feira do livro: menina não entra (pelo menos nos jornais)


Patrícia Reis,

Escreve a revista sábado sobre a Feira do Livro deste ano:

 

Aqui, destaque para os clássicos e/ou bestsellers portugueses que vão estar a autografar:
– António Lobo Antunes
– Gonçalo M. Tavares
– José Rodrigues dos Santos
– Miguel Sousa Tavares .
– José Rentes de Carvalho
– Mário de Carvalho
– Mário Cláudio
– Eduardo Lourenço

Referência ainda para a presença de alguns autores estrangeiros a dar autógrafos:
– Joel Dicke:
– José Eduardo Agualusa
– John Banville:
– Pepetela:
– Ondjaki:
– M. J. Arlidge:
– Ruy Castro:
– Luis Sepúlveda
– Jerónimo Pizarro

No parágrafo acima já falámos de alguns lançamentos, mas há outros a reter:
de Bernardo Pires de Lima.
de Richard Zimler e Júlio Pomar
de Rui Cardoso Martins
de António Marujo
de José Pacheco Pereira

 

Portanto a feira faz-se sem Alice Vieira, Lidia Jorge, Inês Pedrosa,  Luisa Costa Gomes, Teolinda Gersão, Hélia Correia, Ana Margarida de Carvalho, Gabriela Ruivo Trindade, Tânia Ganho, Cristina Carvalho, Filipa Leal, Ana Cristina Silva, Maria Manuel Viana, Maria João Lopo de Carvalho, Helena Sacadura Cabral, Alexandra Lucas Coelho, Leonor Seixas, Maria Manuel Viana, Rita Ferro, Isabel Alçada, Ana Magalhães, Cláudia Clemente, Marta Vaz, Carla Maia de Almeida, Rute Coelho, Dulce Maria Cardoso, Inês Almeida, Fausta Cardozo, Irene Pimentel, Ana Luísa Amaral, Helena Marques entre outras. Estou esclarecida.

0 comentários em “feira do livro: menina não entra (pelo menos nos jornais)”

  1. Sim, mas a questão é: é a organização da Feira do Livro quem convida autores para apresentar os seus livros e/ou autografá-los, ou são os autores quem se oferece ou pede para o fazer?
    É que, se são os autores quem pede para ir à Feira apresentar os seus livros, a não-presença de mulheres pode dever-se simplesmente a que nenhuma mulher se ofereceu/disponibilizou/pediu para ir à Feira autografar livros.

    1. Luís, as editoras combinam com os autores dias e horas para ir à feira, independentemente do género. Não se trata de não divulgação por parte das editoras, mas sim de uma opção de divulgação de informação. Faço esta sugestão: contabilize-se o número de livros editados por homens e por mulheres, as críticas feitas a livros assinados por homens e por mulheres e, já agora, entrevistas feitas a autores. Ao fim do ano, o quadro é muito claro. Infelizmente, esta conversa é velha. Há cerca de um mês, o DN escolheu um bom advérbio de modo para dizer que os lançamentos do primeiro trimestre do ano de 2016 eram maioritariamente da autoria de mulheres. O advérbio? Curiosamente.

      1. Patrícia, por favor seja mais clara, porque não entendo bem o que você quer dizer.

        Não se trata de não divulgação por parte das editoras, mas sim de uma opção de divulgação de informação.

        A palavra “divulgação” aparece duas vezes nesta frase sem que eu perceba o que está em causa. As editoras divulgam à Feira mas a Feira não divulga ao público? Quem é que faz a “opção de divulgação” errada/incompleta?

        Ao fim do ano, o quadro é muito claro.

        O que é que o quadro indica? Quer a Patrícia dizer que já se dedicou a calcular isso tudo (livros editados por homens e por mulheres, críticas feitas a livros de homens e de mulheres, entrevistas feitas a autores e autoras), que construiu um quadro e que já o tem na sua posse? O que diz o quadro?

        Infelizmente, esta conversa é velha.

        Eu nunca a tinha ouvido. Quer a Patrícia dizer que, ao longo dos anos e de forma repetitiva, a Feira discrimina contra as autoras?

        1. Luís:

          As editoras convidam; os autores aceitam; os departamentos de comunicação das editores divulgam; os jornais publicam como entendem melhor, destacando o que destacam neste exemplo (entretanto no online da revista sábado, aparecem as senhoras, mais vale tarde do que nunca e felizmente o online permite revisões).

          Fiz uma sugestão: veja ao longo do ano quantas críticas a mulheres, entrevistas, etc e veja as diferenças.

          Sim, as mulheres são postas de lado. sistematicamente.

          Pela comunicação social? Pois.

          É um a história velha? Sim. Ando a publicar desde 2000 e posso garantir que existe descriminação.

