
Eu falo pelos cotovelos. Já vos contei que fui um bebé prodígio no que concerne a articular sons. Reza a história que esta criatura de Deus pronunciou a primeira palavra com – pasmai – 6 meses, e não foi uma palavra qualquer: pedi um guardanapo!
A partir daí, parece que nunca mais me calei. Quando tinha cerca de um ano, sentavam-me com um livro no colo e eu “recitava” a história do Lobo e dos 7 Cabritinhos, com todas as pausas, respirações e virares de página, como se estivesse realmente a ler o livro. Tudo o que era poema ou lengalenga, mesmo longa longa, era comigo, tanto que cheguei a ser notícia nos Ecos de Belém. Até parece anedota…
Adoro uma boa conversa, tanto falada como escrita. No meu tempo de lente, éramos encorajadas a ter correspondentes, crianças como nós de outras escolas do País, com as quais trocávamos postais dos correios, postais ilustrados, cartas, recortes e fotografias .
A minha primeira amiga literária era de Borba e escrevíamos sobre a escola e a família tudo sob o escrutínio da professora D. Fernanda Barroso. No Liceu, algumas de nós foram escolhidas para trocar correspondência com garotos de outras nacionalidades nas suas línguas natais, o que servia como exercício à nossa aprendizagem das mesmas.
Ter correspondentes, ou pen-pals, foi um excelente trampolim para a aprendizagem de outras línguas, de que me orgulho de falar e escrever com um bom nível de qualidade, como o francês e o inglês. Lamento que a conversação em alemão, que requer muita prática, não me seja frequentemente solicitada; entendo quase tudo, mas torna-se cada vez mais complicado pensar em alemão para bem articular as frases com as correctas declinações.
Tive a Brigitte, francesa de Toulon, a Christina de Passau na Alemanha, e o Urs Kamber, um desportista suíço, que mais tarde representou o seu país nos jogos Olimpicos de Moscovo em 1980, onde ganhou a medalha de bronze dos 400 metros, e que reencontrei no Facebook passados 35 anos.
Já pensei fazer um update, mas não sei se terei vontade de voltar para a escola. O regresso às aulas estaria previsto para os tão sebastiânicos “anos dourados”, mas por muito caleidoscópico que desejemos o futuro, a sombra da incerteza não deixa de pairar pardacenta e desanimadora.
(Republicado/Imagem Google)

Como piada, sobre o começar a falar muito cedo, há aquela do fulano tal ser uma criança precoce por aos três anos falar tão bem como fala hoje.
Não me parece bonito estar-se assim a contar anedotas sobre o Jorge Jesus.
Lá começam vocêzes a ingendrar bodes respiratórios…
JJ ahahahah, aos três anos já falava à moda da Reboleira.
Mas, os jogadores da bola, com as excepções dos da Académica e poucos outros, com pouca escolaridade falavam à maneira bairrista, e eram uma faca com dois legumes só fazendo pregonósticos no fim do jogo
Faz-me lembrar tantos eruditos que conheço.
Um dos meus filhos com 1 ano conhecia as cores pelas molas da roupa. Com 1,5 anos metia figuras geométricas (triângulos, cubos, quadrados, etc.dentro duma bola. Ainda conservo a bola. E começou a dominar o Lego com figuras mais difíceis.Aprendeu a ler sózinho. Quando entrou para a Escola com 6 anos já sabia ler e escrever e ajudava os outros.
Escreve tão direitinho que parece ter linhas.
Não é estupendo ter uma criança dotada de habilidades especiais, que apresentam desempenhos notáveis e elevada potencialidade em várias áreas em simultâneo? Diz-se que o orgulho é um pecado mortal, mas sentirmo-nos orgulhosos das nossas crianças só pode ser de valor, Maria.