29 comentários em “Evidências”

  1. Pode ser que sim. Até tem boas razões para estar farta de nós: andámos (e ainda andamos, em muitos aspectos) muito tempo a tratá-la como se estivéssemos fartos dela.

  2. “… a natureza farta de nós.”?
    Tem piada, nunca me tinha ocorrido que tivéssemos tanta influência no movimento tectónico do planeta. Somos mesmo importantes, caramba. Espero é que depois de não terem acertado no aquecimento global não venham agora culpar a tribo pelas deslocações dos continentes. Há gente para tudo!

    1. Há gente para tudo, é verdade. Até para nunca ter ouvido falar em figuras de estilo.

      Claro que não somos responsáveis pelos ciclos naturais do planeta, nem é certo que tenhamos assim tanta influência nesta sucessão de catástrofres naturais que parece avançar num crescendo nas últimas décadas. Mas em alguma coisa contribuímos para elas, não lhe parece? E pelo menos nessa (ínfima?) parcela de responsabilidade, bem podíamos aproveitar o momento para reflectir sobre o nosso comportamento de constantes agressões à natureza.

      1. E é claro que podemos ser responsáveis pela reconstrução do planeta, que é mais importante do que encontrar culpados. Muitíssimo mais eficiente do que lavar as mãos…

      2. Temos tanta influência como tem qualquer espécie viva que habita o planeta, como tem influência (e muito) as manchas solores ou os biliões de partículas e meteoritos que nos bombardeiam a cada minuto ou os milhões de toneladas de gases que se libertam a cada momento das chaminés vulcânicas submarinas. O planeta não precisa de ser salvo por ninguém, quando estivermos a mais ou não soubermos estar simplesmente juntarnos-nos-emos à longa lista de espécies que têm vindo a desaparecer há dezenas de milhões de anos. E a Vida continuará sem nós. É nos oceânos que se joga a sorte do clima nas mais diversas regiões. Bom seria que nos preocupássemos em salvar-nos, usando a inteligência, mas infelizmente vivemos de mitos e convencimentos de superioridade. Talvez corra tudo bem, mas para já andamos distraídos.

        1. Canoa, acha sinceramente que “temos tanta influência como tem qualquer espécie viva que habita o planeta”? Por pouca influência que tenhamos, o que admito sem dificuldade, é apesar de tudo incomparável com a das espécies que se limitam a usufruir das condições naturais que encontram no local onde nascem. Talvez eu ande mesmo muito distraída, porque ainda não dei por elefantes a construir centrais nucleares nem por lagartixas a enviar foguetões para o espaço…

          E já agora: se não temos mesmo qualquer influência no assunto, que sugestões tem para começarmos a tratar de salvar-nos?

          1. Não é preciso zangar-se, as lagartixas não têm capacidade para vencer a gravidade, terão outras importantes para a sua sobrevivência e não é preciso ser-se do tamanho de um elefante para se construir seja o que fôr. As bactérias não se vêem facilmente e têm mais influência (boa e má) nas nossas vidas e na existência de todas as espécies e no ar que respiramos que todas as centrais nucleares juntas. Se as espécies se “limitassem a viver das condições naturais que se encontram no local ondem nascem” não sobreviveriam nem teria havido a tão preciosa selecção que à mistura com muita sorte nos permite hoje escrever neste blogue. Se houvesse “uma solução” para todas as situações seria bom. Não há, mas temos uma boa ferramenta que é a inteligencia e a cooperação científica. Podíamos por exemplo dar mais importância à ciência e à investigação e fazer com que os parlamentos discutissem a sobrevivência para além do ordenado mínimo e do déficit. São coisas importantes mas há outras igualmente importantes que de momento são omitidas ou delas só se dizem asneiras. Ainda não aprendemos a relacionarmo-nos uns com os outros quanto mais com a natureza.

          2. Zangada, eu? Estou só a tentar entender o seu raciocínio, e não consigo. Defeito meu, com toda a certeza. Mas é que cada afirmação sua me parece contradizer a anterior… tão depressa diz que a nossa inteligência nos pode salvar através da ciência e da investigação (e quer maior convencimento de superioridade??) como diz que a nossa influência no inexorável destino do planeta é absolutamente nula. Então em que ficamos, cara (o?) Canoa?

