Fartinho, fartinho


eventhorizon,

À hora a que escrevo estamos a pouco mais de cinco horas do jogo de Portugal contra a Islândia no Euro 2016, e eu já estou fartinho, fartinho de ouvir falar na selecção.

Pergunto-me se nos outros países (na Islândia, por exemplo) também é assim: o patriotismo alarve, tão ruidoso como inconsequente; os directos televisivos inanes, mal preparados (há pouco, enquanto almoçava, ouvi uma jornalista dizer que a selecção islandesa “estreava-se pela primeira vez num Europeu”), a entrar em restaurantes e talhos e salões de cabeleireiras para mostrar coisa nenhuma, a “entrevistar” quem nada tem para dizer (porque não há nada para dizer!), a ocupar tempo de antena com barulho que disfarça o vazio absoluto. A comunicação social a embandeirar em arco quem, afinal, nunca ganhou coisa alguma. Que comece rápido, e que acabe depressa. 

0 comentários em “Fartinho, fartinho”

  1. Está a criticar uma religião. Não espere que faça sentido.

    Já reparei que quanto ao futebol os adeptos são como os religiosos fanáticos:
    Perguntam a alguém que não conhecem qual é o seu clube/religião. Nem lhes passa pela cabeça que possa existir gente que não tem fé.

    1. É sempre engraçado ver as reacções perante a declaração “não tenho clube preferido”. É como se vissem um alienígena.

      (eu tenho um clube preferido, e gosto de ver um bom jogo de futebol. mas sempre detestei circo)

  2. Subscrevo e já o tenho dito. Quando o futebol e um jogo com a Islândia é tema de abertura de serviços noticiosos, está tudo dito.

    A bola é nossa…

  3. Se mandasse, mandava arrasar os campos de futebol, aplanando-os e alcatroando-os.

    Depois, acordo: era tudo um sonho…

    1. Não os alcatroava: isso ainda seria pretexto para alguém obter a sua concessão e os transformar em parques de estacionamento pago a preço de roubo com força de lei. E se estacionamento é, nas nossas cidades, coisa preciosa, vai custando pagá-lo a preços de usura com beneplácito legal.

      Eu mandaria ajardiná-los, fazer desses terrenos zonas verdes (coisa em tanta ou mais falta do que parques de estacionamento, embora cumpra reconhecer que os portugueses aparentam manifesto horror ao verde e à Natureza) e consagrar legalmente – e de forma clara, taxativa, sem lugar a fórmulas convidativas a interpretações perversas – a interdição de outra utilização que não essa, nomeadamente “urbanização” ou bombas de gasolina. Para a devida manutenção desses espaços, uma pequena parte dos dinheiros desse mundo acima da lei chegaria, decerto, perfeitamente.

      Costa

  4. Infelizmente, pão e circo.
    A máxima Salazarenta, Fátima, Fado e Futebol.
    Já é património genético, do Tuga.

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