Europeias (11)


Pedro Correia,

 

 

 TOCA A ACHINCALHAR

 

Li este texto uma vez, e outra. E tive grande dificuldade em acreditar no que lia. Parece-me inconcebível que uma candidata ao Parlamento Europeu, órgão político que deve ser o reduto supremo da cidadania, aluda assim a uma dirigente política só porque esta cometeu o pecado de pertencer a outro partido. Mais que isso: concebo mal que uma mulher se dirija assim a outra mulher, sendo ambas políticas. Isto porque fui escutando, ano após ano, como justificação definitiva para a introdução de quotas sexuais nas listas eleitorais, que as mulheres têm uma forma muito diferente dos homens de estar na política. São mais elegantes, mais cordatas, menos explosivas, menos cavilosas, resistem sem dificuldade à tentação de achincalhar o adversário – presumia eu. Enganei-me redondamente: Ana Gomes acaba de me demonstrar até que ponto eu estava errado.

 

ADENDA: Vital Moreira, cabeça de lista do PS e parceiro de blogue de Ana Gomes, reitera aqui a sua aversão aos ataques pessoais na política. Nada mais a propósito: só posso concordar. Ressalvando, naturalmente, o que assinalei aqui.

17 comentários em “Europeias (11)”

  1. Pedro:

    Uma das coisas, que eu, mais detesto na politica, é dizer-se uma coisa e na prática fazer-se o oposto.
    Mas, em relação, á lista destes candidatos socialistas, nada me surpreende, pois seguem, á risca, o que “o grande líder”, faz ou seja igual, são inúmeros os casos em que disse uma coisa e fez outra.
    Muita propaganda, sabem eles fazer, porque de resto, “bem aventurados os pobres de espirito…”
    Estamos conversados!!!

  2. Caro Pedro Correia, não percebo essa sua susceptibilidade. Quem com ferros mata com ferros morre. Além de que não concebo nada essa história de que as mulheres se têm de tratar com mais ou menos punhos de renda e na suposta “maneira diferente de fazer política”. Essa coisa causa-me arrepios. Pessoalmente não gosto nem de uma nem doutra, por razões muito diferentes, que me dispenso agora aqui de enumerar….

    1. Cara Ariel,
      Respeitando muito a sua opinião, creio não devermos colocar no mesmo plano a crítica política subjacente
      à expressão «candidatura-fantasma», em referência ao facto de AG se candidatar simultaneamente ao Parlamento Europeu e à câmara de Sintra, ao troco que lhe é dado. No mínimo, chamar-lhe-ia de péssimo gosto. Mas admito que ando a ficar antiquado: ainda prezo uma certa elegância na troca de argumentos. Na política e não só.

      1. Caro Pedro, percebo os seus argumentos. Só que a elegância deve ser pedida aos dois lados. E a grande maioria da argumentação política que por aí grassa é tudo menos elegante… a começar na Assembleia da Republica, nem vale a pena lembrar exemplos recentes…mas sim a
        AG sempre foi “peixeira”, sem ofensa para estas últimas

  3. Sou mulher e até algo crítica do modo como as mulheres estão habitualmente no mundo da política (dos homens), mas neste caso não posso aceitar a sua crítica. Quem começou por achincalhar a adversária política foi M. F. L que a tratou de «candidata fantasma», desse modo sujeitou-se ao troco que, pelo seu humor e alguma subtileza, não deixa de ter um toque feminino.
    Saudações feministas

    1. Adília: rendo-me ao seu argumento de peso – o feminismo. AG foi subtil, foi requintada, demonstrou inteligência e uma elegância a toda a prova. Se um homem chamasse “bruxa” a Manuela Ferreira Leite seria um burgesso e um casca-grossa. Só por ser homem. Confesso: estou mesmo rendido ao seu feminismo.

  4. Caríssimo, vamos lá a saber, a outra senhora qualifica a candidatura de Ana Gomes de “fantasma”; demonstrando um humor subtil, esta responde INDIRECTAMENTE e a outra leva para o tabaco: para bom entendedor meia palavra basta.

    O senhor fica ofendidíssimo com isto. Olhe, sabe que mais, fico muito mais ofendido com a “suspensão da democracia”, com o casamento servir para “procriar” e com certas opiniões acerca dos homossexuais do que com semelhante troca de mimos.

    Boa tarde.

    1. Caríssimo,
      Não sei se aprecia esse estilo de «debate». Eu não. Também não gosto deste género de ironia. Enfim, são gostos.
      (quanto à tal frase sobre a suspensão da democracia, foi aqui devidamente dissecada, sem qualquer complacência em relação a MFL. Ficámos conversados nessa altura)

    1. Tenho criticado muito MFL e feito vários elogios a AG. Aprecio muito mais o estilo desassombrado da eurodeputada socialista do que o da presidente do PSD, que não convence muitos dos próprios militantes sociais-democratas enquanto líder política. Talvez por isso me tenha sentido ainda mais decepcionado com a falta de substância e de capacidade argumentativa de AG numa questão que é de facto séria e merece discussão (a acumulação de duas candidaturas que nada têm a ver uma com a outra).

      1. Meu caro,
        eu não estou a defender a AG.
        Estou a dizer que a MFL não tem idoneidade para atacar a AG.
        Quanto à dupla candidatura , isso é política.
        Se reparar bem o Rangel só ainda não foi candidato pelo PSD a Provedor de Justiça…
        Não me admiraria que ainda viesse a ser candidato a 1º.Ministro e a PR…

    1. Volto ao princípio do meu texto, João: pensava eu que o Parlamento Europeu seria o reduto supremo da cidadania. Verifico, com mágoa, que estava enganado. Se tivesse sido um homem a escrever um ‘post’ daqueles, já estava a ser esganado pelas feministas de serviço – incluindo muitas que jamais votarão no PSD.
      Abraço

  5. Eu nunca gostei do estilo saliente e jocoso de Ana Gomes, sempre em bicos de pés em todas as frentes. Prefiro, à légua, a discrição e até a rigidez de Manuela Ferreira Leite, embora reconheça que esses atributos são a antítese do carisma e sejam o seu eterno calcanhar de Aquiles. Neste caso que apontas, é óbvio que a resposta a uma crítica política derivou para a peixeirada pessoal.

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