(Fr)agilizar


Ana Cláudia Vicente,

Soube nestes dias notícia de um formador que participou ao Centro de Novas Oportunidades [CNO] onde trabalhava a sua indisponibilidade para renovar contrato lectivo. Não estamos a falar de algum profissional jovem, sem compromissos familiares nem financeiros, pelo contrário. Falamos de alguém que deixou de aguentar a pressão para caucionar aprendizagens mínimas, (rare)feitas em menos de uma mão cheia de meses. Há tempos ouvi também a descrição de um outro professor/formador acerca de como era instado a agilizar os processos de certificação sob sua alçada. Agilizar.

Como tantos no país, ao longo do séc. XX, uma boa parte da minha família estudou em regime nocturno, anos a fio, depois de trabalhar. Ninguém lhes agilizou coisa nenhuma, porque niguém entendia a condição de estudante como a de um freguês a quem era necessário simplesmente agradar. Qual agilizar.

4 comentários em “(Fr)agilizar”

  1. O problema em Portugal é esse: finge-se que se trata e resolve os problemas. E, se a coisa não vai, agiliza-se! Brinca-se com a educação/formação, como se estas fossem meras questões burocráticas.

  2. ‘Agilizar’? Ora aí está uma palavra da novilíngua lusitana que detesto. Mais pelo contexto em que costuma ser usada do que por outra coisa.
    Quando ao fundo da questão, Cláudia, aqui fica um notável contributo para o debate:
    cachimbodemagritte.com/3032502.html

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *