30 comentários em “Alguém sabe como se diz Lebensraum em russo?”

  1. Pedro, permita que anexe uns comentários feitos no post do Luís sobre a Ucrânia. Quando eu escrevia, em resposta a um comentador, que eles, os russos, entre a espada e a parede escolhiam sempre a espada e nunca a parede, temia exactamente esta acção que aqui posta, que já conhecia através das notícias nesta madrugada, e que entendo ser totalmente descabida e que presumo extemporânea.
    Bem, certamente que escutaremos a desculpa tradicional: ataque preventivo. Eles usam todos a mesma semântica.

    Aqui fica:

    http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/ucrania-a-historia-repete-se-6081340#comentarios

    Tradução: среда обитания

  2. Caro Pedro Correia
    Comparar a Crimeia com a Áustria é um pouco exagerado. Se a Áustria foi um império a Crimeia sempre foi colonizada por impérios, entre eles o russo mas também os genoveses, os venezianos e os otomanos. A Crimeia está para a Rússia como o canal de Panamá está para os EUA. Os EUA não hesitaram na invasão do Panamá. Tal como não hesitaram em iniciar um conflito nuclear se a URSS estacionasse em Cuba. Se Obama fosse presidente da Rússia jamais admitiria uma Crimeia nas mãos dos seus opositores. Não se pode exigir aos outros aquilo que não estaríamos dispostos a fazer. Não se pode exigir a Putin que fique sereno vendo a NATO instalar-se na Crimeia, quando já está instalada no Bósforo.
    Quem não quer guerras não as provoca e não me parece que tenha sido a Rússia a provocar o conflito actual.

      1. Sem dúvida. Os EUA não podiam aceitar aqueles mísseis ali estacionados à porta. O mesmo acontece com a Rússia. Já não estamos a falar de um complot comunista sobre o mundo, mas a defesa de interesses estratégicos. Os interesses da Rússia na região são os mesmos quer se trate da Rússia dos czares quer da URSS quer da Russia de Putin. Aqui não há bons nem maus.
        O que eu pergunto é se Putin tinha alternativa? Sinceramente.

  3. Vladimir Puttin faz recordar a Grande Russia Cristã contra os Napoleónios…contra os Otomanos…mais ainda tem que ser mais grande que no passado…pois enfrenta a Aliança Napoleonica-Otomana-Whaabi-Lobby Gay Internacional…

  4. O Pedro omite que, enquanto que os nazis lutavam por terras nas quais os alemães eram geralmente uma minoria da população, os russos lutam pela Crimeia, uma terra na qual os russos constituem uma maioria da população e os ucranianos constituem uma ridícula minoria.

    1. Os russos constituem 58% da população da Crimeia actual enquanto a população de origem germânica da Boémia rondava os 38% quando Hitler anexou os Sudetas, em 1938. Mas as violações do direito internacional são do mesmo grau – inaceitáveis em qualquer dos casos. Tal como é inaceitável, entre países membros da comunidade internacional, e sujeitos ao mesmo dever de cumprimento da legalidade, a resolução dos conflitos pela força militar Os russos violam, aliás, vários tratados internacionais que subscreveram – com destaque para o Memorando de Budapeste, assinado em Dezembro de 1994, em que ficou expressamente reconhecida por Moscovo a integridade territorial da Ucrânia.

      1. Claro que a Rússia está a violar vários tratados internacionais. Sem dúvida. Mas outras grandes potências fazem o mesmo com frequência, e por razões bem piores. Por exemplo, a NATO decidiu em 1999, ao arrepio de todos os tratados internacionais, declarar guerra à Sérvia, e bombardear ferozmente esse país, sem que ele tivesse feito mal a qualquer membro da NATO.
        Acresce que a Rússia apenas está a exigir de volta, da Ucrânia, um presente que lhe ofereceu. A Crimeia nunca foi habitada por ucranianos, apenas foi, por mera conveniência territorial, anexada ao território da Ucrânia pela antiga União Soviética. Aquando da dissolução desta, a Rússia, generosamente, permitiu que a Crimeia continuasse a fazer parte da Ucrânia, apesar de a Crimeia ser habitada por russos e não por ucranianos. Ou seja, a Rússia ofereceu a Crimeia à Ucrânia quando os dois países eram amigos. Basicamente, o que a Rússia está a fazer agora é análogo àquilo que muitos namorados fazem quando se separam – exigir que o “ex” lhes restitua os presentes que lhe tinham oferecido. Possivelmente o próprio Pedro Correia terá alguma vez feito isso…
        Portanto, eu considero que esta atitude da Rússia é sem dúvida uma violação do direito intenacional. Mas é, em minha opinião, altamente aceitável.

