Europeias (24)


Pedro Correia,

3290816_aWQWl.jpeg

 

SANTA HIPOCRISIA

 

Nas últimas 24 horas, ouvi lamúrias de diversos bonzos do comentário político nas pantalhas. O que lamuriam eles? Que os portugueses andem tão desinformados e tão alheados das magnas questões europeias. 

O curioso é que este caudal lamuriento ocorre nos mesmos canais televisivos que passam dias e noites a transmitir intermináveis debates sobre bola. E mais bola. E sempre mais bola. Os tais bonzos, coitados, nem reparam.

0 comentários em “Europeias (24)”

  1. Apanhei uma santa hipocrisia onde não esperava. Foi pena não ter feito um print screen antes terem apagado um certo comentário num certo blogue, muito afiliado a um certo partido. Que para mim deixou de merecer o nome que ostenta. Novas idéias, vícios antigos. Não lhes auguro um futuro brilhante.

      1. Coloquei um comentário num blogue afiliado ao IL, e foi retirado. Devia ter um printscreen, não só para prova futura que o comentário não era ofensivo, como prova de que o comentário esteve lá – o blogue não é moderado, os comentários aparecem imediatamente. Não tendo o printscreen, é a minha palavra. E é claro que não pensei precisar dum recibo.
        O meu comentário tem a ver com uma opinião dum colaborador do blogue, alguém que assina BZ, publicada ao tempo da greve dos camionistas de matérias perigosas. Na opinião, Liberal, dele, o problema da escassez de combustível nas bombas resolvia-se deixando o mercado funcionar, ou seja, os operadores dos postos de abastecimento seriam livres para subir o preço, sem limite, do combustível, conforme a escassez.
        É uma idéia.
        Eu não vi como essa proposta resolvia o problema das pessoas. Percebo que, no limite, a 100€ ou 1000€ o litro, nunca faltaria combustível nas bombas. Não sei qual é a vantagem de ter as bombas cheias e os carros parados.
        Mais, não vejo aí o mercado a funcionar. Vejo uma oferta artificialmente estrangulada – o produto não está escasso nem subiu de preço. Não vejo a concorrência própria dum mercado livre, pelo contrário, vejo grandes oportunidades para um sindicato poder servir de instrumento para um mercado negro – porque é uma escassez provocada, pode ser provocada cada vez que se quiser, se não houver um mínimo de regulação. A tentação pode ser grande, o mercado negro dá muito a muitos.
        A minha pergunta: em termos de mercado livre não seria preferível deixar os espanhóis da CEPSA e REPSOL entrarem e fornecerem as bombas? Afinal, a distância de Lisboa a Badajoz é a mesma que de Badajoz a Lisboa – em boa verdade, se a UE fosse um mercado mesmo livre seria tão possível ir atestar a Espanha – e é – como mandar vir um camião cisterna de Espanha – que não é.
        É preciso que se diga que eu gosto de fazer perguntas concretas. Os partidos têm em geral programas vagos. Baixamos os impostos (como?), reduzimos o peso do Estado (como?), etc. Normalmente nunca explicam como vão resolver os problemas concretos que essas promessas implicam.
        E é justo que diga que por vezes recebo respostas concretas, e recordo ter colocado uma questão sobre a adopção por casais homossexuais a um deputado do PCP e dele me ter respondido que, uma vez que a adopção por casal monoparental é aceite legalmente, sem que a orientação sexual seja determinante, não só é fácil tornear a lei, como é injusto que um casal homossexual assumido seja prejudicado em relação a um homossexual não casado, ou a um casal homossexual não assumido. Mais concreto e esclarecedor duma posição não há.
        Eu não espero que toda a gente me responda – era bom para tirar dúvidas, mas não espero realmente que toda a gente com dúvidas tenha uma resposta individual.
        Acontece que, ao tempo, tive uma resposta do bloguista BZ, não a responder de facto, mas a tecer considerações várias sobre a minha iliteracia financeira. E agora, que voltei a referir o facto no blogue, a resposta foi…eliminar o meu comentário.
        Espero ter-me explicado. Estou um pouco desapontado, não esperava. Vivemos e aprendemos, não é?

  2. Mas tem o programa da Cristina para descomprimir. Passa-se lá em casa, vê-se a senhora a cozinhar e a lavar a louça e sempre com as unhas impecáveis, pintadas com os vernizes dela, que ela vende, e sempre elevada á quarta potência dos seus saltos altos…e já agora , também conta a sua voz melodiosa..

    1. Já tenho visto vários políticos baterem-lhe à porta. E, apesar disso, ainda não vi a Cristina a fazer propaganda a partido algum.
      Algum mérito terá. Além do mais, é portuguesa, “nossa”. Não é amaricana. Ando farto de amaricanos. E de gente que fala luso-amaricano.

  3. Muito bem lembrado.
    De quem é a culpa?
    Dos líderes partidários e dos seus candidatos a começar pelo pateta que o Costa arranjou que nunca falaram da Europa, só de tricas e sound bites para jornalista parvo publicar.
    Só o Paulo Sande, o Ricardo Arroja e o Rui Tavares discutiram e informaram ao que vinham. O resto foi de uma tristeza confrangedora, tais os disparates ouvidos.
    Os jornalistas são os maiores culpados.
    Não escrutinam o que os candidatos dizem, passam horas e horas com reportagens de trampa, entrevistam pessoas que só dizem parvoíces, horas e horas de candidatos a beijar velhinhas, distribuir papeis nas feiras a comer couratos e aos berros contra os candidatos dos outros partidos.
    Ainda por cima com uma atitude parcialíssima sempre inclinada para a esquerda.
    Os Portugueses não são parvos. A “maioria silenciosa” não votou por asco a esta gente.
    Acredito que dos 70% da abstenção a grande maioria é de direita que espera que apareça alguém que a lidere.
    A esquerda do BE do PCP e até a “melancia” PAN, já deve ter feito o pleno de votos. O PS pouco mais irá arrebanhar. Está portanto na altura de uma nova direita tomar conta disto.

    1. Então a “nova direita” não é a do Ventura, que preferiu bater papo sobre bola na TV do Correio da Manhã em vez de discutir Europa com outros cabeças de lista na RTP?

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *