39 comentários em “Frases de 2018 (26)”

  1. É estranha esta posição do PCP, sendo que é hábito , dos partidos da Esquerda, a demolição de credos justificados, não pela Razão, mas por tradições naturais, mantidas por correntes culturais arcaicas.

    Mais estranho quando o mesmo partido se pronunciou pelo Direito ao Aborto, em nome da Liberdade que a Mulher deve ter relativamente à liberdade de decidir sobre a Propriedade do seu corpo.

    Não existem valores que valham naturalmente por si. O valor das coisas somos nós que o criamos – o Homem é um Criador de Tábuas Morais.

    A Vida não é sagrada num plano cósmico, pois é da sua lei a destruição e a criação, sob o Mestre do acaso – a criação, a destruição de Estrelas é amoral. No plano cósmico não existe justiça. Apenas Necessidade

    A Vida como valor absoluto é produto de uma religião do Deserto que fez do homem amante da fraqueza. Que tornou o homem um adorador de cobardia – que contraste com os Romanos, onde morrer em Glória era o Supremo Hino à Vida!! – vencia-se a Morte, e a Vida, pela Imortalidade dos Actos heróicos

    A Vida per si nenhum valor tem. O seu valor deriva do que com ela fazemos, sendo tanto mais rica quanto mais dispostos nós estamos a arriscá-la em nome dos Ideais que criamos.

    Arriscar, perder a Vida, é o Acto Supremo de Liberdade do Homem. É a nossa máxima conquista ao mundo animal de onde provimos- pelo Ideal do Bem Viver somos capazes de vencer a ditadura natural do viver e qualquer preço (o instinto da auto-conservação da Espécie) – o Homem distingue-se do animal por sacrificar a Vida por Ideais Morais anti-naturais.

    Decidir pela morte é vencer a própria Vida. É a mais magnífica Vitória do indivíduo Liberto. É o Triunfo da Vontade

    1. Como João Oliveira comunicou, é uma “posição política” que, desconfio, passará mais por fazer oposição ao PS do que objectar a eutanásia. :/
      E espero uma explicação mais detalhada e que contrarie esta minha suspeição – não lhes perdoo os radicalismos ideológicos, mas usar liberdades individuais como moeda de troca é absolutamente indefensável.

      Tal como impôr disciplina de voto em matérias de consciência; mas como vi um ex-PM e ex-PR a apelar ao voto contra os partidos que aprovarem o ou os diplomas, o que basicamente significa apelar ao voto no PCP e no CDS, posso dizer que já tudo é possível, incluindo um destes dias ouvir uma qualquer múmia republicana apelar ao voto no PPM…

      1. “matérias de consciência”

        O que é que não é matéria de consciência num voto, qualquer na Assembleia da Republica?

        1. Matéria de consciência refere-se ao cidadão, a liberdades individuais; matéria política refere-se a estratégias na relação entre o Estado e o cidadão, entre o Estado e a empresa, entre o Estado e o Estado.

          Todo o voto deve depender da consciência do votante, mas o votante tem o direito de votar porque, e é o sistema que temos, integrou uma lista que defende determinadas estratégias. Assim, terá algum sentido em matéria política convocar o apoio da bancada – convocar, não obrigar. Mas a sobrevivência dos partidos passa também pelos regulamentos que têm, e os seus filiados votaram-nos, logo estão-lhes sujeitos e assumem as consequências; não tem sentido que os independentes se sujeitem aos mesmos regulamentos, mas cada partido é que sabe como negociou a entrada de cada independente… Por mim, mudava-se o sistema de acesso à AR, mas a quem lá está não dá jeito o debate.

          Lucklucky, respondi-lhe porque colocou a questão assertivamente. Desejo que assim continue.

          1. “Matéria de consciência refere-se ao cidadão, a liberdades individuais; matéria política refere-se a estratégias na relação entre o Estado e o cidadão, entre o Estado e a empresa, entre o Estado e o Estado.”

            Engana-se. Matéria Política refere-se à estratégia de camuflar uma questão de consciência pessoal com um propósito político.

          2. Não se deixe enganar, Kälhau: há quem queira que matéria política seja tal, cabe-nos a nós, individualmente mas também em grupo, denunciar a falácia.

          3. Até o tipo de vestir que escolhemos é uma atitude política. Prefiro uma cueca branca a um Boxer da Disney

          4. Se fala em atitude política fora do contexto AR, concordo – a chatice das palavras é terem significados distintos quando em contextos distintos.

            Humm, não sei, um homem de boxers com o orelhudo rato mickey ou o mentiroso Pinóquio impressos arranca gargalhadas e permite exercícios de imaginação visual… mas confesso que se fosse homem me recusaria a usar boxers com o Olaf, brrrr

          5. “Todo o voto deve depender da consciência do votante”

            Diria. O voto depende da manipulação, via comunicação social, de fazer passar como sua uma consciência de outro. Como adquirir liberdade de consciência? Através da iletracia.

            Ignorance is Strength,

          6. Defende a iliteracia? Funcional ou nem por isso?

            E eu que andei uma vida inteira a acreditar que o conhecimento e a informação aliados ao raciocínio e à capacidade crítica ajudavam a tomar decisões fundamentadas e que isso, o uso dos sentidos e o processamento das sensações, é que era a consciência…

            Obrigado, Meister, vou queimar os livros e induzir a amnésia, não ligue se em breve deixar de o reconhecer – faz parte do processo de libertação.
            A sério?! 🙂

          7. Que tal iliteracia disfuncional?

            Faça isso. Queime todos os livros e cante com a sua própria voz. Os livros não são mais que sucedâneos para gente que depende das mentiras de outros para tornarem interessante o desinteresse das suas vidas. Seja uma Amazona. Uma Cleópatra. Uma Electra. Uma Sara.