        1. Se passamos a justificar e até a aplaudir todas as violações do direito internacional e todos os atentados à soberania territorial de cada Estado porque houve violações anteriores, estamos no fundo a legitimar a “lei” do mais forte – ou seja, o equivalente à lei da selva – e a reabrir inúmeras questões na Europa com base na “pureza” étnica.
          Aberta a caixa de Pandora, quem reclamará o quê a seguir?
          A Ucrânia tem, a ocidente, parte do território que já foi da Polónia: os polacos podem reclamá-lo. E a Polónia tem parte do território que já foi Alemanha: os alemães podem reclamá-lo também a qualquer momento. E a Itália tem território que já foi da Áustria e da Eslovénia. E a Turquia tem território que já foi da Grécia. E a Roménia tem território que já foi da Hungria. E um imenso etc.
          Ah, é verdade, os Estados Unidos têm o Alasca, que foi território russo até 1867. Moscovo mandará também tropas especiais resgatá-lo?

          1. Iraque? Afeganistão? A Rússia não está propriamente a reivindicar território, pois não, Pedro Correia?

          2. Alhos = Rússia, bugalhos = NATO. Tem razão! Peço imensa desculpa.

            Ingerência em guerras civis e golpes de estado, invocação da defesa de bases em territorios estrangeiros, a possível ameaça a cidadãos como justificação de ataques preventivos, até mapas novecentistas mal desenhados: tudo isto são semelhanças de argumentação absolutamente redundantes – típicas de quem não tem argumentação, aliás.

          3. É um velho reflexo condicionado, típico da Guerra Fria, dos antigos apoiantes da União Soviética que imaginam Putin como novo czar vermelho. Confundindo desejos com realidades.
            Essa retórica esfarrapada que procura silenciar as críticas ao facto X mencionando a existência do facto Y e do facto W, que nada têm a ver com o primeiro, evoca outras histórias, outras discussões.
            Quando acusavam Brejnev de esmagar a Primavera de Praga, em Agosto de 1968, transformando e violando a soberania e a integridade territorial da Checoslováquia, tendo destituído ‘manu militari’ e detido quase toda a cúpula dirigente do partido comunista daquele país, havia sempre do lado de cá do Muro uns advogados de defesa do ditador soviético que se lembravam de perguntar: “Então e a agressão americana ao Vietname?”
            Foi o que você me fez lembrar.

          4. Não retirando uma virgula ao que escrevi mas já embainhando a espada, pedia-lhe só um esclarecimento: ainda pensa que está a trocar comentários com o Luís Lavoura?

          5. Nesse caso não entendo o seu ultimo comentário, que considero (sem birras) ofensivo – mas nada grave, visto que só me conhece por dois comentários que escrevi.
            Como inicialmente escrevi no sítio errado: queria comentar o post, não um outro comentador; pensei que houvesse me tivesse confundido, ou que houvesse mal entendido. Afinal parece que não.
            Mas enfim, é tempo de acabar com isto – leio poucos blogs (quase só o que me vão mandando) e o pouco que li seu, deu-me a entender que vê mais que duas cores, ou dois tipos de gente. Afinal parece que não.

            O seu comentário foi completamente ao lado: sou de direita, considero o brejnev um monstro que esmagou o movimento mais comovente e promissor talvez de todo o Século XX – a Primavera de Praga – que, tendo podido prosseguir, teria talvez mudado a História para um mundo muito diferente do que temos hoje. Não mencionei Y e W para silenciar(?) coisíssima nenhuma – pelo contrário, considero X, Y e W semelhantes entre si, e diferentes do lebensraum nazi pela ausencia de reivindicação de território. Pensei que o tinha escrito com toda a clareza. Afinal parece que não.

            Muito obrigado pela paciência!

          6. Estamos então de acordo naquilo que me parece essencial. Mesmo que não estivéssemos, seria sempre bem-vindo por cá. Essa é a norma deste blogue, que gosta de receber visitas e dialogar com quem nos interpela. O diálogo torna-se por vezes um pouco mais acalorado, mas isso é apenas sinal de que por cá existem convicções fortes sobre os mais diversos temas. Convicções, por sinal, raramente coincidentes entre os próprios autores. Mas essa é uma marca genética do Delito de Opinião: sem ela, este blogue não seria o que é.
            Volte sempre, se assim o entender. Faço votos por isso.

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