Ricardo Salgado, ontem, na Assembleia da República
5 comentários em “Frases de 2014 (32)”
Bem vistas as coisas, e à luz da presunção de inocência tão veementemente invocada por estes dias, por exemplo, a propósito de certo abnegado servidor da Pátria, temos até – e até ver – a obrigação de assim o considerar: como alguém que trabalhou (donde, um trabalhador) denodadamente em prol dos legítimos interesses da instituição ou grupo que encabeçava, seus clientes e restantes trabalhadores (esta ordem é puramente aleatória), e caiu vítima de um sério erro que não foi seu.
Ou, de acordo com o estilo de certa linguagem, panfletariamente emanada por estes dias de um estabelecimento prisional, e estremecidamente cultivada pelo devoto culto ao novo mártir, "de uma urdidura ignóbil" ou coisa pior. Leia-se neste sentido o texto "A versão", absolutamente certeiro e colocado um pouco abaixo neste blogue.
É assim que se deve pensar, não é? E deixar a justiça funcionar. Se é para um, é para todos.
Aliás o termo "trabalhador" ficou a meu ver extraordinariamente desvirtuado e politizado por conta do léxico e doutrinas pós-Abril de 1974, ainda que, admita-se, pudesse não pretender inicialmente ser mais do que uma mera designação entre intervenientes numa relação laboral. Como se as funções de gestão não significassem trabalho, como se trabalhador fosse apenas aquele que o exerce, no escalão menor de uma hierarquia e sob a direcção de terceiros necessariamente pançudos, de sobrecasaca, chapéu alto e charuto, e forçosamente sob a tensão de uma feroz luta de classes.
O Ricardo Salgado tem razão. Acho que ninguém o pode acusar de chegar ao escritório às 11 da manhã e sair as 3 da tarde, de trabalhar dia e meio por semana e passar o restante tempo na Côte d’Azur (ou na Herdade da Comporta). É uma declaração de uma verdade absoluta e irrefutável. No entanto…
Estamos em Portugal e não no norte da Europa ou nos EUA. A ética protestante, o valor do trabalho pelo trabalho, cá não vinga nem faz sentido. O trabalho em si não vale nada: valem sim, os seus (muito catolicíssimos) frutos. E aí os frutos são maus. A maça que pareceria dourada e reluzente afinal tinha bicho e estava podre por dentro. E como toda a fruta podre, caíu da árvore.
Ricardo Salgado podia ser o maior trabalhador do BES. Como concerteza Vasili Blokhin foi o maior trabalhador em Katyn. Isso não é desculpa. Pior, é um ónus adicional sobre Salgado. Se ele trabalhava tanto e aconteceu o que aconteceu, ou era incompetente ou pernicioso. O primeiro não vinga, o segundo parece que está cada vez mais demonstrado, até pelas palavras do próprio.
Que trabalhador!… Trabalhou tanto e tão bem que mesmo fazendo o que fez, ainda se dá ao luxo, de gozar tudo e todos e andar por aí, como se nada fizesse.
Bem vistas as coisas, e à luz da presunção de inocência tão veementemente invocada por estes dias, por exemplo, a propósito de certo abnegado servidor da Pátria, temos até – e até ver – a obrigação de assim o considerar: como alguém que trabalhou (donde, um trabalhador) denodadamente em prol dos legítimos interesses da instituição ou grupo que encabeçava, seus clientes e restantes trabalhadores (esta ordem é puramente aleatória), e caiu vítima de um sério erro que não foi seu.
Ou, de acordo com o estilo de certa linguagem, panfletariamente emanada por estes dias de um estabelecimento prisional, e estremecidamente cultivada pelo devoto culto ao novo mártir, "de uma urdidura ignóbil" ou coisa pior. Leia-se neste sentido o texto "A versão", absolutamente certeiro e colocado um pouco abaixo neste blogue.
É assim que se deve pensar, não é? E deixar a justiça funcionar. Se é para um, é para todos.
Aliás o termo "trabalhador" ficou a meu ver extraordinariamente desvirtuado e politizado por conta do léxico e doutrinas pós-Abril de 1974, ainda que, admita-se, pudesse não pretender inicialmente ser mais do que uma mera designação entre intervenientes numa relação laboral. Como se as funções de gestão não significassem trabalho, como se trabalhador fosse apenas aquele que o exerce, no escalão menor de uma hierarquia e sob a direcção de terceiros necessariamente pançudos, de sobrecasaca, chapéu alto e charuto, e forçosamente sob a tensão de uma feroz luta de classes.
Anacronismos.
Costa
O quê?
Pensava que era um colaborador.
Colaborador era o ‘Amílcar’…
😜
Caro Pedro Correia,
O Ricardo Salgado tem razão. Acho que ninguém o pode acusar de chegar ao escritório às 11 da manhã e sair as 3 da tarde, de trabalhar dia e meio por semana e passar o restante tempo na Côte d’Azur (ou na Herdade da Comporta). É uma declaração de uma verdade absoluta e irrefutável. No entanto…
Estamos em Portugal e não no norte da Europa ou nos EUA. A ética protestante, o valor do trabalho pelo trabalho, cá não vinga nem faz sentido. O trabalho em si não vale nada: valem sim, os seus (muito catolicíssimos) frutos. E aí os frutos são maus. A maça que pareceria dourada e reluzente afinal tinha bicho e estava podre por dentro. E como toda a fruta podre, caíu da árvore.
Ricardo Salgado podia ser o maior trabalhador do BES. Como concerteza Vasili Blokhin foi o maior trabalhador em Katyn. Isso não é desculpa. Pior, é um ónus adicional sobre Salgado. Se ele trabalhava tanto e aconteceu o que aconteceu, ou era incompetente ou pernicioso. O primeiro não vinga, o segundo parece que está cada vez mais demonstrado, até pelas palavras do próprio.
Que trabalhador!… Trabalhou tanto e tão bem que mesmo fazendo o que fez, ainda se dá ao luxo, de gozar tudo e todos e andar por aí, como se nada fizesse.