Feminista, com muito orgulho


Teresa Ribeiro,

Não sei quando comecei a dar atenção ao Dia Internacional da Mulher. Talvez no início da adolescência. Mas já na infância sabia que havia dois pesos e duas medidas, uns pró menino, outros prá menina e não gostava. Posso, portanto, dizer que antes de saber o que era o feminismo já era feminista. Não precisei de seguir nenhuma cartilha. Foi o meu próprio sentido de justiça que me guiou onde até hoje me encontro: do lado dos que defendem a igualdade de direitos e oportunidades para homens e mulheres. 

Tenho a sorte de ter nascido no século XX e no ocidente, mas se o 8 de Março serve para alguma coisa é para ter bem presente até que ponto o mundo ainda é um lugar atroz para a maioria da população feminina. A meu ver isso devia ser o bastante para que ao menos entre as mulheres o apodo “feminista” não fosse incómodo ou controverso. Eu continuarei a ser feminista até ao dia em que não houver motivo para levantar essa bandeira. Desconfio que isso não acontecerá no meu tempo, mas quem sabe a minha filha ou as minhas netas, se um dia as tiver, possam falar deste tema como coisa do passado. Quando acontecer, terá valido a pena as gerações que as precederam nunca terem desistido de lutar por esta ideia tão saudável que é a da paridade entre sexos.

65 comentários em “Feminista, com muito orgulho”

  1. O “ser humano” não tem género.

    No próximo século será um cyborg sem corpo hominídeo.

    Amará um robot. E o robot retribuirá, com sentimentos, inteligência e emoções mais profundas e genuínas do que os actuais “humanos”.

    A discussão sobre o género, a cor-de-pele e outros atributos do actual corpo anatómico hominídeo não é perder tempo?

    1. Não, SAP2ii. Vai-se sempre a tempo de corrigir uma injustiça e quanto mais depressa, melhor. Além de que ao fazê-lo estamos a melhorar o que será a herança genética desses humanos pós-modernos 😉

      1. Teresa Ribeiro, como sabe, abandonei a tarefa do Conhecimento.
        Entreguei-a a meu «robot Žylĕc». Meu amigo e confidente.
        Porque senão ficava toda a vida agarrado aos livros, ao microscópio, ao computador e aos lasers e não fazia mais nada… Ficava um robot.
        Assim, desse sítio, que é um nenhures, apenas posso retorquir dizendo: «Então, confio em si».

      2. “Vai-se sempre a tempo de corrigir uma injustiça e quanto mais depressa, melhor. Além de que ao fazê-lo estamos a melhorar o que será a herança genética desses humanos pós-modernos ;)”

        Não está a corrigir coisa alguma. Aquilo que está a fazer é acabar com a necessidade de complementar a existência com uma pessoa de outro sexo.
        Ao acabar com essa diferença acaba com a humanidade actual pois o desejo decresce- não vou entrar no válido alternativo argumento do SAP21.
        Quanto mais a mulher e homem terem actividade comum mais a sua evolução tenderá a ter um corpo com única forma. Aliado ao facto de muito menores nascimentos as forças da evolução tenderão a humanidade para o androgenismo.
        As feministas não só destroem a identidade da mulher usando como bitola valores de homem, também lhe vão destruir a parte física.

    2. SAP2ii experimente passar um mês, chega um mês, junto daqueles viquingues da Islândia.
      Fartei-me de bacalhau e não consegui distinguir bem o que por lá faz um homem ou uma mulher.
      Bancos, Organismos do Estado, empresa privadas, bares, fábricas de tratamento do bacalhau, barcos de pesca, tratadores das pisciculturas e todas as actividades não se consegue distinguir, como por cá, o que é feito por homens ou mulheres, quer a nível de liderança quer a nível de subordinados.
      Coitados dos Islandeses devem estar em extinção, claro que não. Acontece o mesmo nas sociedades de homens ‘distantes’ (o caso de pescadores) são as mulheres em terra a tratar de tudo e com o passar dos anos vai se transformando a sociedade. Por cá, em muitas terras de pescadores e, principalmente, em terras minhotas acontecia a mesma coisa. No caso do Minho até as famílias são conhecidas por ‘a das Ferreiras’, ‘a das Coutinhas ‘, dado os homens ir trabalhar para longe por longos períodos e, com este estado de sociedade, as mulheres tomarem conta de todas actividades, sendo o homem e a mulher da casa.
      E nunca ninguém morreu com isso ou passou a haver machonas.
      Percebeu.

