Desembaraçou-se daquele braço que lhe travava os movimentos, saiu da cama de mansinho e passou-se para a sala, pé ante pé, com o smartphone na mão. Não sabia o que lhe tinha inspirado aquele sonho, mas a ocorrência estava a incendiá-lo de tal forma, que precisava de partilhar. “Ela vai gostar”, pensou, enquanto teclava a verdade do momento: “Amo-te”.
“Ao fim de meses de silêncio será o bastante para a incendiar também, mesmo que à revelia”. Sorriu ao imaginá-la a esgrimir contra o desejo. Conhecia-lhe os hábitos: “A esta hora ainda não foi dormir de certeza”. Remexeu-se no sofá, ansioso: “Deve estar a pensar o que há-de responder”. Ah, como ele gostaria de voltar a sentir aquelas unhas nas costas. Estava tão absorto que se sobressaltou quando o telemóvel começou a vibrar. “É ela! As mulheres não resistem a este género de surpresas”. A confirmação das suas expectativas fê-lo evoluir da excitação para a ternura: “Que saudades de ver aparecer aquele nome no ecrã!” Abriu a mensagem sem pressa, para saborear o momento. Em maiúsculas lia-se: V A I MORRER LONGE.
Levantou-se do sofá num ápice. “Estúpida!” E lembrou-se dos motivos que o levaram a deixá-la: “Tinha muito mau feitio”.

Ela podia ter mau feitio, mas tinha um coração de ouro.
Com a resposta, estava afinal a desejar-lhe uma vida longa… entretanto – se o mânfio não é dos que desistem à primeira nega – pode ser que se proporcione outra sessão de arranhadelas nas costas.
A rapariga é que está tramada… não ganha para o gel.
Não esteja a torcer pelo bad boy, Bartolomeu. Ai, ai…
Muito bom, Teresa! Beijo
Pressinto aqui um pouquinho de… crueldade?
Hum… suponho que te referes a ele. Só pode.
Pode ser dele, pode ser dela, pode ser dos dois, pode ser do bracinho de que se soltou, pode não ser de nenhum… Não?
Na qualidade de narradora omnisciente não me pronuncio. Prefiro deixar à tua imaginação 🙂
Ahahahah!… Boa. Também tenho as minhas saídas de emergência… Bjos