Facto nacional de 2022


Pedro Correia,

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O REGRESSO DA INFLAÇÃO

Duas gerações de portugueses nunca tinham experimentado isto. Todo o ano passado foi vivido sob o espectro da inflação, numa depreciação contínua do valor do dinheiro e consequente aumento dos preços dos bens essenciais. Desde 1993 que não se registavam cifras destas entre nós: o surto inflacionário chegou a atingir dois dígitos (10,1%) em Outubro. No final do ano, cifrava-se em 9,6%. Mas pode voltar a subir neste primeiro trimestre de 2023, segundo alertou o governador do Banco de Portugal. Reflectindo-se de forma bem visível na diminuição do nosso poder de compra.

A política monetária seguida pelos bancos centrais, a pandemia que abalou as tradicionais cadeias de abastecimento e a guerra na Ucrânia, com a consequente crise energética e alimentar, foram causas próximas deste regresso à inflação, que se regista um pouco por todo o mundo e causa muita preocupação entre os portugueses. Ao ponto de este regresso da inflação ter sido eleito o Acontecimento Nacional de 2021, embora por escassa margem, pelos autores do DELITO DE OPINIÃO: sete votos em 20 dos que participaram – podendo sempre ser escolhido mais de um tema, como é tradicional entre nós.

«Esta antiga campanheira da nossa já longa história voltou a dar sinal de si. Poderíamos ter aproveitado a sua hibernação, de três décadas, mas o avanço mais efectivo verificado na sua ausência foi o disparar da dívida do país», assinalou um dos “delituosos”, justificando a escolha.

 

Em segundo lugar, com seis votos, ficou o que alguns intitularam desgovernação, havendo também quem lhe chamasse crise política. Em alusão aos sucessivos casos que abalaram o governo maioritário de António Costa, num constante entra-e-sai de membros do Executivo. «Não tenho memória de se ter assistido a tantas demissões num governo que ainda não fez um ano» , observou alguém.

A inesperada maioria absoluta do PS nas legislativas de Janeiro foi outro tema mencionado, recolhendo quatro votos. É outro regresso: neste caso a um cenário político inexistente desde 2009, quando chegou ao fim o primeiro Executivo de José Sócrates. 

Menção ainda (com dois votos) para o caos nos hospitais, também classificado de “derrocada do SNS” – outro assunto que foi acompanhando o quotidiano nacional em 2022.

 

Depois, cinco outros factos, cada qual com um voto. Passo a enunciá-los para ficarem lavrados em acta como sempre sucede, ano após ano, no nosso blogue:

– Escândalo de pedofilia na Igreja Católica «e o subsequente rosário de disparates dos seus representantes, e de um certo chefe de Estado de um estado supostamente laico».

– A continuação ideológica da geringonça por outros meios.

– Fim da geringonça e a «oportunidade perdida de dar um novo rumo ao país».

– O crescente impacto das alterações climáticas no litoral e no interior de Portugal.

– Fim do uso obrigatório da máscara (muitos de nós já nos tínhamos esquecido disto).

 

Facto nacional de 2010: crise financeira

Facto nacional de 2011: chegada da troika a Portugal

Facto nacional de 2013: crise política de Julho

Facto nacional de 2014: derrocada do Grupo Espírito Santo

Facto nacional de 2015: acordos parlamentares à esquerda

Facto nacional de 2016: Portugal conquista Europeu de Futebol

Facto nacional de 2017: Portugal a arder de Junho a Outubro

Facto nacional de 2018: incúria do Estado

Facto nacional de 2019: novos partidos no Parlamento

Facto nacional de 2020: o vírus que nos mudou a vida

Facto nacional de 2021: vacinação em massa

7 comentários em “Facto nacional de 2022”

  1. 25 anos a xuxarem conosco sem criação de riqueza e aumento da pobreza.
    a guerra, o que lima, etc são apenas desculpas.
    com ou sem pessoas o Planeta é um organismo vivo e faz o que lhe apetece: nos anos 70 os mesmíssimos venderam a possibilidade duma glaciação.
    in oculum descansum est
    Nos quoque gens sumus, et quoque cavalgare sabemus! – O quê? – “Nós também somos gente e também sabemos cavalgar!”
    Palito Métrico

  2. o inicio do post, a inflaçao e o consequente perda de poder compra, sao a essencia.
    No entanto, é chover no molhado. Os leitores querem é palpites como furtar-se á inflaçao…
    Pronto. E agora pormenores : o Autor sabe que nao pode comparar inflaçoes desta geraçao com inflaçoes antigas. A “maioria” só foi afastada porque depois de certa a imprensa começou a publicar novas sondagens. E volto a recordar o seguinte : nos primeiros minutos da contagem de votos o sapo teve como titulo, apenas escassos minutos, a maioria absoluta para costa

  3. A inflação não é um problema exclusivamente português, foi motivada pela fraca liderança política europeia, pelo conflito na Ucrânia e pela “descarbonização” da Europa.
    Quem paga é sempre o mesmo, os ricos vão ficar mais ricos e os outros que se amanhem.

  4. Na minha modesta opinião o facto nacional do ano foi a maioria absoluta do PS.
    Quanto à inflação penso que se podia educar melhor as pessoas e dizer-lhes que isso era um problema recorrente em Portugal a seguir ao 25 de Abril e é um problema económico que não atingia outros estados da então CEE em que já estávamos integrados.
    A actual inflação só com muita sorte será debelada para níveis de 2/3 % com o aumento das taxas de juro, a escassez de produtos irá continuar, isto se não piorar.

  5. Vá lá vá lá, a média da inflação na união europeia foi de 11,6%, se nós tivemos 9,6%, também só perdemos por dois pontos percentuais.

  6. Não se esqueça que estamos sujeitos a uma inflação sob governo do PS. Donde uma inflação de esquerda, progressista, patriótica, e inclusiva. Um pequeno passo atrás, nada mais, para sem dúvida em breve dois ousadamente se darem na senda de um radioso futuro de esquerda, patriótico e inclusivo.
    E sempre, bem entendido, a repor corajosamente os rendimentos que certo patife sem perdão roubou ao povo.

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