“Lei é Lei e a Constituição é a Lei Suprema, que é nosso dever cumprir e fazer cumprir”, diz Costa a propósito dos diplomas sobre apoios sociais. Curiosamente, este é o mesmo Costa que dizia, há relativamente pouco tempo, que “confinamento é para manter diga o que disser a Constituição”. A Constituição, conforme a conveniência para Costa, parece ser ora os Mandamentos escritos em pedra, ora um conjunto de preceitos vagos passíveis de interpretação caso a caso. E vários dos comentadores que enxameiam as televisões parecem, em diferentes alturas, alternar de modo quase esquizofrénico entre pensarem que não se pode ter uma leitura “artística” da Constituição sob pena de vir aí o caos e a escuridão, e acharem que não se pode ter uma interpretação tão fundamentalista da Constituição que impeça a resolução de problemas criados por circunstâncias extraordinárias. E esta plasticidade de discurso tão chico-esperta é, como dizia o outro, uma coisa que me chateia, pá!
Fluido não newtoniano
João Sousa,

no alvo
E é isto o que temos: dois manhosos numa medição de pilinhas constitucionais.
Dei-me conta disso logo que escutei o “Lei é Lei!”!… Que falta de vergonha!… Quando temos um Presidente da AR que se está c*** para o segredo de justiça, quando temos um PM que “ignora a Constituição” para nos confinar… e depois “qual virgem ofendida” clama “Lei é Lei” para não “dar apoios sociais”… para onde vamos? Onde estão os que clamavam “o povo é quem mais ordena”? Onde estão os que gritavam “há vida para além do défice”?…
A vida para além do défice só contava nos tempos do direito à indignação contra a troika. Agora, o refrão é mais “o povo é sereno” (não é sereno mas domesticado, digo eu).