      1. 1. Não preciso de ir à Islândia, para experienciar isso.

        2. Tenho duas belas irmãs. Que, não são boas de assoar quando se fala destes assuntos.
        Dizem elas, que, darem-lhes “quotas”, é a pior ofensa que lhes fazem. Porque não precisam de esmolas para fazerem o que querem. Isso seria à partida dizer que são inferiores ao “masculino”.
        Nem têm medo de nada. Nem admitem que venham de fora dizerem-lhes qual a moral ou ética de vida que devem ter.

        3. Há quem diga que os de “esquerda” são gays, lésbicas e feministas (alguns, mesmo casados pela Igreja e com filhos), e os de “direita” machistas e retrógrados (que só lhes querem ver as pernas e apalpar a pele).
        Mas eu não acredito, porque já vi de tudo, no verso e no inverso, a amarem-se tanto uns quanto os outros. A gostarem de tudo, e de toda a variedade de combinatórias.
        Cá por mim, que não sou nem de “esquerda” nem de “direita”, nem pertenço ao “regime abrilista”, nem a outro qualquer, vejo a coisa de outro modo.
        Não me apanham numa guerra dicotómica, binária, isomorficamente simétrica e opositiva (feminino/masculino, nós/outro, bem/mal, etc.). Para esse Regime — de que são feitos todos os outros regimes — é um peditório para o qual não tenho nada a dar.

        4. A questão é outra.

        5. É o Ser (aquilo que de facto somos) poder mudar o suporte para um corpo diferente. Sem deixar de continuar a ser o que é.

        6. Não por uma fantasia ou um arbítrio infundado. Mas porque essa mudança é crucial para a sua sobrevivência e continuidade na Natureza (mudo, universo, vida).
        Não é uma questão filosófica ou de opinião.

        7. Não é por o nosso corpo mudar para um cyborg ou robot que o dimorfismo acaba automaticamente.
        A intervenção que já conseguimos fazer hoje, permite-nos ir diretamente ao metabolismo das células, proteínas e moléculas e provocar o mesmo efeito que uma relação corporal entre feminino e masculino.
        Já não precisamos dos corpos anatómicos para procriarmos e nos reproduzirmos. Nem mesmo para obtermos os mesmos efeitos no metabolismo de que o exercício físico feito com as pernas e os braços (já conseguimos induzir esse benefício sem atividade física do corpo anatómico).

        8. E daqui a 100 anos, ainda muito menos.
        As tarefas corpóreas que fazemos hoje, um robot fá-las-á muito melhor. Foi isso que aconteceu no passado, com a tecnologia e as máquinas, desde o Paleolítico. Não há razão para acreditar que esse processo evolutivo pára.

        9. Portanto, como referi no início desta discussão, o Ser que nós somos é independente do corpo que temos em cada época ou contexto histórico.

        10. Foi nesse sentido que fiz a pergunta, sobre se valeria ainda a pena estarmos nessa luta.

          1. Teresa Ribeiro, vou ser sarcástico e mau.

            Não será, talvez, porque já haja isso de que se queixa?

            Essa igualdade de direitos oportunidades, aqui, e em vários outros países do mundo, já existe.
            Na investigação científica em Portugal, na justiça, na educação, já são mais «elas» do que «eles».
            As diferenças salariais, ou a competição pelos lugares (com queixas de uns e de outras), não têm nada a ver com igualdade de género. Isso é uma palha que só algumas/alguns burros comem.
            Dar quotas (ou lutar por quotas) é fugirem à competição. É uma fraude.

            Essa não é a luta pelo feminismo. É um truque político demagógico e xenófobo. É o oportunismo e o facilitismo da mediocridade.

            Onde existe essa desigualdade moral e ética, provavelmente, é onde a Teresa Ribeiro não quer dizer, nem ir para lá lutar.

            Onde existe em Portugal a verdadeira opressão ao «feminino» é onde o André Ventura do CHEGA diz que há.
            É nas comunidades ciganas, em que o «masculino» as impede de ir à escola. É nas comunidades de africanos de pele escura, em que elas são genitalmente mutiladas.
            Aí sim. Aí é que há ausência de direitos e oportunidades iguais.

