
Seria “algures no Verão de 2018”. Passou depois para a “primeira quinzena de Junho”. Semanas mais tarde, seria “entre o final de Maio e o princípio de Junho”. Mais recentemente, foi dito que o dia 6 de Maio seria o definitivo. Dias depois, afinal era a 5. No entanto, o anúncio oficial de dissolução da ETA chegou hoje, dia 3 de Maio de 2018.
A sucessiva antecipação de datas é reveladora da inexistência de entraves por parte da militância etarra à dissolução da organização, o que significa que ninguém encontrou uma forma de perpetuar o lastro de violência. A ETA capitulou. Chega ao fim sem conseguir a independência do País Basco, sem edificar a “sociedade socialista” e sem terminar com a dispersão de presos. Acaba sem ser capaz de disfarçar a sua debilidade, antecipando a data de dissolução como quem pretende terminar com uma agonia insuportável.
São mais de 40 anos de violência e de acosso que formalmente terminam. O dia é histórico. Há agora condições para estreitar os abismos sociais e políticos criados pelo terrorismo, o que só acontecerá respeitando as vítimas, cumprindo a lei e zelando pela memória colectiva. Por cá, deste lado da fronteira, talvez tenha chegado o momento de desfazer equívocos. Por exemplo, de deixar claro que a imensa maioria dos homicídios cometidos pela ETA tiveram lugar após o ocaso do Franquismo. Ou, por dar outro exemplo, de reconhecer que a maioria das vítimas mortais foram civis, e não militares ou polícias. Talvez o fim da violência sirva para que, a um só tempo, e finalmente, alguns reexaminem a sua conivência e outros criem um futuro livre de ódio.
Adenda: passado e futuro resumidos em 1700 caracteres na forma de artigo de opinião publicado no Diário de Notícias (21.4.18).

“Chega ao fim sem conseguir a independência do País Basco, sem edificar a “sociedade socialista”
Pergunto-me porquê fazer do terrorismo argumento de campanha politica? Não haverão outras formas?
Esse “Socialismo” etarra apoiava-se no quê? Em Ferdinand Lassalle?Henri Lefebvre? Em Mário Soares? Mitterrand? Sá Carneiro….
A Sociedade Socialista etarra não passava disso mesmo…uma proclamação de uma boca vazia
Para quem vive aquém-Caia e vê, forçosamente “los toros desde la barrera”,seria aconselháve lpassar os olhos pelo artigo de (D.)Ignacio Camacho, “El posterrorismo” , saído no ABC de hoje.
http://www.abc.es
JSP
Fazer aos Etarras o que não fizeram aos Franquistas, portanto.