Europeias (39)


Pedro Correia,

 

PCTP/MRPP: ORGULHOSAMENTE SÓS

 

Li o programa do Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses às eleições europeias.

 

Principais propostas:

– Ruptura com a actual União Europeia

– Renegociação dos termos de participação de Portugal na UE

– Semana das 30 horas para todos os trabalhadores europeus, sem perda de remuneração

– Fixação de um salário mínimo europeu

– Uniformização da legislação laboral e dos sistemas de protecção social no espaço europeu

– Luta contra o capital

– Luta contra o imperalismo

 

Comentários:

– O PCTP/MRPP confunde programa eleitoral com análise política ou ensaísmo histórico neste extenso texto em que chega a perorar sobre a "camarilha dos cabrais e dos braganças", como se estivéssemos no século XIX.

– Não há, em todo este documento apocalíptico, uma só linha de apreciação positiva da UE.

– Com menos graça do que no passado, o MRPP mantém-se fiel a um certo fraseado muito típico, de que é exemplo esta frase: "Os deputados portugueses no Parlamento Europeu, atrelados ao Presidente da Comissão Europeia da sua laia, parecem uma só família, sem que ninguém saiba o que eles lá fazem." Populismo esquerdista no seu melhor.

– "Com os milhões das ‘ajudas’, de 250 mil explorações agrícolas que existiam em Portugal em 1970, existem hoje cerca de 15 mil empresas na agricultura; de 100 mil pessoas a viver da pesca, hoje subsistem (e mal) cerca de 12 mil pescadores; e no sector secundário, com a adesão, perdemos mais de 80 mil operários", sublinha o partido de Garcia Pereira, para justificar a sua oposição firme à UE. Em 1970, recordo, Portugal vivia em ditadura.

– Acometido de uma irreprimível tentação nostálgica, o ‘verdadeiro partido comunista dos trabalhadores portugueses’ acentua: "O País económico encontra-se hoje numa situação comparativamente semelhante ou ainda pior àquela que vigorava na época em que eclodiu o 25 de Abril de 1974".

– Levando à letra este raciocínio, conclui-se que vivíamos melhor no Portugal salazarista, orgulhosamente só. Fiquei na dúvida: será mesmo esse o modelo que o PCTP/MRPP pretende recuperar?

15 comentários em “Europeias (39)”

    1. Pois bem!
      Pelo que tenho conhecimento o “delito de opinião” de facto não leu o programa mas sim o Manifesto Eleitoral”, donde a tal confusão afinal é justificada (e os longos perorares também). Já a classificaçãos de “populismo esquerdista” para a denúncia do mau-gastar dos fundos europeus parecem deslocadas porque, como toda a gente ouviu e sabe, tais denúncias têm partido de todos os sectores do espectro político, correspondem à verdade e só servem de ponto de partida, para todos os sectores partidários da esquerda à direita, para novas propostas.

  1. Pedro, tenho acompanhado a sua saga “Europeias”, sem comentar. Hoje faço-o por causa de um certo MRPP por quem nutri simpatia. Mas faço-o, acima de tudo para elogiar o serviço público que aqui vem prestado. E com um humor, por vezes cítrico, que me agrada, fazendo jus ao nome e conceito do Delito de Opinião.

  2. Há uns anos, teria graça defender simultaneamente a ruptura com a União Europeia e a uniformização de um modelo favorável a todos os trabalhadores europeus. Hoje, como dizes, não tem graça nenhuma.

  3. Estes já passaram para a galeria dos cromos. E confesso, nunca lhes achei piada nenhuma. Mesmo nenhuma. Talvez por ter “convivido” com alguns nos tempos a seguir a 74.
    Quanto ao seu trabalho, Pedro Correia, só posso agradecer-lho. Estas sínteses tão bem feitas e confortáveis para quem lê. Um luxo!

    :)))

  4. Pedro
    Pego aqui nas palavras da Mdsol para lhe agradecer estas sínteses das Europeias com o essencial dos programas e tudo muito arrumadinho.
    E também nas do Mike, em relação ao humor, que também “anima a malta”. Sim, “um verdadeiro serviço público”.
    Tal como a Mdsol, também convivi com MRPPs no Liceu. Nunca compreendi, a bem dizer, nem nessa época, como era possível gostar do regime do Mao e da Revolução Cultural.
    Achava-os excêntricos, no mínimo! Mais tarde venho a saber que eram do MRPP Durão Barroso e Ana Gomes. “Give me a break”!

  5. Gosto particularmente do facto de serem pela ruptura com a UE e a seguir apresentarem propostas para a… UE.

    Por menos Andrei Gromiko recebeu o epíteto de “Sr. Nyet”, sempre a favor da não intervenção…

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