            Mas durante 47 anos deste Regime Abrilista (ora PS, ora PSD), foi preciso vir um Chega para vos atirar com essa cumplicidade criminosa do silêncio à cara. Chamam-lhe racista, xenófobo, extremista… para tentarem esconder a cara com uma peneira.

            Aí, onde é preciso lutar, é que nós queríamos ter visto as valentes e os valentes do feminismo.

        1. “que não sou nem de “esquerda” nem de “direita”,”
          Depois desta afirmação é óbvio que
          “nem pertenço ao “regime abrilista””.
          Nem precisa de o dizer.

  2. Com uma experiência de vida, no máximo 21 anos de idade, pois nasceu neste século, XXI, tudo o que diz é teoria, hipocrisia.

  3. já na infância sabia que havia dois pesos e duas medidas, uns pró menino, outros prá menina e não gostava

    A infância da Teresa foi há muito tempo e os valores desse tempo estão a ficar desatualizados.

    Atualmente, com a moda dos transgénero, haver valores para o menino e para a menina está outra vez in. As transgénero ficam todas contentes por deixarem crescer os cabelos, pintarem as unhas e usar saia, porque dizem que aquilo são valores de menina. Atualmente estamos no tempo da política identitária, em que se quer outra vez distinguir muito claramente entre homens e mulheres; uns têm valores de menino e outras de menina, independentemente daquilo que lhes tenha calhado terem entre as pernas.

  4. as minhas netas, se um dia as tiver

    Não terá.

    Hoje em dia a grande maior parte dos seres humanos em Portugal não se reproduz. Não tem dinheiro nem disponibilidade de tempo para isso. Não tem, mesmo.

    A Teresa não terá netas. Nem eu netos.

    A nossa esperança é que venham para cá muitos africanos ou brasileiros para tratarem de nós quando formos velhinhos.

    1. “A nossa esperança é que venham para cá muitos africanos ou brasileiros para tratarem de nós quando formos velhinhos.”

      Tratam-te é da saúde e ficam-te com o guito. Imbecis de merda.

      1. Claro que se eles tratam da minha saúde, eu tenho que lhes pagar, pois eles não trabalham de borla. Portanto, sim, eles ficam com o meu guito. E eu fico com boa saúde. É justo.

  5. Não concordo com a palavra feminista assim como não concordo com a palavra machista. São duas palavras que não definem, o que é na sua essência, a sua diferença.
    Somos biologicamente diferentes, reagimos de maneira diferente às situações.
    Só faz sentido falar em igualdade é em termos de aplicação do direito. Tudo o que ultrapasse esse domínio já não é igualdade é preconceito.
    Que mal é que tem as meninas usarem cor de rosa e os meninos usarem azul?
    Que mal é que tem as meninas brincarem com bonecas e os meninos com carrinhos?
    O que está mal é haver discriminação salarial na mesma profissão entre homens e mulheres, e isso sim tem de ser combatido.
    Mas não se confunda a palavra feminino com a palavra feminista.

    1. O comportamento e as opiniões polémicas de algumas feministas serviu para muitos e muitas lançarem um anátema sobre as palavras “feminista” e “feminismo”. Mas feminista é quem defende a causa da igualdade de direitos e oportunidades de homens e mulheres. Tudo o que de negativo se tem associado à expressão é preconceito, especulação e propaganda.
      Também a confusão entre a reivindicação de igualdade de direitos e a pretensão de se ser igual tem sido alimentada por quem se esforça por denegrir este movimento. Se seguir com atenção toda a informação que é difundida por fontes credíveis sobre a desigualdade de género, não encontrará referência a essas pretensões.
      Feminino e feminista são palavras com diferentes significados, mas não incompatíveis, ao contrário do que muita gente quer fazer crer.

        1. São as chamadas feminazis . Penso que, no fundo , gostariam de ser homens. aliás , já pude observar o comportamento ao vivo e são completamente machistas na forma como tratam as outras mulheres.

          1. Não me deve ter percebido , ou então fui eu que não percebi. O que quis dizer foi que às feministas radicais e extremistas lhes chamam feminazis. Nem me passa pela cabeça ter menos direitos que um homem , mas sou diferente de um homem , e não quero ser igual. E não me faz confusão nenhuma um piropo…Peço desculpa , não a queria ofender.

