Segundo o estudo anual do Fórum Económico Mundial “A crise mundial de liderança é uma tendência que toca todos os outros problemas. O risco é que em lugar de inovar e colaborar para enfrentar os desafios comuns, os países e os dirigentes dos mesmos procurem respostas no isolamento, retóricas nacionalistas e antigos hábitos”.
Conclui-se portanto que em matéria de governance os donos do mundo não têm espírito empreendedor e recusam-se a sair da sua zona de conforto, agindo ao arrepio das regras de sucesso que instituíram para os povos que lideram. Enfim, nada que não tivéssemos já percebido.
Cambada de piegas!


Os governantes, interessam-se em favorecer os grandes do mundo e assim garantirem o seu futuro. A falta de humanismo é total e nós vemos e sentimos isso, mas continuamos como se nada se passasse. Também nós, temos culpa porque estes senhores, já mostraram que é isto que vão fazer e nós aceitamos. Cada povo tem o que merece e nunca, este ditado, esteve tão certo como hoje.
Para aqueles que acreditaram no fim da História após a queda do Muro as palavras de bom senso podem ser:
– Podem-se enganar alguns durante algum tempo, mas nunca todos durante todo o tempo.
– Os interesses dos muitos acabam sempre por se sobrepor aos interesses dos poucos.
Estimem a Classe média, ela demostrou ser a chave da paz social.
Cumprimento-a, minha cara.
O tema de seu post obriga-me a transpor, por diferentes palavras, o que várias vezes abordei de uma forma genérica.
A denominada “crise” de liderança sempre existiu. Em regra, os povos, que são o reflexo da estrutura da família e as instituições o espelho desta última, foram educados segundo o princípio da obediência. Não raras vezes, em nome de um Deus que se desconhece ainda, usou-se e usa-se a prerrogativa de Sua vontade para incutir um espírito de obediência que assenta não só na submissão perante a prepotência, que leva por nome autoridade ao invés de autoritarismo, como também para determinar e fazer cumprir a sublimação da autoridade, isto é, da liderança que cada um em si deve buscar, interpretando também a voz do mundo.
Diga-se em boa verdade que este fenómeno não possui como causa única o vínculo religioso. Ele é fundamentalmente de índole social, antropológico, que é usado nas mais diversas expressões sociais, recordo-me agora do fenómeno político.
Mas existiu uma grande excepção: o cristianismo em SI e não as expressões cristãs que se foram desenvolvendo ao longo destes últimos dois mil anos.
Para compreender este corte seria necessário abordar a temática sobre a diferença entre o que é uma religião NATURAL e o que é a religião REVELADA. Como não é este o tema EM APREÇO deixo o mote e sigo em frente.
Na grande maioria dos casos (99,9%) o Homem desenvolve sua sede de conhecimento em função da honra e projecção social, isto é, subordina sua liberdade comprando a aceitação dos comuns. Esta atitude não está em consonância com o desenvolvimento da necessidade de partilhar e fazer crescer o outro, todos os outros.
Não nos admiremos, portanto, que quando em situação de algum relevo o Homem busque aliviar a anterior sublimação, reproduzindo em sua conduta todos os actos de submissão a que sempre se submeteu e, consequentemente, por ter vivido em função de uma cega obediência não é capaz de revelar aquilo que sempre se exige: Liderança.
Aliás, no caso luso, este preceito, o da liderança, possui dois vectores que não se dissociam: o marialvismo e o conceito de que é trabalhando muito (que ainda não compreendi o que significa este muito), que é a conversa de quem é e foi escravo e deseja passar o testemunho a outros, que se revela tal atributo.
Antecipando as conclusões de tudo quanto se infere neste comentário, não é por acaso que o impulso à descoberta desta liderança pessoal tenha sido abafado na catequese, espiritualidade e no colectivo de uma Nação ( ou das nações).
O cristianismo mete medo até aos que se dizem cristãos: “Não vos trateis por pai e por doutor. Porque só um é Pai e Mestre”.
Dizia Jean Guitton algo assim: “O conhecimento, ao progredir, desembaraçará as fórmulas anteriores de suas imperfeições, tornará mais precisas as adaptações da Verdade, mas o Verdadeiro subsistirá”.
Já agora: Aos olhos do não crente, o crente é um louco. Eu não quero apoderar-me deste elixir dos não crentes. E como dizia, e bem, o autor referido, os não crentes são seres feitos para ver, para disfrutar do que vêem mas que por não conseguir ainda levantar as pálpebras não vêem.
Mas o curioso nesta matéria é o facto dos que se dizem crentes também terem necessidade de ver.
O verdadeiro empreendedor é aquele que inicia a obra pelas fundações, isto é, por si mesmo.