Europeias (2)


Pedro Correia,

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SIC

 

Discordo profundamente deste critério editorial da SIC, excluindo dos debates sobre a campanha europeia partidos recém-surgidos, como a Aliança e a Iniciativa Liberal. Se nas televisões vigorasse o princípio que a SIC aplica na política, os portugueses continuariam a ver só a RTP. As privadas, que apareceram muito depois, tiveram ampla divulgação, destronando o monopólio público na década de 90, de tão boa memória para os portugueses.
Até por este historial a SIC devia ser mais receptiva à possibilidade de renovação do espectro partidário, em vez de apostar sempre nos mesmos nomes e nas mesmas siglas. Que a RTP mantenha esta aposta, admira-me pouco. Que um canal privado levante tais barreiras a quem chega de novo, surpreende-me muito mais.

0 comentários em “Europeias (2)”

  1. Caro Pedro: Pelo critério que defendes, também tinham que incluir o Chega, o Nós, Cidadãos, o PCTP/MRPP, o Livre e sei lá que mais. Trata-se de um debate que ninguém veria e que seria arrasador para as audiências da SIC num panorama televisivo em feroz concorrência. Uma televisão privada vive de audiências e não está cá para fornecer tempos de antena a quaisquer novos partidos que apareçam.

    1. Se bem recordo, Luís, o Livre teve muito tempo de antena há cinco anos. Foi, aliás, levado ao colo por vários órgãos de informação. Serviu-lhe de pouco, como os resultados demonstraram.
      Este ano, pelos vistos, o critério editorial é diferente.
      Nada a ver com o MRPP, que existe há meio século e nunca foi capaz de eleger um só representante seja para onde for.

      Quanto a Marinho Pinto, foi eleito em 2014 pelo MPT. Agora tem outra barriga de aluguer. O que é o Partido Democrático Republicano? Alguma vez elegeu alguém? Não, claro. Mas já conseguiu enorme protagonismo neste debate. Se o PDR foi convocado, porque não a IL ou a Aliança?

    2. Ninguém veria?!

      Uma televisão privada, como qualquer actividade privada, só tem razão de existir caso a sua actividade não implique um prejuizo para a comunidade. Ora considerando que o acesso à informação, por parte do eleitor, só existe caso Todos tenham acesso aos meios de comunicação tradicionais (de informação), a discrimação, em nome da publicidade a detergentes, impede que o eleitor vote conscientemente, informado, sobre as várias alternativas politicas ao seu dispor, além de impossibilitar que pequenos partidos subam na pirâmide politica. Esta discriminação serve apenas para que o pânorama politico fossilize e serva para que outras plataformas de informação, não reguladas, sirvam de rampa de lançamento a politicos e partidos sem qualquer tipo de contraditório jornalistico, uma das maiores ameaças à democracia

    3. “Trata-se de um debate que ninguém veria e que seria arrasador para as audiências”

      Discordo em absoluto. A politica é sexy, bastando ver que até politicos fazem já capas de revistas, mostrando os peitorais.

      Que tal fazerem-se assim uns debates politicos ao jeito do programa Naked Atraction? É só uma ideia….

    4. Caro Luís, esse argumento das audiências / publicidade não colhe. Primeiro porque os “debates” seriam transmitidos em simultâneo. Segundo porque havendo menos tempo para a publicidade, o custo/preço pago, aos canais, pelas empresas de publicidade, aumentaria. No final as tv não perderiam nem audiência, nem dinheiro.

  2. A SIC tem que seguir um critério qualquer para decidir quem participa em debates.
    Havendo (salvo erro) 15 listas concorrentes às eleições europeias, é impraticável colocar todas essas 15 listas num só debate.
    A SIC escolheu fazer um debate somente com os 6 partidos que já têm representação. Parece-me um critério adequado.
    Seria adequado a SIC fazer também um debate com os outros 9 partidos. Mas duvido que o vá fazer.
    Eu percebo que o Pedro Correia, tal como eu, está especialmente desejoso de ouvir os candidatos dos dois partidos novos Iniciativa Liberal e Aliança. Mas, o facto de esses partidos serem novos não justifica, de forma nenhuma, que a SIC os coloque em pé de igualdade com os partidos que já hoje têm representação parlamentar.
    A SIC deve escolher critérios defensáveis, e segui-los à risca. Não pode, em tempo eleitoral, estar a fazer favores especiais a dois partidos somente por eles serem novos.

    1. O PDR, de Marinho Pinto, tem representação parlamentar? Não. Marinho foi eleito pelo MPT. E no entanto o PDR – partido de um homem só – teve representação neste debate, o que anula o seu raciocínio.

      1. O PDR, de Marinho Pinto, tem representação parlamentar? Não.

        Tem sim – Marinho Pinto é o seu representante parlamentar.

        Marinho foi eleito pelo MPT.

        Pois foi. Mas saiu do MPT, e fundou o PDR. Portanto, quem agora tem representação parlamentar é o PDR e não o MPT.

        Não interessa por que partido é que os deputados foram eleitos, o que interessa é que partido (se algum) eles atualmente representam.

        1. Que disparate. Um gajo é eleito pelo Partido da Gaivota, a meio da legislatura manda às malvas esse partido e funda o Partido da Andorinha, que não foi a votos.
          E vem você dizer que o Partido da Andorinha, que não teve um só voto, tem afinal “representação parlamentar”.
          Como é que um partido sem um só voto pode ter “representação”?