      1. A palavra feminista tem sempre associada uma carga negativa ao contrário da palavra feminino. É como a palavra machista e a palavra masculino.
        Os grupos que se formam para defender esses conceitos acabam sempre por defender preconceitos.

        1. Por definição, feminista é uma pessoa que defende a causa da igualdade de direitos das mulheres. A conotação negativa foi-lhe acrescentada pelas vozes críticas desse movimento, para o descredibilizar. Já “machista” tem, de facto, uma conotação negativa. Designa os que contribuem activamente para a discriminação feminina.
          Não faz sentido colocar “feminina” em oposição a “feminista”. Tal, como não é correcto opôr machista a masculino. Os machistas não deixam de ser masculinos por serem machistas, tal como as feministas não são menos femininas que as mulheres que se demarcam desse movimento.

          1. A conotação negativa não é dada pelas vozes críticas desses movimentos, são as acções extremadas desses mesmos movimentos que dão origem às conotações negativas. Estou a lembrar a queima dos sutiãs em 68, que na minha opinião não acrescentou nada à causa, antes pelo contrário.
            Eu não estou a colocar em oposição feminista com feminina, eu estou a colocar em pé de igualdade, feminina com masculino e feminista com machista. E as cargas negativas das duas últimas são exactamente iguais e de sentido oposto.

          2. Cinquenta anos depois ainda se fala da queima de soutiens. Recordar esse episódio ignorando o contexto em que tudo se passou parece-me uma tentativa algo desesperada para denegrir o movimento feminista. E o que realmente interessa, as causas do feminismo, que são justas, ou o comportamento de um grupo de activistas mais radicais?

          3. É precisamente o comportamento de um grupo de activistas mais radicais que consegue denegrir as causas justas do movimento feminista. E para a mensagem passar com êxito não é necessário recorrer a radicalismos.
            É necessário diálogo, mas com argumentação séria, sem fundamentalismos.
            Para mim é ridículo a introdução de quotas no acesso a cargos públicos, assim como a introdução de quotas na política partidária.
            A igualdade tem de vir do ” berço “, mas sempre respeitando a diferença biológica, não é obrigando os meninos a brincar com bonecas e as meninas a brincar com carrinhos que conseguiremos uma sociedade mais justa.

          4. Lucky:
            Do dicionário:
            Feminismo – Movimento ideológico que preconiza a ampliação legal dos direitos civis e políticos da mulher ou a igualdade dos direitos dela aos do homem.
            É isto! Tudo o resto é folclore (dos que o perseguem e criticam com o único objectivo de o desvalorizar e dos grupos mais radicais que a ele se associam)

  6. Nunca poderá haver uma igualdade total.Muitos trabalhos têm a ver com a Morfologia. Na guerra, na fábrica, nos campos, na construção, etc
    No Ensino muitas vezes há um Homem para 9 mulheres. E na medicina embora menor a diferença é grande.
    etc.etc.

  7. Ah! Bendito , e entorpecente , eurocentrismo…
    Basta apanhar o “cacilheiro”, ali em baixo, em Algeciras…
    JSP

  8. A Isabel dos Santos tinha mais direitos em Portugal do 99% dos caucasianos que por cá andam. Mulher, ainda por cima preta.
    Discriminação de cor e género… sim, verdade, quem manda é ela. A verde.

      1. A Teresa não percebeu o uso do adjectivo?
        Não é difícil entender que não estava a qualificar a senhora do que seja pela sua cor da pele

  9. A guerra é que me parece muito problemática. Um exército constituído só por mulheres, de soldado a general? Depois tinha de se combinar com o inimigo (faz-me recordar o Solnado) para que tropa feminina só combatesse com tropa feminina! Como se faz no desporto. No Judo há homem contra mulher? E no tempo em que as batalhas eram à espadeirada e a força física contava muito? Mulher de espada na mão contra homem?
    Há muitos exemplos que para mim demonstram que a igualdade não é como a pintam. Só admito o que eu chamo igualdade em dignidade.
    Podia dar mais exemplos no aspecto sexual, mas não quero consumir demasiado espaço.
    Há muito feminismo sem pés nem cabeça.

      1. “Mas convém-lhe distorcer a mensagem para que a possa criticar.”
        Não, não me convém nem gosto de distorcer. Gosto de discutir ideias. Incidentalmente não coincidem com as suas.

