Um dia destes, um amigo dizia-me que um escritor atinge a sua qualidade máxima por volta dos 36 anos. Depois, é sempre a cair. Este fim-de-semana, li que o Ian McEwan está a escrever um romance sobre as alterações climáticas. Depois do Le Carré e do José Rodrigues dos Santos, eis que a escassez dos recursos chega ao feudo mais canonizado da literatura contemporânea. Confesso que leio as obras mais recentes de McEwan por preguiça de abandono: não gostei de Saturday (pobrezinho, previsível, demasiado correcto), nem de On Chesil Beach (infantil, quase). Parece-me que tenho o argumento final para o deixar nas prateleiras: os 36 anos de McEwan já lá vão. Resta a pergunta: para quando o romance sobre a gripe suína?
Dos livros
cadernoelastico,

Devemos tomar algumas precauções com estas generalizações tão categóricas, Ana Margarida: se levarmos à letra o preceito do teu amigo, a melhor produção de Pessoa e Borges, por exemplo, seria desconsiderada. Parece-me mais interessante a «maldição do Nobel», enunciada salvo erro por Hemingway no ano em que ganhou o prémio: quem o recebe nunca mais escreve com a qualidade anterior. Há inúmeros exemplos a atestar isto. E quaase nenhum a demonstrar o contrário.
On Chesil Beach é aquele do casal em lua de mel e casamento não consumado? Por acaso, até achei piada ao livro…
Não concordo com a teoria dos 36 anos. António Lobo Antunes e Mia Couto já os ultrapassaram há muito e continuam escritores de excelência, por exemplo.
E o Saramago então nem se fala…
Também. Na idade e no resto. O Memorial foi escrito já ele teria muito mais do que trinta e seis…