PCTP/MRPP: ORGULHOSAMENTE SÓS
Li o programa do Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses às eleições europeias.
Principais propostas:
– Ruptura com a actual União Europeia
– Renegociação dos termos de participação de Portugal na UE
– Semana das 30 horas para todos os trabalhadores europeus, sem perda de remuneração
– Fixação de um salário mínimo europeu
– Uniformização da legislação laboral e dos sistemas de protecção social no espaço europeu
– Luta contra o capital
– Luta contra o imperalismo
Comentários:
– O PCTP/MRPP confunde programa eleitoral com análise política ou ensaísmo histórico neste extenso texto em que chega a perorar sobre a "camarilha dos cabrais e dos braganças", como se estivéssemos no século XIX.
– Não há, em todo este documento apocalíptico, uma só linha de apreciação positiva da UE.
– Com menos graça do que no passado, o MRPP mantém-se fiel a um certo fraseado muito típico, de que é exemplo esta frase: "Os deputados portugueses no Parlamento Europeu, atrelados ao Presidente da Comissão Europeia da sua laia, parecem uma só família, sem que ninguém saiba o que eles lá fazem." Populismo esquerdista no seu melhor.
– "Com os milhões das ‘ajudas’, de 250 mil explorações agrícolas que existiam em Portugal em 1970, existem hoje cerca de 15 mil empresas na agricultura; de 100 mil pessoas a viver da pesca, hoje subsistem (e mal) cerca de 12 mil pescadores; e no sector secundário, com a adesão, perdemos mais de 80 mil operários", sublinha o partido de Garcia Pereira, para justificar a sua oposição firme à UE. Em 1970, recordo, Portugal vivia em ditadura.
– Acometido de uma irreprimível tentação nostálgica, o ‘verdadeiro partido comunista dos trabalhadores portugueses’ acentua: "O País económico encontra-se hoje numa situação comparativamente semelhante ou ainda pior àquela que vigorava na época em que eclodiu o 25 de Abril de 1974".
– Levando à letra este raciocínio, conclui-se que vivíamos melhor no Portugal salazarista, orgulhosamente só. Fiquei na dúvida: será mesmo esse o modelo que o PCTP/MRPP pretende recuperar?


Como dizes e muito bem, eles já perderam a graça. Que saudades daquele discurso anacrónico e belicoso!
Perderam de facto a graça, Teresa. Só continuam anacrónicos, graças a São Arnaldo (Matos).
Pois bem!
Pelo que tenho conhecimento o “delito de opinião” de facto não leu o programa mas sim o Manifesto Eleitoral”, donde a tal confusão afinal é justificada (e os longos perorares também). Já a classificaçãos de “populismo esquerdista” para a denúncia do mau-gastar dos fundos europeus parecem deslocadas porque, como toda a gente ouviu e sabe, tais denúncias têm partido de todos os sectores do espectro político, correspondem à verdade e só servem de ponto de partida, para todos os sectores partidários da esquerda à direita, para novas propostas.
Pedro, tenho acompanhado a sua saga “Europeias”, sem comentar. Hoje faço-o por causa de um certo MRPP por quem nutri simpatia. Mas faço-o, acima de tudo para elogiar o serviço público que aqui vem prestado. E com um humor, por vezes cítrico, que me agrada, fazendo jus ao nome e conceito do Delito de Opinião.
Obrigado pelas suas palavras, Mike. É um prazer escrever para leitores assim.
Há uns anos, teria graça defender simultaneamente a ruptura com a União Europeia e a uniformização de um modelo favorável a todos os trabalhadores europeus. Hoje, como dizes, não tem graça nenhuma.
Não tem mesmo, compadre. Sinto mesmo que isso é um atentado à inteligência dos trabalhadores.
estavam todos muito mais novos.
o Arnaldo de Matos ainda nem tinha bigode.
… E tinham todos o mesmo corte de cabelo.
Estes já passaram para a galeria dos cromos. E confesso, nunca lhes achei piada nenhuma. Mesmo nenhuma. Talvez por ter “convivido” com alguns nos tempos a seguir a 74.
Quanto ao seu trabalho, Pedro Correia, só posso agradecer-lho. Estas sínteses tão bem feitas e confortáveis para quem lê. Um luxo!
:)))
Obrigado, Maria do Sol. É uma tarefa que faço com gosto. É sempre um prazer mergulhar na prosa épica do MRPP (brrrr…)
Pedro
Pego aqui nas palavras da Mdsol para lhe agradecer estas sínteses das Europeias com o essencial dos programas e tudo muito arrumadinho.
E também nas do Mike, em relação ao humor, que também “anima a malta”. Sim, “um verdadeiro serviço público”.
Tal como a Mdsol, também convivi com MRPPs no Liceu. Nunca compreendi, a bem dizer, nem nessa época, como era possível gostar do regime do Mao e da Revolução Cultural.
Achava-os excêntricos, no mínimo! Mais tarde venho a saber que eram do MRPP Durão Barroso e Ana Gomes. “Give me a break”!
Obrigado, Ana. Eu, por mim, sempre achei o Mao muito mau.
Gosto particularmente do facto de serem pela ruptura com a UE e a seguir apresentarem propostas para a… UE.
Por menos Andrei Gromiko recebeu o epíteto de “Sr. Nyet”, sempre a favor da não intervenção…
Eheheheh. Bons tempos esses, do camarada Gromyko, em que estava tudo muito mais arrumadinho neste mundo…