  10. Quanto a direitos, perante a lei, conte comigo.
    Quanto a oportunidades iguais, já perdeu e ganhou algumas à nascença.
    Perdeu a oportunidade de usufruir da dose natural de testosterona – que por largo tempo me atacou os miolos com grande violência – mas seguramente poderá, se nisso vir interesse, encontrá-la em pastilhas.
    Ganhou a oportunidade de usufruir de outros aditivos, especialmente dirigidos a minorar a miséria dos padecentes de testosterona, que se tiver a generosidade de os bem usar poderá fazer a felicidade de um ou vários desses desgraçados.

    1. Falo de direitos, JgMenos mas também de oportunidades. Não dessas que cita só para ridicularizar o que é sério e justo, mas das que se resolvem com a introdução de quotas. Pois já se provou, que se não for de empurrão, a paridade no acesso aos diferentes poderes nunca mais chegará.

      1. Quem diz quotas diz fretes.
        Quem diz quotas diz incapazes com vantagem.
        Quem diz quotas diz pouca vergonha.
        Experimente começar com quotas em serviços de infantários, educação e saúde.

  11. Os homens não conhecem as alegrias da maternidade.
    Infelizmente esta nossa qualidade é desvalorizada pela generalidade das feministas. Discordo.
    Há certas aptidões que são uma infelicidade para as mulheres que as têm. Exemplo: ser uma grande desportista. Não poderá engravidar quando quer.
    Igualdade de direitos, sim. No resto detesto as feministas.

    1. Ana: Não generalize e sobretudo não se deixe influenciar pela contra-informação. Não se esqueça que deve às feministas tudo o que as mulheres conquistaram ao nível de igualdade de direitos e oportunidades.

  12. Eu gosto muito mais da expressão “igualdade de direitos e equidade de oportunidades”. Parecerá uma picuinhice mas denota um abismo, com efeitos nas retóricas – que tanto promovem uma visão folclórica do feminismo.
    Quanto ao conteúdo: sempre me lembro de algo que li muito jovem, ainda nos anos 70s ou mesmo no início de 80s, liceal. Uma feminista (não recordo quem, nem onde, e já googlei com insucesso) que escrevia “a igualdade é o direito à incompetência”, isso das mulheres poderem ser tão incompetentes como os homens. Sem serem apoucadas por isso. Para mim é mesmo isto o feminismo, a igualdade de direitos e a equidade de oportunidades.

    Em relação ao seu texto: há feministas insuportáveis, há discursos desbragados, histriónicos mesmo. E depois há esta realidade que bem aponta: em Portugal há distinções e desvalorizações. Mas para além disso “o mundo ainda é um lugar atroz para a maioria da população feminina”. E nós, gente de bem, mesmo sem prescindir de nos irritarmos com alguns dislates, bem que podíamos era pensar nisso, nas agruras incomensuráveis que tanta gente vai vivendo.

    1. “Eu gosto muito mais da expressão “igualdade de direitos e equidade de oportunidades”. Parece-me bem.
      ” há feministas insuportáveis, há discursos desbragados, histriónicos mesmo.” Concordo. Por isso é que escrevi que detesto as feministas (salvo raras excepções).
      “o mundo ainda é um lugar atroz para a maioria da população feminina”. Concordo
      Mas faço umas ressalvas. Não sei se é a maioria mas, de certeza, que são muitas. Há mulheres que, em certas posições de mando, são tão beras ou piores que homens. Baseada em experiência própria, nisso não faço distinções de sexo. O mundo também é um lugar atroz para muitos (mesmo muitos) homens. Lembrem-se do que sofrem na guerra (assunto geralmente omitido por certas feministas).

      1. Há gente insuportável em todo o lado, Ana. Isso não torna as causas que são justas menos atendíveis. Nem define todas as pessoas que a elas aderem. E claro que o sofrimento neste mundo não é exclusivo das mulheres. Só que desviar a discussão para outro assunto – porque este já é outro assunto – não me parece o ideal. O tema do feminismo é a discriminação das mulheres – um facto – e o direito à paridade de direitos – a sua causa. O resto são tergiversões, que só servem para nos afastarmos do foco e estabelecer confusões.