          8. Os livros dão-me perspectivas distintas. O que eu sou e penso não resulta deles mas de questionar os horizontes que abrem (ou encerram, nalguns casos) – e de questionar a vida enquanto a vivo.

            Acredite que canto com a minha voz 🙂

  2. Continuando:

    Sobre a errada sacralização da Vida

    Obrigam-nos a morrer por Ideais. E como são pródigos os mártires sacrificados pelo Estado. Pelos Partidos. Pelos que declaram Guerras. A Vida do Estado é assim moralmente superior à vontade individual de cada um de nós querer continuar vivo.

    Já não lhe bastava, ao Estado, ter o monopólio da Violência. É-lhe ainda necessário o monopólio da Liberdade do que podemos ou não fazer com a maldita da nossa vida.

  3. Sócrates, quando decidiu morrer por um Ideal superior à própria vida, escolheu, como últimas palavras, estas :

    Críton, devemos um galo a Esculápio. Dai-lho a ele e não vos esqueceis.

    Sócrates, o nosso Maior, fez com estas palavras o juramento dos valentes . Que deve ser nossa a vida e nunca, como os cobardes, nós dela.

    Ser livre não é ter , é ser-se capaz de abdicar.

    Paradoxal:

    Permitimos que se morra contra a vontade do vivente vigoroso (ex:guerras justas), mas proibimos que o vivente agoniante decida morrer em liberdade.

    1. “Sócrates, quando decidiu morrer por um Ideal superior à própria vida,” É pá, esta é uma bomba! Na Batalha já sabem e já comentaram?

      1. Na TSF era igual. Não quer que ouça a Rádio Cidade,pois não? Ou a garotada da Comercial, ou a Emissora Católica Portuguesa?

  4. Nem uma conferência de imprensa castrense* conseguiria explicar todas as contradições encerradas numa frase pequenita como esta.

    Pareceu-me que João Oliveira não estava muito confortável quando a proferiu, mas, meu amigo, filiações resultam nisso mesmo…

    * leia-se “à maneira de Castro”, se bem que o sentido natural não lhe fique nada mal, tal o preceito no Partido e o respeito da imprensa. Era um comunicado, mas nem uma perguntinha??

    1. A solução final ( nazi) que se preconiza (eutanásia) não só é fruto de um preconceito estético-social como também indica que a sociedade não acredita na ciência e na sua procura de melhorar a esperança de vida, e quer que o estado tipo nazi regule a vida dos cidadãos.

      A.Vieira

      1. Repare que o “estado tipo nazi [que] regule a vida dos cidadãos” é o que temos: o Estado não permite a morte a quem quer morrer e não tem meios para se matar (dependência absoluta, por exemplo).

        A “solução final (nazi)” era uma imposição ao indivíduo; a eutanásia é uma opção pessoal.

        Dizem “eutanasiar um animal doméstico” mas na realidade o animal não é eutanasiado porque não depende da sua vontade; o animal tem uma morte assistida determinada pelo antes dono e agora detentor. Se antes tinha algum sentido falar em “eutanásia do animal” porque o animal era propriedade do dono logo a vontade do dono era a vontade do animal, hoje não faz qualquer sentido. Mas radicou a ideia, e penso que isso em muito contribuirá para a percepção errónea do que é a eutanásia.

        A Eutanásia é vontade do próprio, não dos outros.
        Da mesma forma que uns preferem dispôr da morte, outros desejam morrer quando o corpo lhes falhar – e devem ter acesso a cuidados paliativos adequados.
        Eutanásia e Cuidados Paliativos fazem parte do mesmo discurso: a dignidade da pessoa em sofrimento.
        Cada pessoa deve poder escolher a dignidade que mais gosta.

  5. A frase é dita pela boca de João Oliveira. Porém, quem se exprime por essa boca não é João Oliveira, não é a sua opinião que é dita: quem se exprime é o “coletivo” e aquela é uma frase elaborada pelo “coletivo” partidário.

  6. A cambada dos partidos que deseja votar a favor deveriam ser os primeiros a eutanasiar e vê-los, antes de dar o berro, a berrar que nem cabras doidas.

    1. Tem toda a liberdade para fazer tal comentário. É uma pena que, tendo também a liberdade para aprender o que é o respeito, não a tenha usado.

      Expor a sua oposição à eutanásia com argumentos serviria melhor os seus interesses do que expôr as suas limitações. “Suas limitações”, as do Anónimo a quem me dirijo.

    2. O Pedro Correia tem por hábito queixar-se dos anónimos mas perante um comentário como este limitou-se a aprovar e nem sequer disse nada.

  7. “As nossas virtudes dependem de interpretação da época. Um fogo expulsa outro fogo. Um prego faz saltar outro prego. Direitos fazem cambalear outros Direitos”

    Coreolanus.

  8. Ficam mesmo espantados com o lado ultra conversador do Partido Comunista? A mim nunca me pareceram outra coisa. Isto independentemente de concordar com a sua posição relativamente ao suicídio assistido — que para mim nunca deveria ser matéria de gosma legislativa. O que torna todas as repúblicas nuns buracos que não se recomendam é o impulso contabilístico para legislar sobre tudo. Os partidos e a canalha no Parlamento são os novos Xerifes de Nottingham.

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