Factos


Sérgio de Almeida Correia,

1. O orçamento rectificativo foi aprovado no Parlamento com os votos contra do BE, do PCP, dos Verdes, do PAN e do CDS-PP;

2. O PSD absteve-se logo na primeira votação em que o Governo não podia contar com os votos da esquerda radical;

3. A abstenção do PSD acontece depois de Passos Coelho ter afirmado que “admito que não teria uma solução muito diferente desta que foi adoptada, na medida em que não foi possível identificar ao longo destes anos um comprador para o Banif”;

4. A abstenção do PSD pode, no entanto, ser entendida como um sinal de coerência relativamente aos últimos anos quanto à capacidade de decisão e à responsabilidade do partido para resolver o problema do BANIF;  

5. Na primeira oportunidade que surgiu o CDS-PP voltou a aliar-se à esquerda radical que antes tanto criticou e à qual, repetidas vezes, acusou de falta de sentido de Estado;

6. O CDS-PP não tem nada a ver com o que aconteceu nos últimos três anos em relação ao BANIF porque o seu supervisor foi para o Parlamento Europeu;

7. O CDS-PP esclareceu que votou contra porque tem “dúvidas legítimas e fundadas em primeiro lugar sobre se esta é a única solução possível”, desconhecendo-se quais as soluções que em três anos o partido propôs para o Banif, nem qual a solução que neste momento proporia;

8. Os registos dizem que CDS-PP integrou com o PSD o XIX Governo Constitucional que permitiu a nacionalização do BANIF através de uma injecção de dinheiro público de 1100 milhões de euros, mas neste momento há dúvidas no Largo do Caldas sobre se o partido chegou a fazer parte de algum governo de coligação com o PSD; 

9. Em momentos críticos do regime os amantes do “bloco central” ainda são capazes de se entenderem e de trocarem algumas carícias;

10. A cronometragem dos tempos das intervenções parlamentares deve ser concessionada a uma entidade independente e manter-se visível e acessível ao público e a todos os senhores deputados enquanto durarem os debates, única forma de se evitarem mais figuras tristes até ao final da legislatura.

7 comentários em “Factos”

  1. Parece o jogo do gato e do rato.
    Eu não sou especialista nesta arte, como tal tenho uma dúvida: se Passos chumbasse o orçamento rectificativo podia retomar o lugar de primeiro ministro, certo?
    Uma vez primeiro ministro, onde é que ele iria buscar os três mil milhões de euros para pagar está factura?

  2. Quando o SAC (e muitos mais) compreenderem que factos e verdade são meros enfeites da partidocracia e nomeadamente do arco da corrupção talvez seja já demasiado tarde.

    Acções decisivas impõem-se.

    «Decididamente, decisivamente, pela Nação, por nós e …até por eles»

  3. 11. A maioria de esquerda estável para a legislatura afinal só durou um mês. A verdade sobre a falência do Banif há-de ser conhecida em todos os seus contornos. Mas é incontornável que depois de António Costa ter vindo para a praça publica dizer que havia um problema com o Banif, o banco perdeu 50% do seu valor em bolsa, e que depois de a TVI ter anunciado “o fecho do Banif” e que nem os depósitos abaixo dos 100 mil euros escapavam, em três dias o Banif perdeu mais mil milhões em depósitos.
    Também haveremos de perceber porque é que o governo socialista atribuíu a maior fatia dos prejuízos ao estado, quando os podia ter atribuído aos bancos como aconteceu com o BES.

    1. Maravilha.Chuta para canto.Espelho meu que andei a fazer eu?O lixo debaixo do tapete? Não! Nem pensar.Honestidade está em tudo o que dizemos e fizemos nestes aninhos … perguntar no L. do Caldas.Ok?O que eu gosto de narrativas …

  4. Os interesses do bloco central, venceram mais uma vez. Foram poupados os depositantes acima de 100 mil euros,acionistas e a solidariedade da UE á custa dos contribuintes portugueses, que mais uma vez foram “beneficiados” pelos seus maravilhosos socialistas e amigos.

  5. Ficou mais uma vez provada a ilegitimidade deste Governo.
    E a prova das canalhices que todos os partidos vão fazendo aos cidadãos.

  6. Se ser radical é estar farto de suportar banqueiros e supervisores em conluio, sou muito, mas mesmo muito, radical

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