
(Reprodução [parcial] de um antigo postal, aqui colocado)
Sobre esta questão de Fátima aqui deixo citação de um historiador (não é Rui Tavares nem Fernando Rosas)
“Perante a óbvia fraqueza do Partido Democrático e, ao mesmo tempo, a sua intolerável violência a Igreja tomava, sem vacilar, a cabeça da oposição política. Os republicanos moderados estavam desfeitos e, aparentemente resignados. O movimento monárquico oficial tinha recebido ordem de Londres para se abster enquanto a guerra durasse. A Igreja católica ocupou o vazio.
Cem anos antes, em 1822, a causa realista fora reanimada por um milagre. A Virgem aparecera a duas pastorinhas em Carnide, para lhes dizer que Portugal sobreviveria à impiedade maçónica. Sob o patrocínio de D. Carlota Joaquina, grandes peregrinações se fizeram aos locais sagrados, em que Deus garantira a dízima, os bens dos conventos e a perenidade das classes dominantes. Povo e nobreza associaram-se nessa devoção, destinada a exorcizar a “pestilenta cáfila dos pedreiros” e a promover o ódio às Cortes, onde eles “campeavam”. Quanto a insurreição armada começou uns meses depois, trazia já consigo uma sobrenatural legitimidade.
Em 1915 e 1916 os pastorinhos Lúcia … Jacinta e Francisco …, viram oito vezes, em vários sítios da freguesia de Fátima, um anjo, que declarou ser o anjo de Portugal. Ao princípio, o anjo não era muito nítido e não dizia nada. Pouco a pouco, porém, foi-se definindo e explicando. De acordo com a ortodoxia, estas visitas preparavam os acontecimentos de mais consequências que se seguiram. (…) Entre Maio e Outubro de 1917 a Virgem apareceu quatro vezes (…) Alegadamente, a Virgem comunicou que a Segunda Guerra Mundial seria “horrível”, uma ideia muito compreensível quando a primeira mostrava diariamente o seu horror, e preveniu também que a Rússia revolucionária se preparava para subverter o mundo, coisa que os jornais de Lisboa publicavam na primeira página, dia sim, dia não, desde Fevereiro. As profecias (…) resumiam as preocupações e a angústia do conservadorismo português da época. (…) reflectiam perfeitamente as opiniões e os sentimentos do padre médio, esmagado pelo triunfo terreno do mal, tremendo com a perspectiva de novas catástrofes e sonhando com a eventual conversão dos pecadores. Que Deus partilhasse as aflições dos inimigos da República era uma coisa insusceptível de espantar o clero português de 1917.” (pp. 115-117)

Não deixa de ser interessante a análise, pois a conversão dos pecadores, também lenta na Igreja, pedras vivas e não só as pedras viventes de outrora que encafuavam as vidas sem o horizonte da Vida, é um processo para todos e nos revela que apesar da lentidão, alguns sectores das “pedras vivas” são mais rápidos na conversão.
Acontece que as vestes do farisaísmo começaram a ser usadas pelos republicanos laicos e também pelos “pedreiros” que não sabendo ainda trabalhar a pedra julgam ser capazes de tornear o metal.
Neste sentido, Fátima é actual e viverá eternamente. E no caminho do “fazei o que Ele vos disser”, os anjos continuarão a revelar-se ainda que esbatidos pelas feições que se revelam na mão que não se mostra à outra mão.
e preveniu também que a Rússia revolucionária se preparava para subverter o mundo
E não foi mentira nenhuma.
A Nossa Senhora tem cada uma.
Estava preocupada com os pedreiros mas não acabou com deles, já sabia que seriam os bolcheviques que venceria a guerra civil na Rússia mas não o evitou, também pediu para rezar para a guerra acabar e ainda durou mais um ano e, principalmente, não evitou, mesmo que toda a gente rezasse, a morte e milhões com a pneumónica, incluindo dois dos pastorinhos.
Evidentemente é tudo uma questão de fé, mas o que não há dúvida sobre este tema de Fátima foi o papel do padre Formigão. O Formigão até arranjou palavras como comunismo e outras que a coitada da Lúcida nunca poderia ter ouvido falar. As ‘conversas’ da Nossa Senhora com os pastorinhos foram contadas pela Lúcia ao padre Formigão em 1922!.
Que a Nossa Senhora não seja republicana isso é lá com ela, mas não ter aparecido a alguém, de preferência crianças, para rezarem e pedirem o fim da brutalidade nazi na 2ª. guerra mundial não se percebe. Também não se percebe
só aceitar os pedidos dos nossos soldados chegarem vivos da guerra em África e nunca aceitar pedidos para essa guerra acabar.
Oiça, é melhor tirar outro doutoramento porque você com esse continua burro.
Eu fiz uma constatação — de que o socialismo revolucionário, de facto, subverteu aquele mundo. Você acha que eu sou católico e que estou a vindicar a realidade e a actualidade de uma epifania religiosa e de uma previsão que apenas se viu escrita num papel por alguém.
