À hora a que escrevo estamos a pouco mais de cinco horas do jogo de Portugal contra a Islândia no Euro 2016, e eu já estou fartinho, fartinho de ouvir falar na selecção.
Pergunto-me se nos outros países (na Islândia, por exemplo) também é assim: o patriotismo alarve, tão ruidoso como inconsequente; os directos televisivos inanes, mal preparados (há pouco, enquanto almoçava, ouvi uma jornalista dizer que a selecção islandesa “estreava-se pela primeira vez num Europeu”), a entrar em restaurantes e talhos e salões de cabeleireiras para mostrar coisa nenhuma, a “entrevistar” quem nada tem para dizer (porque não há nada para dizer!), a ocupar tempo de antena com barulho que disfarça o vazio absoluto. A comunicação social a embandeirar em arco quem, afinal, nunca ganhou coisa alguma. Que comece rápido, e que acabe depressa.

Concordo plenamente contigo, ainda mal começou e já estou fartinho disto tudo!
É mesmo. Nem uma paciência de alentejano salva a coisa.
Clap, clap.
Correu bem, como se viu.
Está a criticar uma religião. Não espere que faça sentido.
Já reparei que quanto ao futebol os adeptos são como os religiosos fanáticos:
Perguntam a alguém que não conhecem qual é o seu clube/religião. Nem lhes passa pela cabeça que possa existir gente que não tem fé.
É sempre engraçado ver as reacções perante a declaração “não tenho clube preferido”. É como se vissem um alienígena.
(eu tenho um clube preferido, e gosto de ver um bom jogo de futebol. mas sempre detestei circo)
O futebol é, como dizia alguém um dia destes, a religião oficial do estado português.
Está bem visto, sim.
Subscrevo e já o tenho dito. Quando o futebol e um jogo com a Islândia é tema de abertura de serviços noticiosos, está tudo dito.
A bola é nossa…
Nós é que somos da bola, pelos vistos.
O que choca não é um jogo de futebol abrir um noticiário, mas sim isso acontecer antes do próprio jogo..!
bravo, aplaudo de pé.
Ora essa.
É isso mesmo, “estamos juntos”, João.
Não há pachorra, Sérgio. É overdose.
Salazar não chegou tão longe….
No tempo dele a propaganda nacionalista dava mais trabalho. Hoje resume-se a uma ou dois anúncios de cerveja e uma mão-cheia de “directos” em talhos.
Se mandasse, mandava arrasar os campos de futebol, aplanando-os e alcatroando-os.
Depois, acordo: era tudo um sonho…
A malta jogava no alcatrão. Evitava-se muito teatro.
Não os alcatroava: isso ainda seria pretexto para alguém obter a sua concessão e os transformar em parques de estacionamento pago a preço de roubo com força de lei. E se estacionamento é, nas nossas cidades, coisa preciosa, vai custando pagá-lo a preços de usura com beneplácito legal.
Eu mandaria ajardiná-los, fazer desses terrenos zonas verdes (coisa em tanta ou mais falta do que parques de estacionamento, embora cumpra reconhecer que os portugueses aparentam manifesto horror ao verde e à Natureza) e consagrar legalmente – e de forma clara, taxativa, sem lugar a fórmulas convidativas a interpretações perversas – a interdição de outra utilização que não essa, nomeadamente “urbanização” ou bombas de gasolina. Para a devida manutenção desses espaços, uma pequena parte dos dinheiros desse mundo acima da lei chegaria, decerto, perfeitamente.
Costa
Bom, tecnicamente um relvado já é um espaço verde…
É certo. Deve ser então essa a “Natureza” que o português aprecia…
Costa
Infelizmente, pão e circo.
A máxima Salazarenta, Fátima, Fado e Futebol.
Já é património genético, do Tuga.