Europeias (6)


Pedro Correia,

 

NENHUM TEMA É TABU

 

Vital Moreira tentou dar o mote desta campanha ao sublinhar: "Sendo as eleições para o Parlamento Europeu (que vai aprovar as leis europeias, aprovar o orçamento europeu e escrutinar o executivo europeu), elas devem centrar-se naturalmente em temas europeus." Azar. O cabeça de lista do PS acaba de ser desautorizado por Jorge Sampaio, que defendeu – e muito bem – a tese oposta: não há hoje, no espaço da UE, nenhuma fronteira nítida entre as chamadas questões "nacionais" e as questões europeias, o que torna ridícula qualquer pretensão de excluir este ou aquele tema do debate público. Admitir o contrário contribuiria, de resto, para alhear ainda mais os portugueses destas eleições, que vêm registando entre nós elevadíssimos níveis de abstenção – 60,1% em 1999, 61,4% em 2004. E a mais recente sondagem do Eurobarómetro permite antever que as coisas, nesta matéria, não andarão melhor em 2009 por toda a UE. As vozes mais lúcidas, como a do ex-comissário europeu António Vitorino, alertam desde já: "A agenda europeia dos próximos anos terá de incorporar as questões e os temas que mais directamente dizem respeito ao quotidiano dos cidadãos, como precondição a um mais claro entendimento do significado e do alcance do projecto europeu. (…) Só assim se poderá dar um sentido motivador ao voto em 7 de Junho e demonstrar que esse voto também pode fazer a diferença quanto ao nosso futuro colectivo."

Palavras sensatas, assim como as de Sampaio. Para Vital Moreira ler e meditar.

20 comentários em “Europeias (6)”

  1. não costumo comentar política Pedro porque muito sinceramente sou pouco mais que ignorante.
    Mas ainda gostava que me explicassem o que “temas europeus” se não aqueles vividos, sofridos e partilhados pelos habitantes dos vários países da Europa .. e até de fora dela.

  2. Veja lá, veja, que os spin-doctors do governo aqui acampados já lhe dizem das boas.

    Felizmente, eu tanto consigo ver as asneiras do poder como as da oposição que temos.

    Mas não se pode vir acusar AJJ e ignorar os casos Ana Gomes e Elisa Ferreira, por exemplo.

    Não se pode achar salutar e normal que o expressamente convidado por Sócrates para cabeça-de-lista tenha sobre o assunto recondução de Barroso opinião diametralmente oposta e depois não acontecer nada.

  3. Sampaio e Vitorino têm toda a razão, parece-me. Quanto mais se compartimentarem os assuntos e cada país se fechar nos seus problemas, mais difícil será a adesão de todos e um melhor conhecimento do que é esta Europa comum. Por mim, confesso que ainda não percebi metade do que ela significa, na realidade.

    1. Afunilar as questões, circunscrevendo o âmbito dos debates, é afugentar ainda mais os (poucos) eleitores dispostos a mobilizar-se para votar no dia 7 de Junho, Ana. Precisamente para contrariar esta tendência para a abstenção e com o propósito de que nenhum terma fique excluído criei este espaço diário de comentário das questões europeias.

  4. A posição de Vital Moreira não pode ser diferente. Relembro os mais distraídos que o Professor não é filiado no Partido Socialista e como tal é no mínimo complicado que possa falar por ele nos debates de política nacional. O seu mandato abrange apenas estas eleições e as temáticas que à volta dela circulam…
    Quem sugeriu que o debate fosse alargado sabia obviamente desta limitação.

  5. Eu não adivinhei, Pedro Correia, que eles aí viriam defender on indefensável?

    Também era fácil adivinhar…

  6. O ex-camarada Vital, na sua qualidade de grande artífice do Tratado de Lisboa, só pode, evidentemente, debater, e com grande e óbvia elevação, assuntos de nós, europeus de Coimbra.

  7. Tal e qual. Um cabeça-de-lista defender o oposto ao que o partido promotor pretende é, no mínimo, desinteligente. Não sei qual das partes escolheu mal, mas desconfio…

  8. Cá para mim, tanto faz. Diz que as previsões meteorológicas para 7 de Junho dão um excelente dia de praia.

  9. Na realidade, as eleições para o Parlamento Europeu, não me dizem absolutamente nada!
    Vejo os pescadores cada vez mais atrofiados com as quotas de pescado, num país com um mar imenso.
    Vejo os produtores de leite com baixas quotas de leite, sem hipóteses de expandirem as suas explorações.
    E a nossa lavoura? Nem vale a pena falar!
    Para todos os problemas há sempre a fatídica resposta… Directiva de Bruxelas…. Directiva de Bruxelas…
    Portugal está atrofiado com tantas Directivas de Bruxelas!!!
    Que estão lá a fazer os eurodeputados?
    Para quê tanta excitação com os cabeças de lista?

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