Sucede por vezes que certas ideias incongruentes, talvez por jamais nelas investirmos um pouco do nosso capital reflectivo ou as havermos absorvido em muito novos, se colam ao nosso cérebro, um pouco como cartões de crédito sem plafond às carteiras de administradores de empresas públicas. Por exemplo, eu recordava-me muito bem de haver habitado no 4º andar de certo prédio de Algés; eu nunca pusera em dúvida o facto de haver habitado no dito 4º andar do supracitado prédio de Algés; mas certo dia, passando de automóvel pela rua do prédio de Algés em cujo 4º andar me recordava de indubitavelmente haver habitado, e tendo eu partilhado esse importante dado autobiográfico com os restantes ocupantes da viatura, alguém chamou a atenção para a circunstância de o prédio em questão não contar mais que dois andares bem contados, verdade que, de coração apertado, atestei visualmente alguns segundos antes de ligar para o meu neurologista – não sem antes apreciar o facto de ainda haver alguém que presta atenção ao que eu digo.
Factos alternativos
Bandeira,

Bandeira, creio que os restantes ocupantes da viatura devem pertencer a outro planeta.
Pois se o sector imobiliário tem vindo a encolher há uns anos, como pretendia que o prédio onde habitou ainda tivesse 4 andares?
São os mercados que arrebentam com as estruturas que suportam as nossas memórias!
Está a verificar como presto bem atenção ao que diz?
Vento, essa foi uma grande caridade que me fez. Bem-haja