Gostava de lhe recomendar umas linhas de investigação, mas acho que isto tem mesmo a ver com a capacidade da cabeça não estar contaminada por ideias parvas que escorrem como pus de umas pobres ideias políticas sem interesse nenhum — e portanto no seu caso não vale a pena.
As mensagens de Fátima ou as divinas não são para preguiçosos e acomodados: são para os que oferecem, se necessário, a vida para, transformando, melhorar a vida. E oferecer a vida não significa somente morrer, mas esforçar por fazer o que deve ser feito: na política, na ciência, na sociedade e em cada um.
A isto chama-se construir o reino dos Céus. A vida eterna é outra coisa.
Mas qual mensagem?
Uma coisa é ter fé, se se portar bem neste mundo vai para o céu ou seja terá uma morte descansada. Outra coisa é ter fé, se portar bem neste mundo vai ter uma vida descansada enquanto viver.
Mas esta fé pode ser simplesmente filosófica e não ter nada de religiosa/filosófica.
Agora é só perceber o que é ser uma boa pessoa e o que é acreditar na Nossa Senhora ter aparecido a uns pastorinhos e falar-lhes sobre assuntos que eles nem sequer alguma vez ouviram falar.
Veja-se os assuntos que pretensamente foram escolhidos pela Nossa Senhora falar com as crianças analfabetas e dum lugar afastado de notícias, em 1917. Governo republicano do Afonso Costa, grande guerra apoiada pelos republicados, a conversão da Rússia que ainda nem sequer se saberia como acabaria a guerra civil, e por causa destas questões a Nossa Senhora mandou as três crianças rezar.
Fica ou fica-me sempre a ideia da perda de oportunidade, de em plena pandemia da pneumónica ou gripe espanhola não haver uma simples palavrinha.
Também fica sempre a ideia nunca ter havia aparições para grandes multidões.
No entanto, nasci neste nosso país de religião católica, faz-me muita confusão aquelas ‘igrejas se Deus quiser’ como um negócio de venda de leituras bíblicas a analfabetos, e tenho um respeito extraordinário pelas pessoas que vão a Fátima ou a outra Nossa Senhora rezar, como que a pedir a uma mãe ajuda ou agradecimento da resolução dum grave problema.
Percebeu.
Pois, meu caro anónimo, você confirma minhas palavras. Como faz da parte da propaganda e não da acção é bastante natural que se veja metido num beco sem saída.
Essa do “se Deus quiser”, em abono da verdade, também faz parte da preguiça, porque Deus aceita o que homem quer. Assim: “o que ligardes na terra será ligado nos céus, e o que desligardes na terra será desligado nos céus”.
Em conclusão, meu caro anónimo, o impossível é comigo, mas os milagres ficam para Ele. É um acordo que temos sobre a divisão de tarefas.
A comunidade feminista, que agora querem ser machos permanecendo num não sei quê, também terá muita dificuldade em entender isto.
Mas qual propaganda?
Se quiser comente o que está escrito sobre os tais ‘segredos de Fátima’ que são uma confissão da Lúcia ao padre Formigão em 1922. É nitidamente uma confissão do género ‘é isto que queres dizer, não é assim minha filha” e foi-lhe arranjado um relato político monárquico/conservador contra a república e o problema da revolução bolchevique que estava na berra.
Essa questão política podia muito bem ser manifestada num grande comício e foi o que aconteceu com as concentrações dos 13 de Maio seguintes.
Quem quiser ser religioso que o seja, mas não venha com o ‘se Deus quiser’ por questões de ignorância latente. A abertura, como de sapatarias ou venda de bifanas se tratasse, em garagens de prédios, pequenas lojas e maiores ou menores empreendimentos por parte das ‘assembleias se Deus quiser’ por parte de brasileiros, copiando o que se passa no Brasil, são uma forma do ‘pastor’ aplicar por cá o negócio de vendedor de bíblias. Não há mal nenhum vender bíblias e chatice é levar com os cânticos ‘propaganda do produto’ incomodando quem está sossegado a jantar, falar com os filhos ou amigos, ler um livro, ouvir musica ou ver tv depois de um dia de trabalho.
A questão de eu entender que possa haver um culto da Nossa Senhora, pode ter explicação no texto clássico “A Deusa Síria”, de Luciano (125-195 d.C.), apontam-se alguns cultos do paganismo dominante no Ocidente e com grande presença na Península Ibérica, com o culto da Criadora ou Mãe dos Deuses oficial do Império Romano antes da hegemonia do cristianismo.
É propaganda, como acaba de confirmar.
E também é propaganda porque muitos dos que se dizem ateus, republicanos e laicos, são precisamente aqueles que acreditando num Deus que não existe se julgam bastante aptos a escrever sobre Ele e os demais deuses.
Não obstante, a sua tentativa de seguir um caminho que a leve a encontrar uma resposta para o que julga ser um fenómeno também é por si mesmo um caminho religioso e de encontro. Não deixe de o prosseguir.