    2. JPT: Sendo mulher, tenho a obrigação de não esquecer tudo o que o movimento feminista fez para que hoje, como cidadã, tenha o reconhecimento que mereço. Por isso sou e serei sempre feminista, com muito orgulho. Há extremistas que me incomodam, claro. Até porque fazem um enorme favor aos detractores do feminismo, fornecendo-lhes munições. Mas como em todos os movimentos de causas justas os extremismos acabam por se infiltrar, nada a fazer.
      O importante é separar o que interessa do acessório e reconhecer as razões fundas, antigas e vergonhosas que justificam as reivindicações femininas.

      1. ” os extremismos acabam por se infiltrar, nada a fazer.”
        Não concordo que se chame extremista a quem difere de nós. Há sempre uma grande variedade de ideias, só isso.
        “Nada a fazer” Discordo, há coisas a fazer: discutir e rebater com ideias.

      2. Há coincidências. Perseguia aquela frase há anos. Acabo de a ver no mural de facebook de uma amiga (real), ligeiramente diferente do que recordava. É de Françoise Giroud, de 1983: La femme serait vraiment l’égale de l’homme le jour où, à un poste important, on désignerait une femme incompétente.
        É isso.

    3. Tinha uma colega de Universidade que era, assumidamente, feminista. Que não há disso de “trabalhos de mulheres”, homem tem é de lavar a loiça (n’havia máquinas), roupa (pronto, aqui já havia máquinas), e cozinhar. E que ela jamais faria isso por um homem. Grandes discursos.
      Certo dia apareceu-lhe um pneu vazado, e não sabia como mudá-lo. Tudo bem, mas já agora, questionei o porquê de nunca ter aprendido. Isso é trabalho de homem. Passados uns minutos de conversa, recusou a minha ajuda e não me falou durante largas semanas, nunca percebi porquê.

  13. Muito bem, Teresa!
    Também eu aprendi logo na infância que havia dois pesos e duas medidas. Cresci com um irmão e a diferença de tratamento foi sempre grande. Não estou a culpar os meus pais, que agiam de acordo com a época, nem sequer o meu irmão, tão impotente como eu. Mas é triste constatar que, até hoje, quase nada mudou (no seio familiar), apesar de todos os meus protestos. Aliás, quando protesto, passo logo a conflituosa, ciumenta, etc. Fazer o quê?

    Feminista, sempre!

    1. Cristina,
      Fico triste é ao perceber que há tantas mulheres a virar costas a uma causa que devia ser de todas (idealmente de todos) e a demarcar-se das feministas. Como se todos os direitos de que já usufruem tivessem caído do céu… Será que nunca se perguntam como seria a sua vida sem a acção das mulheres que corajosamente impulsionaram este movimento contra tudo e contra todos?

      1. Verdade, Teresa. Há muita desinformação, o feminismo sofre ainda de um estigma que assusta muitas mulheres. É frequente ouvir expressões do tipo: «eu nem sou nada feminista, mas não acho bem que…»; ou «eu não sou adepta dessas ideias radicais de igualdade, mas o certo é que…».
        Quando é que as mulheres vão deixar de pedir desculpa e de polir a sua imagem, antes de expressarem uma opinião?

        A verdade é que as mulheres continuam a ter medo dos homens. Medo de os desiludir, de os chocar, medo de não corresponderem às suas expectativas.
        Quem dá, e deu, uma imagem radical do feminismo foram/são os homens e muitas mulheres continuam a cair na armadilha.

    2. ” Cresci com um irmão e a diferença de tratamento foi sempre grande.”
      Há muitas histórias distintas. A minha é ao contrário. Cresci com uma irmã. A diferença de tratamentos foi sempre grande. Quando cheguei aos 23 anos fui enviado para África e, passados dois anos, voltei com parte de um pé a menos. Ela ficou no aconchego do lar. E bem. Sempre pensei que eu deveria ter sido tratado como ela e não ela como eu. Nessa época nós rapazes invejávamos as raparigas, agora parece (tenho oitenta e pico, já não entendo bem o que vai) que é ao contrário. O mundo muda (geralmente para melhor, penso eu).

  14. Então seria muito “género esquisito”, há anos, evidentemente antes de 25 de Abril de 1974, uma mulher casada comprar um automóvel e para o carro ficar em seu nome só o podia fazer com a autorização do marido, e até ir a Badajoz comprar caramelos ou a Tanger comprar um casaco de cabedal sozinha?
    Ah! tá bem e tal, mas o problema era quando estavam separados sem poderem se divorciar por serem casados pela igreja.
    Que grandes machonas eram essas mulheres…….ironia evidentemente.

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