Fora da caixa (15)


Pedro Correia,

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«Eu contava que o candidato a deputado Mário Centeno fosse mais cuidadoso nas palavras.»

Rui Rio, no Porto (20 de Setembro) 

 

Tenho reparado que Rui Rio, silenciando praticamente qualquer crítica a António Costa nesta campanha para as legislativas de 6 de Outubro, vem elegendo Mário Centeno como seu adversário principal.

É um erro estratégico, de dimensão descomunal. Quem o oiça, terá forçosamente de presumir que o segundo candidato da lista eleitoral do PSD no círculo eleitoral do Porto não concorre para primeiro-ministro, mas para putativo ministro das Finanças de um hipotético governo de convergência liderado pelo PS.

Eu sei que Rio não costuma ler o que se vai escrevendo na blogosfera. Mas convinha alguém avisá-lo: o seu rival chama-se Costa, não Centeno. É inútil correr para suplente do actual feitor das contas públicas.

O cargo está preenchido. E até conta com a bênção de Angela Merkel. Mesmo que Centeno, ao contrário de Rio, não saiba uma palavrinha de alemão.

16 comentários em “Fora da caixa (15)”

  1. Não é bem assim. Rio atacar Centeno é um erro estratégico, não porque Rio não esteja a concorrer para substituir Centeno, mas sim, essencialmente, porque Centeno é, pura e simplesmente, o mais popular ministro de Costa.
    Rio deveria atacar os menos populares e mais contestáveis ministros, não atacar o mais popular e incontestável deles.

    1. Para “atacar os menos populares” não é preciso Rio. Nem um Ribeiro. Qualquer um o faz.
      Rio devia eleger Costa como seu adversário porque é o cargo de primeiro-ministro que ele se propõe ocupar, não o cargo de ministro das Finanças.

  2. É um erro, mas não descumunal.

    Um erro descumunal é perder mais tempo a atacar o líder do próprio partido do que com os adversários.

  3. Pedro, Centeno é que tem aguentado o governo. As pessoas votam pensando com a carteira e não usando a cabeça, ou lendo programas eleitorais . A adicionar a isto tudo, duvido que os portugueses tenham empatia, ou em grande consideração, António Costa, desde a tragédia dos incêndios, e dos seus frequentes dislates, em alturas de tragédia, ou em situações embaraçosas, reveladores de alguma falta de carácter e de Sentido de Estado. António Costa não é humanamente e politicamente uma figura confiável ou empática. É, isso sim, matreiro. Em acabando Centeno, e Pedro Nuno Santos, acaba António Costa.

  4. Poderia ser o resumo da dinâmica entre Rui Rio e António Costa, mas não, é apenas um excerto da letra de um tema dos Delfins.

    “Eu sempre gostei de ti
    Eu sempre te conheci
    Nunca pensei que me deixasses só
    Eu sempre te procurei
    Eu nunca te abandonei
    Nunca pensei que te sentisses só
    Sou como um rio
    Que vive só para ti
    Correndo só para te ver
    Sou como um rio
    Que acaba ao pé de ti
    Foi sempre assim
    Gostar de ti”

  5. Vitor Gaspar era muito mais credível. Nós sabíamos o que queria, sem truques, sincero, sem vaidade o que contradiz com Centeno, vaidoso, politiquez, cheio de truques para enganar todo mundo. Eu preferia orçamentos corrigidos para mais do que orçamentos enganosos só no papel. O Zé gosta de de ser enganado.

  6. Outra forma de interpretar as palavras de Rui Rio sobre Centeno.
    A. Costa tem formação jurídica.
    Rui Rio e Centeno ambos têm formação em Economia.

    A. Costa já demonstrou fragilidades ao argumentar sobre Economia/Finanças com Rui Rio. E obviamente procura mudar de tema. Tudo bem.
    Rui Rio critica, com todo o direito -justamente numa argumentação entre pares- o responsável pelo programa económico/financeiro de A. Costa, o Ministro Centeno.
    Aliás Rui Rio assim demonstra um procedimento assáz correcto. Sabe com quem argumentar, o quê.

  7. Claramente o Rio sente-se mais à vontade a discutir números com o Centeno do que política com o Costa…

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