          3. Pode ter dificuldade mas não defeito. Por mim estou convicto de que “convencimento de superioridade” é pensar-se que vamos salvar o planeta porque afinal estamos cá para cumprir desígnios, falar-se do ambiente e do próprio Gaia como se de uma crença se tratasse. Sabe-se pouco, muito pouco, sobre todos os mecanismos que interagem neste imenso “corpo” vivo. Mas como niguém já acredita que os trovões não são obra divina para nos castigar há que olhar para as tempestades, terramotes, frio ou calor intensos como culpa nossa. Esse movimento que já assumiu até há bem pouco tempo contornos de espectáculo, pode ter fins políticos preciosos para quem está no poder, mas não ajuda em nada a nossa compreensão dos fenómenos e as devidas precauções. A má gestão que fazemos (muito má mesmo) dos recursos ao nosso alcance, não influenciam o destino do planeta, influenciam perigosamento o nosso destino. Sem ofensa, é o que eu penso.

          4. Acho que o percebi, finalmente. E afinal, Canoa, estamos quase de acordo. Claro que é a nossa espécie que está ameaçada (e algumas outras, também muito por nossa culpa) e não tanto o próprio planeta, de que não temos informação suficiente para poder afirmar com segurança qual será o destino, nem quando. Quanto às crenças em divindades, são tão velhas como a nossa espécie e fazem parte da natureza humana – invocamos uma protecção superior exactamente porque tememos o que não dominamos, e não dominamos a natureza – para sobreviver ao terror do desamparo e da impotência. Se estas crenças são passíveis de manipulação? Claro que sim, os exemplos não faltam. Mas, por outro lado, a ciência também (ainda?) não nos dá todas as respostas, e enquanto isso acontecer haverá sempre margem para uma legítima crença no divino… quem poderá impedi-lo ou proibi-lo?

          5. «São coisas importantes mas há outras igualmente importantes que de momento são omitidas ou delas só se dizem asneiras.»

            Canoa dixit!

    2. Ó Canoa, quem não sabe deve ficar a aprender caladinho para tentar entender alguma coisita. Ninguém controla movimentos tectónicos e essas coisas, mas desbaste de florestas, desequilíbrios em costas e encostas e coisas assim (que também são desafios à natureza) é que não raro determinam a extensão das tragédias. Para não me alongar.

  3. Não está nada, Ana. Estas coisas sempre aconteceram e sempre houve gente nos locais errados às horas erradas. Hoje estamos cá nós para testemunharmos, daqui a um século estarão cá outros. Tu não sejas fatalista, Ana Vidal… ;D

    1. Ó Mike, não me conheces? Se há alguém que não é fatalista, sou eu! Já essa tua afirmação sobre “pessoas que estão no sítio errado à hora errada” é que me parece bastante fatalista… sabendo, como sabemos, onde se situam as falhas tectónicas, os vulcões, os precipícios, os locais sujeitos a deslizamentos de terras, etc, etc… é invariavelmente esses locais que escolhemos para construir sem limites e instalarmos as nossas famílias. Fatalidade, atracção do abismo ou estupidez?
      Sei que este argumento se afasta um bocadinho do tema do post, mas não lhe é totalmente alheio.

      1. Pronto, se calhar não me fiz entender. Dizes que a natureza está farta de nós e o que eu queria dizer é que ela está farta de nós há milénios. Que estas coisas acontece há muito tempo. Não está farta de nós agora. Só que nós todos (os que estamos vivos neste século) assistimos a coisas que outros já assistiram e outros assistirão nos próximos séculos.. E sim, tens razão, afasta-se do tema e dava pano para mangas, mas não lhe é alheio.

  4. Mas nem estas evidências da natureza, somadas a evidências menos naturais, parecem suficientes para que a Humanidade, como um todo, páre para pensar. É evidente que sempre houve catástrofes naturais, mas, neste tempo em que se instalou a miragem de tudo controlar pela técnica, a impotência perante estas manifestações da natureza, toca mais forte na esquecida corda da nossa fragiliadade.

  5. Se a Natureza está farta de nós, vai tomar providências sérias e expulsar-nos definitivamente, mas para onde?

    Necessito de saber com urgência tenho programado fazer cartões de visita brevemente…

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *