo ainda são os manuais (os da Porto editora são todos!) que trazem as soluções de todos os exercícios e actividades (para o caso de os professores não saberem? Ou para lhes poupar o tempo de pensar sobre o assunto?)

    1. Com pinças, dado que não sou oficial do ofício, também a mim me parece que há livros escolares bastante frágeis e problemáticos. Para além de questões substantivas que são discutíveis recordo que o ano lectivo transacto com os livros do 6º ano encontrei incongruências e dificuldades excessivas em alguns dos livros, desarrumados para não lhes chamar outra coisa

  5. Confesso que me irrita a existência de livros “descartáveis” de um ano lectivo para o seguinte.

    As minhas filhas usam livros (impecáveis) que já passaram pelas mãos de outros alunos. No início do ano escolar os pais ou os alunos levantam os livros da biblioteca da escola, levam-nos à papelaria para serem forrados com uma capa plástica transparente(substituída todos os anos) e escrevem a lápis o nome do aluno (que se compromete a cuidar do livro). Desta forma não se aliviam apenas os orçamentos familiares como pedagogicamente se ensina que os recursos são limitados ( basta pensar na pegada ambiental da produção de um livro) e introduz a responsabilização pelo bem comum. Isto na Alemanha, claro.

    Nunca gastei mais que 150 euros em material escolar e/ou livros com cada uma das minhas filhas.

    1. A Helena descreve aqui uma situação decerto que inadmissível, atentória da individualidade da aprendizagem (e da auto-estima), produzida por um Estado que tutela uma população conhecida pela sua frágil educação escolar

  6. Quando me falam na história dos combates aos interesses instalados pergunto-me se alguém não se quer dar ao trabalho de combater este. Como dizes, 400 euros por ano, por filho. Se imaginarmos uma população escolar de 1 milhão de crianças (sou um optimista) estamos a falar de 400 milhões por ano só neste material escolar. Mesmo que se reduza o montante a metade, são 200 milhões que deixam de circular no resto da economia para caírem nos bolsos de meia dúzia de empresas. Não sei qual o IVA dos livros escolares, mas se for o intermédio, é também uma boa maquia que deixa de cair nos cofres do estado. Só aqui há boas razões económicas para acabar com esta treta dos novos livros todos os anos. Isto sem falar no apoio à natalidade que novas medidas teriam…

  7. Um abuso completo. A maioria dos manuais são infantis e pouco estimulantes. Só uma adenda: os manuais são válidos por seis anos lectivos. Pode acontecer que se apanhe um desses anos de transição mas não mudam todos os anos. Esta legislação está em vigor já há alguns anos.

    1. Pois, mas também será interessante ver como eles são utilizados, ou seja, se são preservados para utilização futura. E se há mecanismos, realmente eficazes, para a sua transmissão.

  8. Sim tanto esforço, depois vem o secundário e a universidade.

    No final do curso superior vão para o estrangeiro!

    Cá vão continuando alguns, os “espertos” que desde o secundário que andam nas lides políticas, nas AE, e que depois do tirocínio na faculdade, não têm problemas de emprego, seja qual for o curso: deputado, assessor, e outros dentro do ramo da política e ao fim de 12 penosos anos de trabalho estão reformados.

    Eu tenho de trabalhar até aos 67, porque vi dar cerca de 51 anos, visto ter começo aos 16 anos a trabalhar, 9 horas por dia, nas obras!

  9. Bem-vindo ao meu mundo, a multiplicar por 3! De facto a legislação manda que se mantenham os manuais escolares durante 6 anos, mas as editoras rapidamente desdobraram o manual num pack composto por livro do aluno, fichas de trabalho, livro de apoio, etc., alegadamente para facilitar. As fichas de trabalho são utilizadas e ficam inutilizadas… As editoras dificultam a aquisição deste volume isoladamente, o que na prática faz tudo ficar na mesma, excepto o preço. Um pack é sempre mais caro do que se fosse apenas um livro.
    A juntar a tudo isto tivemos nos últimos anos a aberração do acordo ortográfico, que obrigou à substituição de todos os manuais, mesmo os que estavam em vigor. O mesmo se aplica a dicionários, gramáticas, textos de apoio, etc., etc…
    É de doidos!

    1. É isso mesmo, não basta a legislação dizer que os livros são utilizáveis durante vários anos. Impõe-se reflectir sobre o “pacote livro disciplinar” e as formas como são utilizados (e cuidados) os materiais lectivos.

  10. A discussão sobre o preço dos livros é já um clássico de verão (como a discussão sobre a praxe, que decorrerá daqui a um par de meses). Todos os anos, os jornalistas fazem as mesmas reportagens, nos blogs fervilham posts, a sugerir 1001 ideias de como tornar os livros mais baratos. E os sucessivos governos fazem de conta que não é nada com eles. Basta pensar que ficava mais barato comprar um tablet para cada aluno, e fazer os livros circular em formato de e-book (com todas as vatagens inerentes, links para outras fontes, etc), para nos apercebermos de quão caro são realmente os livros.

    1. Pois é, no verão pré-escolar todos nos chocamos com os assaltos à bolsa e vimos para internet resmungar. Das 1001 (melhor dizendo, 1002, contando com a sua) ideias decerto que algumas serão exequíveis, haja governo para as pensar e executar

  11. Não tenho filhos mas, amigos que têm filhos e que têm o mesmo problema. Contudo, não considero um problema visto haver muitas lojas, não livrarias ou papelarias mas, espaços associados a restaurantes e a mercearias que fazem trocas de livros. É aí que tenho adquirido muitos livros escolares em 2ª mão. Porque não?

    1. Por vezes o problema é que um livro de um ano já foi alterado no ano lectivo seguinte, o que de certa forma o torna “obsoleto”. Mesmo que a alteração sejam apenas 3 páginas.

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