From Évora, with love


josegomesandre,

Algumas breves notas, aqui das Primeiras Jornadas de Jovens Investigadores de Filosofia.

1. Falei às dez da manhã, num auditório escuro como breu. Ninguém adormeceu e ainda tive direito a três perguntas. Posso considerar o feito positivo.

2. Estou preocupado com a minha geração de investigadores. Muitos marxistas, neomarxistas, trotskistas, "revolucionários". Muita gente a falar de "capital", "Estado", "classes", "massas", "igualdade". Quase ninguém mencionou a expressão "liberdades individuais". Notei igualmente a ausência de termos como "cidadania", "direitos pessoais", "empreendedorismo".

3. A colheita de autores estudados também me parece preocupante. Americanos, pouquíssimos. Ingleses, nem vê-los. Anda tudo entusiasmado com uns franceses de segunda linha e uns fenómenos "pós-modernos" tipo Zizek e Badiou. O horror, meus caros, o horror.

4. Àparte dos encontros filosóficos, tenho a oportunidade de revisitar Évora, cidade belíssima, com grande apreço pelo seu património cultural. A Praça do Giraldo é das mais belas do país.

5. A melhor coisa desta viagem, até ao momento? Migas à alentejana. Definitivamente, uma prova da existência de Deus.

13 comentários em “From Évora, with love”

  1. Falase de Évora, talvez a mais bonita cidade portuguesa. Gosto sempre de aí voltar. A última vez que aí estive, há poucos meses, comi umas empadas fabulosas no Fialho.
    Um abraço

  2. Mas os investigadores filósofos portugueses não foram sempre predominantemente fixados na ideologia de esquerda? Isto é, desde que eu me lembro de falar com eles…
    Uma coisa é certa, devem todos gostar de migas, coisa tão tradicional 🙂
    Para além do Fialho (quando se tem mesmo muita fome para não desmerecer as iguarias) há – ou havia? – um restaurante bem simpático, o Grémio. Ficava um pouco acima da Praça do Giraldo , ao pé da casa de S. Pedro. Boas memórias.

    PS- Ao Delito:
    Quando é que alguém se lembra de criar uma série sobre restaurantes? Já sabemos, seria sem tom de expertise e condicionado às experiências e preferências pessoais, mas pensem lá nisso 🙂

          1. Boa! Pois é, vocês viciam-nos: aceitam os palpites e tudo. E depois queixem-se 🙂

            PS: O tema eleitoral também já chateia, restaurantes é um bom sucedâneo.
            (Tenho uma espécie de dualidade ciclotímica : não consigo desligar e deixar de me empolgar/ desolar; mas depois, pelo meio, vem-me aquela náusea tremenda… E ainda esta coisa vai no adro!)

          2. Dá mesmo?!
            Pois comigo é algo de irreversível, mas é da idade, porque o hábito traz enjoos incontroláveis (felizmente daqueles que já não sobressaltam…).
            Tenho as maiores dúvidas sobre a sua tese: – a idade dá bom ar?
            Ná… é tentadora, a perspectiva, mas me não convence 🙂

  3. 1) Eu prefiro a praça da porta de Moura. Aquela fonte renascentista é de uma beleza sem igual.

    2) Portugal oscila entre os anglo-saxónicos e os franceses. Não sai daí. Ninguém sabe alemão neste país.

  4. Muito interessante este post. Eu de facto não sabia que os jovens filósofos portugueses estivessem assim fixados numa de neo-marxismo. É deplorável. Já tinha ouvido no blogue Jugular muita gente a falar de um tal de Zizek, com uma surpreendente familiaridade, e eu, que nunca tinha ouvido tal nome, fiquei estupefacto quando soube que era um marxista de leste emigrado em Paris. Que desgraça.

    “liberdades individuais”, isso sim, era o que deveria ser filosofado.

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