          1. Como é que um partido sem um só voto pode ter “representação”?

            A vida é de facto muito injusta, Pedro, mas é mesmo assim.

            A representação de um partido são os deputados que esse partido tem. Quer ele tenha tido muitos votos, quer poucos, quer, até, nenhuns.

            É o caso do PDR, que não teve votos nenhuns, mas tem um representante no Parlamento Europeu.

            Enquanto que o MPT, coitado, teve muitos votos, mas atualmente não tem representante nenhum.

            A vida é de facto muito injusta, Pedro, mas é mesmo assim.

            (Declaração de interesses: nas eleições europeias anteriores votei no MPT. Sinto-me atualmente perfeitamente representado pelo PDR.)

          2. Sou membro da Iniciativa Liberal mas no Parlamento Europeu sinto-me muito bem representado por Marinho Pinto, e é provável que vote PDR na próxima eleição.
            O facto de ser membro de um partido não retira a um cidadão a liberdade de votar em quem quiser.

          3. Então você, sendo da Iniciativa Liberal:

            a) acha muito bem que a IL seja excluída dos debates;
            b) anuncia que votará não na IL mas no tal PDR.

            Caramba, que monumental coerência.

          4. “Enquanto que o MPT, coitado, teve muitos votos, mas atualmente não tem representante nenhum.”

            Eu sei que o MPT está dividido, mas que eu saiba José Inácio Faria, deputado do PE, ainda faz parte do partido.

          5. Eu creio que não.
            Pelo que ouvi numa entrevista à televisão, há uns tempos, o MPT já basicamente nem existe, dado que está financeiramente insolvente (falido).

        2. Marinho Pinto foi eleito devido à exposição mediática, não como politico, mas como polemista. E é aqui que está o ponto. Se os pequenos não têm acesso aos meios de comunicação social então o regime dificilmente se regenera. Há 15 partidos? Azar…também há impostos a mais e o pessoal/empresas pagam-nos.

          1. É o corolário da futebolização da política nas pantalhas televisivas. Tal como no futebol há muitos clubes mas só três têm direito a tempo de antena nos canais “informativos”, também na política só quatro ou cinco partidos são contemplados por este ‘numerus clausus’.
            Depois admiram-se por cada vez menos gente ver os canais de televisão e preferir outras plataformas informativas.

  3. Já o mesmo critério foi usado nas presidenciais. Lembra-se com certeza do coro de ofendidos que se levantou quando a ERC tentou forçar que todos os candidatos participassem em debates e não houvesse rondas separadas de debates em que os candidatos apoiados pelos maiores partidos nunca se encontram com os outros. Na altura considerava-se que não excluir candidatos considerados marginais era disparate.

    Uma nota: Uma televisão privada também tem ideologia política. Se tem uma lógica de mercado vai defender os acionistas e quem os acionistas quiserem.

    Se bem percebi da sua referência à televisão, a RTP sozinha era muito má, por isso, e graças a Deus, vieram as televisões privadas porque hoje temos três entidades todas iguais e de má qualidade.

      1. Se fosse saudoso do canal único estava nas minhas sete quintas. Os canais atuais são todos iguais.

        A falta que cá faziam os programas do tipo “quem quer casar com” e os telejornais de 2 horas a falarem 50% do tempo de futebol, 25% de comida e nos outros 25% a transmitirem acriticamente comunicados de gabinetes de imprensa.

        O canal único é mau, mas para associar privado a qualidade de informação é preciso não ter vivido cá ou andar muito distraído.

          1. Está a repetir-se.
            Quando não sabe o que dizer foge-lhe muito o pé para ataques pessoais.

          2. Não sente ainda mais saudades do tempo em que só havia telefonia e não havia sequer essa coisa tão desagradável que se chama televisão?

  4. O regime protege-se com o apoio da C.S., também ela dependente do Estado e quem ele controla.
    Se há tempo de sobra para as baboseiras do BE, PEV, PAN, para já não falar em Cristinas, também haverá para ouvir os outros candidatos.
    Não têm audiências? Não sei, só vendo.

  5. Até acho normal existir esse critério.

    Mas acho completamente anormal que não se faça um segundo debate com os restantes. E se as estações privadas não o fazem, a pública (com 3 canais um deles de informação), seguramente deveria organizar um debate aberto a todas as listas que queiram participar (se as “principais” não estiverem interessadas, problema delas).

    Bastante mais complicado é traduzir o mesmo critério de forma justa para as presidenciais.

  6. Nada que provoque espanto: o próprio Balsemão, que se fez passar fugazmente por liberal e por paladino da liberdade da iniciativa privada já nem disfarça e faz guerra aberta à atribuição de novas licenças de estações de tv.

    Dobram-se todos, é uma vergonha.

  7. Parece que na próxima terça-feira a SIC vai fazer um debate com os 7 partidos que não estiveram presentes no debate anterior. Pelo que, este post perde a sua razão de ser.
    Faz bem a SIC: dá voz a todos os partidos, mas de forma exequível (isto é, não com todos os 15 no mesmo debate), e, dentro dessa forma exequível, dividindo-os de acordo com um critério claro.

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