Freeport: quatro notas


josegomesandre,

1. “A verdade vem sempre ao de cima”, diz-nos Sócrates. Certamente… Basta aliás estar atento às notícias da sucessiva incapacidade da justiça para punir criminosos reconhecidos como Valentim Loureiro, Pinto da Costa ou Isaltino Morais, entre outros. Significa isto que Sócrates é culpado de um acto ilícito? Não. Tal como não significa que é inocente de qualquer acto ilícito apenas porque o Ministério Público foi incapaz de apresentar prova ou porque o tribunal assim o determinou.

 

2. Pode então perguntar-se: “Mas pairará sempre sobre Sócrates um manto de suspeição, apenas porque os seus opositores o desejam?”. Ao que respondo: da minha parte, seguramente. Não devido ao Caso Freeport, mas pela extraordinária capacidade do primeiro-ministro em cultivar amizades com patifes de toda a espécie e em se meter em todo o tipo de trafulhices (particularmente as de “menor porte”) – da Licenciatura às casas da Guarda.

 

3. Sobre o processo em causa, continuam por responder algumas questões de somenos importância: como diabo se constrói um monstro urbanístico daquele género numa área protegida? Quem o autorizou e porquê? E a troco de quê?

 

4. Registe-se a reacção histérica à Esquerda. Os Abrantes foram ao baú resgatar umas capas de jornais supostamente “caluniosas” (como adoram a palavra), suplicando pela imolação dos jornalistas que não obedeceram aos pedidos caridosos de Lopes da Mota & Ca. Tiago Barbosa Ribeiro (não confundir com o excelente autor do “Kontratempos”, que emigrou para parte incerta) pede mesmo o julgamento dos jornalistas envolvidos. E João Galamba, citando José Albergaria, exige um pedido de desculpas de uma data de gente, incluindo os bloggers do “Delito de Opinião”. Da minha parte, pedirei desculpa com a máxima prontidão, assim que Sócrates também pedir desculpa por ter mentido sobre os números do défice, o não-aumento de impostos e o grau de endividamento nacional. Palavra de honra. 

12 comentários em “Freeport: quatro notas”

  1. Ao contrário do que entende a filosofia chinesa, em que a dualidade do Yin e o Yang, faz que o dia só exista por existir noite, o quente dependa da existência do frio, o masculino do feminino, e por aí fora, a chamada Justiça portuguesa cria ‘jurisprudência’ filosófica julgando Smith e Pedro por corrupção, sem que apesar de isso exista nenhum corrompido.
    E assim derrotamos a filosofia chinesa. Só já falta fazer o mesmo com a industria.
    http://valedoanzel.blogs.sapo.pt/13487.html

      1. Não seja cretino. Não misture a casa Pia com isto. A casa Pia é um assunto demasiado sério, enquanto este caso não passou dum fait diver. O que dizer dum Ministério Público que tem este processo há SEIS anos e não teve tempo para ouvir o PM?

  2. “como diabo se constrói um monstro urbanístico daquele género numa área protegida?”

    Não sou especialista na matéria, mas, ao que penso, o Freeport não está em área protegida, nem nunca esteve. Apenas uma parte marginal dele (garagens ou coisa do género) ficava numa área marginal da Zona de Proteção Especial do Estuário do Tejo (ZPEET). Era uma área que toda a gente (ambientalistas incluídos) concordava ser de importânica muito reduzida, ou mesmo nula, no âmbito da ZPEET. Essa área foi desanexada da ZPEET e ninguém se queixou porque, precisamente, toda a gente concordava que essa área não precisava de estar na ZPEET, não tinha nenhuma importância relevante para a avifauna.

  3. Caro José Gomes, no ponto 1 mete situações distintas no mesmo saco. Se Isaltino foi condenado, os restantes nem isso. E, mesmo condenado, o autarca de Oeiras recorreu, pelo que pode ser ainda absolvido. Ou o José Gomes dá uma pessoa como culpada apenas porque os jornais assim dão a entender, em exercícios jornalísticos parciais e tendenciosos e em que nem os visados sequer ouvem? Se fosse consigo, em que vinha num jornal a lançar uma suspeita sobre si e depois não era acusado, ou absolvido em julgamento, gostava que as pessoas dissesses ou escrevessem que era um “criminoso reconhecido”, quando não há provas que o seja?
    Eu também tenho as minhas opiniões e as minhas convicções, mas dá-la como provadas é desrespeitar um dos princípios basilares dum estado de direito democrático, que é a presunção de inocência.
    Quanto ao ponto 4, parece-me um pouco fútil a desculpa apresentada. É como se tivéssemos andada à batatada e um de nós não apresentasse desculpa enquanto o outro não o fizesse. Lá por o outro também ter dado um murro, isso não nos isenta de assumir as nossas responsabilidades e de pedir desculpas pelos nossos erros. O DO nem por isso, mas houve blogues, de facto, que tomaram claramente partido (por preferências partidárias e pessoais) e usaram e abusaram dos boatos (não foi só com o Freeport, com o boato de que Sócrates é gay também foi assim), insultando uma pessoa sem o mínimo de decência ética e moral. O jornalistas também. O que o Público, o Sol e a TVi fizeram daria para despedimentos noutros países, onde a jornalismo é mais sério e rigoroso. Mas como é aquio neste cantinho à beira-mar, no pasa nada. É vê-los a eximirem-se da sua quota parte de responsabilidade. Fizeram-no com Santana Lopes, fizeram-no (e fazem-no) com Sócrates, de forma ainda mais persecutória do que com Santana, e farão ao próximo, seja de que cor política for, se não tiverem travão nesta liberdade total de tudo poderem e tudo fazerem, sem consequências.
    Abraço.

    Nota: claro que existem questões que permanecem sem resposta. Como escrevi no Legalices, nunca saberemos o que realmente aconteceu, pois o processo nasceu com fins políticos e pessoais e nunca judiciais, de descobrir a verdade. E o que nasce torto…

      1. Confesso que não João. E ainda menos o link. Bem sei que com este calor torna-se dificil os fusiveis cerebrais nao queimarem, mas não entendi o seu comentário. O que a proposta de revisão constitucional tem a ver com o Freeport?
        Abraço.

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