Reportagem na SIC sobre um incêndio em Seia. Pela voz, a repórter adivinha-se jovem. E entusiasta. Este fogo arde para quem o quer ver. Um idoso, atarantado, afasta-se da sua residência ameaçada. A repórter quer saber como se sente. O idoso, atarantado, diz qualquer coisa. A repórter quer saber mais: mas é perigoso! O idoso atarantado ainda tem tempo para responder, com as labaredas em fundo: perigoso não, menina, que eu não faço mal a ninguém. A repórter não perde a chispa e, enquanto o idoso atarantado se afasta, tenta manter viva a chama da oportuníssima entrevista: o fogo, o fogo!
Fogo!
Rui Rocha,

não é de admirar ! é um reflexo do país em que estamos, daquilo que ” nós ” queremos ouvir na Tv !!!
Pois é bem possível.
Coitados, culpa nem é deles, que só estão a fazer pela vida. À espera da sua big break, de um momento “Carlos Fino – Inicio da Guerra Iraque”.
Pois…
Na verdade Rui estes momentos tv não têm classificação possível.
Estes e os famosos ” E como se sente ? ” quase sempre direccionados ao, quase morto, ao que está em vias de…ou a, um familiar…
Alguém deveria ensinar aqueles jovens ( ou mais crescidinhos ) que existem questões que jamais se colocam ás pessoas.
É a TV que temos…
Fico sempre à espera que alguém lhes responda à letra…
Ah ah ah, como eu.
Ás vezes penso : querem ver, agora vai dizer: e o que é que você tem com isso ?
Curiosamente, este tipo de “jornalismo” é muito mais comum nos canais privados. Ainda que a RTP não esteja imune a momentos desse calibre, são, regra geral, muito menos habituais.
Mas que isso não impeça a narrativa oficial da “inutilidade” da RTP, da ausência de diferenças entre esta e as demais TV’s…
A propósito de casas a arder…
Ainda há 2 dias vi numa estação de televisão (que não fixei, caso contrário identificava) a repórter perguntar a uma vítima de um dramático incêndio:
«Que está sentindo neste momento?» …
ao que a vítima pelos vistos mais lúcida e adulta e não preocupada com as audiências (=quanto mais desgraça melhor) respondeu:
«Que acha quando a gente vê tudo o que é nosso arder?»
Escusado será dizer que a resposta da repórter não se ouviu … pois deve ter ficado sem …
Cumprimentos
Exactamente.
As «reportagens» sobre os incêndios são, no mínimo, incendiárias, de uma falta de senso e gosto atrozes.
Os «repórteres» são de uma grosseria ainda há pouco invulgar, mas que hoje parece ser comum, condizendo com o estado geral de descalabro a que este pobre país chegou.
Uma tragédia a juntar aos próprios incêndios…