Algumas breves notas, aqui das Primeiras Jornadas de Jovens Investigadores de Filosofia.
1. Falei às dez da manhã, num auditório escuro como breu. Ninguém adormeceu e ainda tive direito a três perguntas. Posso considerar o feito positivo.
2. Estou preocupado com a minha geração de investigadores. Muitos marxistas, neomarxistas, trotskistas, "revolucionários". Muita gente a falar de "capital", "Estado", "classes", "massas", "igualdade". Quase ninguém mencionou a expressão "liberdades individuais". Notei igualmente a ausência de termos como "cidadania", "direitos pessoais", "empreendedorismo".
3. A colheita de autores estudados também me parece preocupante. Americanos, pouquíssimos. Ingleses, nem vê-los. Anda tudo entusiasmado com uns franceses de segunda linha e uns fenómenos "pós-modernos" tipo Zizek e Badiou. O horror, meus caros, o horror.
4. Àparte dos encontros filosóficos, tenho a oportunidade de revisitar Évora, cidade belíssima, com grande apreço pelo seu património cultural. A Praça do Giraldo é das mais belas do país.
5. A melhor coisa desta viagem, até ao momento? Migas à alentejana. Definitivamente, uma prova da existência de Deus.

Falase de Évora, talvez a mais bonita cidade portuguesa. Gosto sempre de aí voltar. A última vez que aí estive, há poucos meses, comi umas empadas fabulosas no Fialho.
Um abraço
Fico satisfeito por saber que está a correr-te bem.
Mas os investigadores filósofos portugueses não foram sempre predominantemente fixados na ideologia de esquerda? Isto é, desde que eu me lembro de falar com eles…
Uma coisa é certa, devem todos gostar de migas, coisa tão tradicional 🙂
Para além do Fialho (quando se tem mesmo muita fome para não desmerecer as iguarias) há – ou havia? – um restaurante bem simpático, o Grémio. Ficava um pouco acima da Praça do Giraldo , ao pé da casa de S. Pedro. Boas memórias.
PS- Ao Delito:
Quando é que alguém se lembra de criar uma série sobre restaurantes? Já sabemos, seria sem tom de expertise e condicionado às experiências e preferências pessoais, mas pensem lá nisso 🙂
Garanto-lhe que o Pedro é há muito um ‘expert’ na matéria.
Ah, mas eu só queria dizer que não era preciso que a série tivesse exactamente o rigor do José Quitério, mais nada 🙂
Pois, mas o guru é o Pedro.
Chloé, vou já tratar disso. Assim que acabarem estas europeias ponho-me em campo.
Boa! Pois é, vocês viciam-nos: aceitam os palpites e tudo. E depois queixem-se 🙂
PS: O tema eleitoral também já chateia, restaurantes é um bom sucedâneo.
(Tenho uma espécie de dualidade ciclotímica : não consigo desligar e deixar de me empolgar/ desolar; mas depois, pelo meio, vem-me aquela náusea tremenda… E ainda esta coisa vai no adro!)
Também gostava de ter uma dualidade ciclotímica. Dá muito bom ar…
Dá mesmo?!
Pois comigo é algo de irreversível, mas é da idade, porque o hábito traz enjoos incontroláveis (felizmente daqueles que já não sobressaltam…).
Tenho as maiores dúvidas sobre a sua tese: – a idade dá bom ar?
Ná… é tentadora, a perspectiva, mas me não convence 🙂
Óptima lembrança, Chloé.
Também alinho nesta série, com muito prazer!
1) Eu prefiro a praça da porta de Moura. Aquela fonte renascentista é de uma beleza sem igual.
2) Portugal oscila entre os anglo-saxónicos e os franceses. Não sai daí. Ninguém sabe alemão neste país.
Muito interessante este post. Eu de facto não sabia que os jovens filósofos portugueses estivessem assim fixados numa de neo-marxismo. É deplorável. Já tinha ouvido no blogue Jugular muita gente a falar de um tal de Zizek, com uma surpreendente familiaridade, e eu, que nunca tinha ouvido tal nome, fiquei estupefacto quando soube que era um marxista de leste emigrado em Paris. Que desgraça.
“liberdades individuais”, isso sim, era o que deveria ser filosofado.