Em dia de moção de censura ao Governo apresentada pelo grupo parlamentar dos “verdes”, vale a pena registar o que dois destacados socialistas dizem sobre este partido, que nunca foi a votos autonomamente e se limita a replicar as posições do Partido Comunista no plenário da Assembleia da República e nos órgãos de informação.
Sérgio Sousa Pinto e Augusto Santos Silva falam sem rodeios – e fazem muito bem. Nunca como hoje se sentiu tanta necessidade de posições claras na política portuguesa. Por isso destaco estas opiniões, que expressam exactamente o que penso sobre a mesma matéria.
Sérgio Sousa Pinto (RTP i, 16 de Julho, 21.20): «O Partido Ecologista Os Verdes – ou seja, o PCP, pois o PEV é uma farsa, não existe – apresentou uma moção de censura ao Governo. É mais uma deslealdade. Se o PEV não existe, o PCP, em rigor, pôde apresentar duas moções de censura nesta sessão legislativa: apresentou uma em seu nome e agora instruiu os seus satélites ‘verdes’ para apresentarem outra moção de censura. E porque é que o faz? É contra o Governo? Claro que não: é contra o PS! O PCP grita muito contra a direita mas reserva sempre os ferros contra o PS. O verdadeiro adversário estratégico do PCP sempre foi o PS. (…) Objectivamente, o PCP é um aliado do Governo. Porque esta moção de censura é um enorme serviço prestado ao Governo. Porque dispensa o PSD e o CDS de apresentarem uma moção de confiança, afrontando o Presidente da República, porque o PCP teve a delicadeza de apresentar uma moção de censura que a direita vai derrotar e esmagar no Parlamento. Isto também é um recado que o Parlamento dá a Belém.»
Augusto Santos Silva (TVI 24, 16 de Julho, 22.50): «A moção de censura é apresentada agora pelos ‘Verdes’ – que são barriga de aluguer, como todos sabemos – para embaraçar o PS. O único sentido político [desta moção] não é perturbar os partidos do Governo, mas embaraçar o PS. Se o PS votasse contra a moção, seria acusado de ser muleta da direita; se votar a favor, como vai fazer, será acusado de ter dupla personalidade. (…) Na minha opinião, o Partido Ecologista Os Verdes é uma fraude política. É um partido que nunca foi a votos, que não tem identidade própria e cuja existência se destina a aumentar os tempos de intervenção e os mecanismos institucionais de intervenção no Parlamento ao dispor do Partido Comunista Português. O PS poderia ter em relação a qualquer iniciativa dos ‘Verdes’ esta linha de conduta: iniciativa política que venha de vocês não nos merece nenhuma credibilidade.»
Leitura complementar: O partido que nunca existiu; O PCP coligado consigo próprio.


Augusto Santos Silva e Sérgio Sousa Pinto utilizam aqui também uma fraude argumentativa. Bastaria o PS abster-se na moção para o ‘embaraço’ e a ‘estratégia contra o PS” sair furada. Estes caramelos –sobretudo este diácono sinistro Santos Silva ainda pensam que conseguem enganar as pessoas, desta vez fazendo-se de vítimas, coitadinhos.
Em abono da verdade, na mesma emissão a que faço referência, ASS deixou claro que o PS não devia votar favoravelmente a moção ‘verde’. Aliás os socialistas abstiveram-se nas votações das moções do BE e do PCP, em Outubro passado.
Ainda não percebi porque é que a Intervenção Democrática não se constitui como grupo parlamentar. Tentei saber no site mas está “under construction”. Então se calhar é por isso.
Aconteceu-me o mesmo. Fui lá e bati com o nariz na porta. Andam tão empenhados no “diálogo com as diferentes forças de esquerda” (PCP e ‘verdes’) que se esqueceram de criar um sítio na internet que os tornasse ainda mais virtuais. Merecem chamar-se Intromissão Democrática.
A moção de censura do Partido Ecologista os Verdes… faria todo o sentido se o motivo fosse:
Praias interditas/ Peixes mortos no Douro/ Incêndios nas reservas o Estado/ Barragens / Aguas de consumo domestico impróprias/ etc…
Ora, como nada disto vai ser discutido, é a prova provada de que o PEV é um mascote/ marionete do PCP.
Somos originais em tudo, até na política. Temos um partido verde que afinal é tinto.
Nem mais.
Raríssimas para não dizer inexistentes as intervenções nesse sentido … e havia tanto por onde pegar.
E ainda se atrevem a dar lições de democracia a outros partidos… É preciso topete, como diria em tempos mais felizes o professor Freitas do Amaral.
Para ser mais realista e objectivo ( como eles gostam de ser)direi mais:
O Partido Ecologista os Verdes é uma etar do PCP.
Uma coisa é esse tal partidecco ser uma fraude apenas.
Outra coisa é o PS sentir-se embaraçado por causa de uma moção de censura, seja ela apresentada por quem for.
Se se sente embaraçado, que se desembarace.