
Depois de durante dias seguidos ter sido bombardeado com a novela de Alcochete, a que se seguiu a novela da Taça de Portugal, com as rescisões, as ameaças, os desmentidos, os comunicados, as entrevistas e as conferências de imprensa com as catatuas e os marginais habituais; sem esquecer o último jornal da RTP com os títulos da imprensa diária comentados em directo, estava convencido de que a RTP, já nem digo a Televisão de Macau (que transmite os jogos da Liga dos Campeões e da Liga Europa, dos campeonatos de futebol da China e do Japão e, ainda, da segunda divisão inglesa, tendo já anunciado em canal aberto os 64 jogos do Mundial da Rússia), permitiria a todos os que vivem na Ásia, e àqueles que estão de viagem por estas paragens, como a equipa B do Sporting Clube de Portugal, assistirem em directo à final.
Mas não. À mesma hora a que se jogava no Estádio Nacional o Aves – Sporting, por aqui tínhamos de gramar na RTP Ásia, uma vez mais, com os comentários futebolísticos dos “paineleiros” da bola com mais uma retransmissão de um programa requentado sobre a crise do Sporting.
Nem mesmo através da RTP Play era possível ver o jogo que a RTP 1 estava a transmitir em directo. Quanto à RTP Internacional anunciava “Got Talent Portugal” (convém ensinar inglês aos provincianos que vivem fora de Portugal) e “Volta ao Mundo”. Um verdadeiro serviço público de excelência para os portugueses que vivem fora. Curiosamente, ainda ontem vi a final da Taça de Inglaterra.
Ouvir o relato pela rádio fez-me regressar, em 2018, aos domingos à tarde, em Moçambique, no final das décadas de sessenta e início de setenta do século passado, quando não havia RTP Internacional ou televisão a cores, e eu me escapava para acompanhar os relatos dentro do carro do meu pai.
E depois aparecem por aí umas cavalgaduras com os bolsos carregados de porta-chaves e pacotes de manteiga, para largarem uns perdigotos a enaltecer a herança camoniana, a lusofonia e a importância dos “portugueses da diáspora” (sic), enquanto nós suamos em bica e eles aproveitam para distribuir a granel a lataria do Dez de Junho. Não corresse eu o risco destas linhas serem lidas por menores e dir-lhes-ia o que podiam fazer com a tralha que nos trarão dentro de mais uns dias.


Tem toda a razão. Na RTP Play, num playava nada. No youtube, sim e em directo. Para a próxima digite na caixa de pesquisa do youtube: Taça de Portugal em directo, e zás.
A final da taça revelou que afinal o problema não é Bruno de Carvalho nem as claques.
Parabéns ao Aves e a seus adeptos. Bom jogo.
Quanto aos paineleiros: Sim, parece que o painel num anda painelando bem. Deve ser da tampa.
O MP pediu prisão preventiva para o grupo de jovens que andou à estalada em Alcochete. Não era de estranhar. Espero que o(a) juiz não faça isso e os reintegre e decrete serviço comunitário: fazendo-os prestar serviços nos clubes das equipas adversárias e os faça conviver com claques de outros clubes para desenvolverem suas habilidades sociais; que eles peçam desculpa aos jogadores e prestem serviço, tratando de seus equipamentos e outras tarefas, aos jogadores agredidos. E que os proíba de assistir a jogos em qualquer estádio de futebol durante 1 ano.
O MP pediu prisão preventiva para o grupo de jovens que andou à estalada em Alcochete.
Vi isso na televisão em nem queria acreditar!
Qual é o fundamento para essa medida de coação de gravidade máxima, a prisão preventiva?
O Ministério Público português é uma vergonha, uma nojeira. Agora pedir prisão preventiva para uns gajos que fizeram umas ligeiras agressões físicas. Porquê?
Meu caro, a democracia é isto. Pede-se o que se quer sem se saber se obtém. Não lhe venha o vómito por causa disto. O MP não julga. Não sei se já se deu conta disto.
Uma forma diferente de pensar e sentir a lusofonia que nos aproxima e a lusa miopia que nos afasta.
Vivendo sempre entre raias de Espanha e o Atlântico, não me dava imaginar que à diáspora alimentam com tão pouco… e depois estranhamos o acolhimento, o carinho dado a qualquer que os visite com um cheiro de cultura nacional – como não hão-de abraçar quem lhes canta se do Estado só recebem música?
Defendo que os canais públicos não devem sofrer intervenção do Governo. Mas poderiam depender da Presidência da República e do Conselho de Estado na delineação e verificação dos objectivos enquanto serviço cultural e informativo às populações, suponho. Seria uma questão de vontade política, digamos. E uns tachos a menos – incluindo menos taxas na conta da electricidade.
O Estado Islâmico reivindica ” atentado contra os jogadores do Sporting:
…” Inadmissível um clube de Al valade, treinar el Al cochete por Jesus! ”
Amendes
A mesma irritação sentida hoje, aqui na Bélgica. Depois de décadas em Moçambique a ver a preguiça e a incompetência da RTP Africa e a RTP I. Que são, e não apenas por causa do futebol, um coito de incompetência;
Um coito ou um couto? Eu acho que coito é outra coisa…
Luís talvez tenha razão, também terá algum sentido. Quando li, e relendo, “coito” está muito adequado.
Mas sou suspeita pois escrevo várias vezes “coitados como em coito”. Com F maiúsculo, portanto.
Ó homem, V. e a sua até pungente mania de contraposição, de ser por contestar, seja lá o que for: neste caso, como tantas vezes, acha nada, vai errado.
O mesmo aqui em Moçambique com a RTP África e a RTP Internacional a “esquecerem-se” dos milhares de Portugueses que aqui vivem e muitos deles ainda a pagarem por um serviço público inexistente.
O Sérgio está-se marimbando para a herança camoniana, ele o que quer é ver a final da Taça de futebol!!!
Assim se vê onde está a valente nação lusíada hoje em dia…
O senhor Lavoura devia pedir ajuda a alguém. Não sou a pessoa adequada para isso.