Concluindo, e tornando ainda mais clara a posição, aqueles outros que acreditam no Deus que não existe se me convencerão que acreditam mesmo nisso quando O deixarem de perseguir, pois: Se me persegues é porque me encontraste. Assim, quem persegue Aquele em quem não acredita, a si mesmo persegue e a si mesmo condena.
WW
Por acaso, veja lá o Vento que dentro da minha vergonhosa ignorância, estava convencido, aliás; quase certo que a construção do reino dos Céus já estava terminada há muito.
O que menos pensava, nem hipoteticamente conjecturava, era que precisamente o mais interessado na construção do divino território perdesse tempo numa cansativa empreitada a construir reinos para todos nós e se tivesse esquecido de construir o dele.
Se está à espera que a gente Lhe construa alguma coisa, então bem dormem todos ao relento que a malta que Ele criou por cá, talvez pela pressa, veio toda com defeito de fabrico e saiu toda cansada.
O d´Ele está construído por Sua natureza. Aos demais compete, em sua liberdade, construir o que quiserem.
Cada um escolhe a espada que entender para conquistar o reino por que optou.
Caros comentadores, não se zanguem por esta razão. Questiúnculas religiosas não, sff. Eu que vou ateu, não anti-clerical, note-se, mesmo assim não posso crer que se justifique tanto fel por causa das leituras dos livros (para alguns) sacros. E só meti a foice em seara alheia porque me parece que há por aí muita gente a invocar o nome da Virgem em vão.
Lamento, mas há gente que não é capaz de passar do literal, que não lê ou vem com uma fisgada (normalmente sempre a mesma ou repetem chavões lá do partido) e isso é irritante. Um gajo que defenda a autonomia e a liberdade do pensamento dispara logo.
As “redes” têm essa característica burra, da ausência de filtros presenciais que antigamente moderavam as opiniões 🙂
A bem da verdade, eu que não sou ateu nem agnóstico e muito ao invés sou crente sem ser apanhado pela crença, confesso algum cepticismo nas palavras sagradas aquando das aparições: por dois motivos, apenas.
Primeiro porque logo por sorte danada, a dissertação da Virgem servia na perfeição Salazar e Cerejeira, dois servidores do povo da mesma lavra.
E segundo porque tirando o episódio das bodas em que Ela conseguiu convencer o Filho,- praticamente contra a vontade Dele – em fabricar vinho na cozinha a partir de água, poucos mais feitos de significativo mérito se Lhe conhecem.
Na minha qualidade de católico não praticante – coisa que tanto quanto penso só existe no catolicismo, mas posso estar enganado – tenho que admitir duas coisas, a saber:
A igreja católica, com altos e baixos, tem-se aguentado no mercado da fé há mais de 2000 anos, essa é que é essa.
Fátima, há que reconhecer, foi um golpe de marketing absolutamente magistral
Cumprimentos
O que será um católico não-praticante? Eu próprio me defino assim mas não sei bem o que isso significa — até prefiro o rótulo de pagão baptizado, como os vikings.
O que é? É como saber karaté mas não andar praí a dar castanhadas? É ter um código de conduta (duvidoso). É só comer cabrito na Páscoa e gostar do Natal e coisas assim? (nesta alinho). É respeitar a religião e sobretudo a fé das pessoas, não ser bem crente mas também não antagonizar? (nesta também alinho). É participar e defender a nossa cultura ocidental? (nesta também alinho).
O que sei que não é é andar sempre a criticar a religião — como fazem os comunistas e outros — sempre a desprezar a cultura europeia e democrática que está associada ao desenvolvimento do cristianismo e até do judaísmo — e ao mesmo tempo ser tolerante e defender a introdução do islamismo (que é antagónico a tudo o que não seja ele próprio) apenas porque serve de alavanca para outras coisas — ditaduras de algum “povo” e do pensamento. Tal como a democracia para eles, aliás, que só é tolerada porque lhes permite ir a jogo mas que acabará logo assim que eles forem os chefes ou forem a maioria.
Parece que V não é capaz de passar do literal desse lado.
O islamismo é antagónico a tudo o que não seja ele próprios, mas sempre foi tolerante com as outras religiões, era assim na Lisboa até à conquista pelos cruzados e depois entregue ao D. Afonso filho do Henrique, era assim com os judeus expulsos da Península para Marrocos, Turquia e médio oriente. Veja-se agora o que se está a passar nos Emirados.
Esse seu alinhamento está dentro da globalização, os chineses budistas, taoistas, maoistas e tudo o mais também festejam o Pai Natal desde que lá chegou a coca-cola.
Lá está. Lamento mas essa fé — a da tolerância e da inocência do islamismo — é que é uma fé que eu não possuo.
Cuidado com as ditaduras de algum ‘povo’ e do pensamento, poderá nascer um perigoso estado teocrático, bem pior que o Irão p.ex., que é para que se encaminha com os evangélicos BBB no Brasil. As milhares de simples ‘assembleias se Deus quiser’ serão aniquiladas pelas mais poderosas BBB que há muito tempo estão a querer dominar toda a sociedade brasileira.
BBB já estão a pedir de volta a ditadura militar.