          1. Julgo já ter percebido melhor, Patrícia. A Patrícia está a acusar os jornais de discriminação por não divulgarem as sessões de autógrafos de mulheres e também (presumo eu) por não entrevistarem mulheres e não fazerem críticas de livros de mulheres.
            O objeto da crítica deste post não é portanto a Feira do Livro, ao contrário daquilo que eu julgava, mas sim a comunicação social.
            Certo?

          2. “Sim, as mulheres são postas de lado. sistematicamente. ” Alternativa possível: as mulheres não têm conseguido conquistar o lugar a que acham que têm direito.
            Pergunta minha: será que se ficam, a fazer de coitadinhas, à espera que os homens as defendam (com as quotas).

    2. Que dúvida absurda. Então os escritores participam na feira porque se tinham oferecido? A feira está organizada por editoras ou por escritores? Por acaso há algum stand de escritor? E se assim fosse, o Lavoura acha mesmo que as escritoras são assim tão totós que não se teriam oferecido? A misoginia escondida numa pergunta.

    1. Não é a feira, é a comunicação social que faz um desenho da feira para o potencial consumidor eliminando ou omitindo mulheres escritoras. Digo isto com pesar, por ser jornalista há muitos anos, mas é um facto. O burburinho nas redes sociais é tanto que a sábado corrigiu o artigo. Como diz a minha mãe, mais vale tarde do que nunca.

  2. O problema Patrícia é mesmo o notares isso. Vão lá estar muitas autoras só que a maioria de quem adquire livros, são raparigas que adoram o contacto com os escritores (sim, uso o masculino). Também são essas que mais vão ler as notícias de jornais e revistas (nota que a maioria da publicidade à feira do Livro tem sido feita em secções dirigidas ás senhoras e jovens estudantes).
    É uma escolha editorial. Pela simples razão que as mulheres adoram ler nomes e de procurar os homens por detrás dos livros.
    Pensa por ti, ignorando que te dizes feminista (que 99,99999999999% das mulheres dão um significado diferente a essa palavra), que autores irias querer que autografassem um livro que pretendes comprar? Nada de andares a listar senhoras, pelo que encontras nas lojas online… é mesmo por ti e sem estar a usar google ou companhia limitada. A maioria são homens… são esses que te fixas mal avistas uma notícia sobre eles.
    O marketing funciona assim. Pena é que o estares a reclamar, acabas por dar razão a quem o faz pela publicidade…
    Quem gosta de ler, não define se é homem ou mulher. E com o acesso à internet, 95% das pessoas que vão à feira do livro, já foram ao site ver pelas editoras quem é que lá vai estar e quando. Não andam pela publicidade inserida em certos serviços, pagos pelas editoras para chamar a atenção… aos leitores esporádicos.

    1. O sexismo na comunicação social não me cai bem. Sobre o resto, a sua opinião não condiz com o nr de leitoras e o sucesso editorial de várias escritoras que vão à feira e não estão mencionadas. A Alice Vieira? Para dar um exemplo. Ou Lídia Jorge? Isto sem ir ao google, não preciso. Desejo-lhe um bom feriado

  3. Curiosa é também a quantidade de “explicações” que já te pediram para um post que é claríssimo como água, Patrícia. A cretinice não tem limites, e a minha filosófica opinião é esta: nem merece resposta. Temos mais que fazer. Por exemplo, escrever livros. A rapaziada nunca tem de justificar nada: existe tão naturalmente como o ar. Embora, para existir, tenha precisado de uma barriga de gaja, incómodo que a ciência ainda não resolveu.
    A Sábado online já acrescentou escritoras ao seu seleccionado programa da Feira, sim: mas poucas, e nenhuma na nobre secção “clássicos e best-sellers”. Não me espanta: o conceito de “jornalismo” da Sábado levou-me a deixar de a assinar. Enquanto escritora, a Sábado ignora-me: os seus críticos não querem saber dos meus livros, e os seus jornalistas só me telefonam para tentar que eu fale da vida privada de pessoas que presumem minhas amigas.Assim sendo, deixei de a ler.Aproveito para informar que estarei a autografar na Feira do Livro nas tardes de 26, 28,4, 10 e 13 de Junho. E que a 26 estará também Maria Manuel Viana, e a 28 Maria Manuel Viana, Patrícia Reis e Rita Ferro. Irei dando notícia de mais sessões de autógrafos de escritoras, que serão muitas.

    1. E já agora, a Inês, a Patrícia e a Rita Ferro podem ser escutadas hoje, na Antena 1 às 23h.
      Às vezes vale mesmo a pena ouvir rádio.
      Quanto à rapaziada, talvez lhes fizesse bem ler o “As Coisas que os Homens me Explicam”, da Rebecca Solnit. Mas não creio que o façam, devem pensar: ah, isso é livro para gajas…
      Muito sucesso na Feira para os vossos livros!
      🙂 Antonieta

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