Fez a diferença mas tenho pena


Sérgio de Almeida Correia,

“Aos 38 anos, presidiu ao maior aumento do turismo em Portugal. Só que não gostou da política. Não se candidatou a uma carreira de ócio como deputado e, quando o Governo caiu, voltou alegremente à sua profissão.” – Vasco Pulido Valente, Público, 26/12/2015

 

Não discuto os méritos do “maior aumento do turismo em Portugal”, mas tenho a noção de que foi um dos poucos que sobressaíram e foi capaz de fazer diferente, sem golpadas nem aldrabices, fazendo alguma coisa de jeito em prol do País. Tinha uma carreira e uma vida fora do partido, não dependia da política e podia entrar e sair sem se tornar dependente. Tinha tudo para poder prosseguir e continuar a fazer a diferença num parlamento cinzentão, oligárquico e aparelhístico. Optou por desistir da política activa e abdicou de uma carreira parlamentar. Compreendo perfeitamente a sua opção, pois provavelmente teria feito a mesmíssima coisa. Mas por não haver gente com o seu desprendimento na política, gente que escolhe os seus próprios suspensórios e aventais, é que o país está como está e tem tido os políticos que conhecemos. Ele e José Ribeiro e Castro são duas baixas de vulto no CDS/PP e no paupérrimo panorama da vida política nacional. Boa sorte, Adolfo. E volta quando puderes.

7 comentários em “Fez a diferença mas tenho pena”

  1. Meu caro Sérgio
    Texto como sempre para meditar Partilho inteiramente do que dizes acerca do Adolfo. Foi sempre assim que o conheci. Já tenho de Ribeiro e Castro opinião diferente e para mim ele nunca se desligou verdadeiramente da política. Apenas está num intervalo que lhe permita voltar a ela. No CDS ou fora dele.

  2. Um texto que demonstra bem onde chegou o totalitarismo da Política na mente das pessoas.

    Porque raio para vocês (incluindo o velho bardo do VPV) sempre que acontece acontece alguma coisa boa foi a Política?

    Se o Turismo cresceu não foi por causa do Ministro mas com mais probabilidade apesar dele. Mas o que que quer que seja que ele fez teve uma importância mínima isto se excluirmos que ele fez parte de num regime que tenta atrapalhar e punir quem faz, cria , inventa.

    Internet a funcionar faz muito mais pelo turismo.
    Nível de crime baixo faz muito mais pelo turismo
    Violência em alguns destinos turísticos faz muito mais pelo crescimento.
    A prosperidade noutros países faz muito mais pelo turismo.

    Mas percebe-se, os jornais de “referência” são jornais que existem para vender a Política e fazer querer que ela faz muito por nós.
    Para nós assim darmos mais e mais poder à Política.
    Até ter tanto que é Totalitária.

    1. luckluckyl, tendo vivido muitos anos no estrangeiro, ganhei o hábito de googlar regularmente a palavra Portugal para ver o que a imprensa internacional (anglófina, que os meus computadores falam todos inglês) dizia. Durante anos era só futebol e um ou outro artigo turístico, depois foi a crise esó desgraças. A certa altura apercebi-me de excelentes artigos sobre o país, de várias páginas, nos chamados jornais de referência (New York Times, Guardian, Telegraph, Independent, etc). Artigos que davam MESMO vontade de ir a Portugal, e não era um ou outro desgarrado: foi precisamente por serem 2 ou 3 seguidos, em geral ao fim de semana, que a coisa me chamou a atenção. Tinha de ser uma estratégia combinada!
      Mais tarde li que era mesmo uma estratégia de utilização da internet, de publicidade nos canais genéricos (porque estudaram o assunto e viram que era aí que as pessoas se informavam, e não em revistas sobre turismo) de desvio das verbas das feiras internacionais para este tipo de publicidade.
      Procure na internet e vai ver se não encontra isto que lhe estou a dizer. Não, desta vez não é nada verdade que os políticos não fizeram nada. Fizeram sim, e foi muito bem feito.

  3. E na mesmas senda esqueci-me de referir um dos mais importantes vectores do sucesso do Turismo em Portugal: quem trabalha na área.
    Quem constrói, quem investe, quem serve uma bica, quem faz uma cama, quem prepara uma refeição, etc etc…

  4. O turismo cresceu porque outros, estão na mó de baixo e não por ser mérito de A ou de B. A Tunísia, Egipto… Ficaram sem ele e nós e outros, usufruímos disso mesmo. Também é bom que se diga que Lisboa está muito mais bonita e tem aquilo que não tinha e aqui, o Adolfo não tem nada a ver com o assunto. Pode ter mérito, reconhecido ou não, mas daí a dizer-se que foi ele o impulsionador do turismo em Portugal vai uma grande diferença.

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