Decidi este fim de semana, ou melhor hoje, ir ver “Um quente Agosto”. Apanhei um fortíssimo murro no estômago, tal a violência psicológica ali narrada.
Não há famílias felizes e muito menos perfeitas. Mas aquela que é retratada ultrapassa tudo quanto se possa imaginar.
Realizada por John Wells – um escritor e produtor de filmes e de séries de televisão de sucesso, várias vezes premiado, – a película é baseada na peça homónima de Tracy Letts, August: Osage County, vencedora de um Prémio Pulitzer e conta-nos a história das mulheres da família Weston, cujas vidas se afastaram até que uma crise familiar as re-aproxima e traz de volta à casa onde cresceram e à mãe que as criou.
Meryl Streep encarna de tal forma essa mulher a que hoje chamaríamos de disfuncional, que o soco que apanhei na alma e no corpo, mais não foi do que a consequência dessa fabulosa interpretação.
Dois actores secundários – Julia Roberts e Sam Shepard, de quem sou fã – completam o painel desta narrativa que, até aos últimos minutos, não pára de nos surpreender.
É um bom filme, mas vá preparado porque até à derradeira cena, não há um minuto de acalmia. E, se é emocionalmente frágil, pense duas vezes…mas não deixe de ver a interpretação destes monstros sagrados!


Compreendo o que escreves. Em 2009, a peça de teatro esteve em cena no Nacional. Fui vê-la com uma amiga. Saímos em silêncio, incapazes de dizer fosse o que fosse. Uma amiga era uma das actrizes e, à porta dos artistas, vimo-la sair. Desfeita. Ela disse: “É de uma violência que não imaginam.” Pior ainda. No decurso da peça, num dos dias, uma das actrizes morre nos bastidores, foi um momento dramático, mas a peça foi até ao fim. Nunca me esqueci disto e não sei se consigo ir ver o filme, confesso-te. Ninguém pode ficar indiferente.
No Teatro Nacional D. Maria II estreou a 25 de Junho de 2009 com encenação de Fernanda Lapa e interpretação de Adriano Luz, Ana Margarida Pereira, Filomena Cautela, Isabel Medina, João Grosso, José Neves, Lia Gama, Luís Lucas, Manuel Coelho, Margarida Marinho, Marina Albuquerque, Mário Jacques e Paula Mora. Quem viu a peça não a esquece. Beijos!