Eterna dualidade de critérios…


escafandro,

Quanto aos pensionistas, não precisam sequer de perder tempo a fazer contas à nova situação do seu orçamento familiar. O aumento mais elevado vai atingir 2,5 euros por mês, para as pensões de 628,8 euros por mês. A partir daqui, não haverá aumentos. Quanto às pensões mais baixas, até 262 euros, o aumento vai ser de um euro por mês – já agora, a proposta do PSD/CDS era de um aumento de 2,5 euros para estas pensões mais baixas.

É mesmo assim e não vale a pena iludir a forma como estas coisas são vistas: se um governo de esquerda aumenta as pensões mais baixas em um euro está a fazer uma política social, de combate às assimetrias e de irradicação da pobreza; se um governo de direita aumenta essas mesmas pensões em 2,5 euros, está a fazer uma política de pobreza, miserabilista, austeritária e neoliberal.

Paulo Ferreira, no Observador.

19 comentários em “Eterna dualidade de critérios…”

  1. Bem, este aumento, de 2,5 euros, pelo menos, dá para uma de duas coisas:

    Para mais uma caixa por mês de Ben-U-Ron, de 500 mg, com vinte comprimidos, para o alívio das dores;

    Ou para mais três chamadas por mês para aqueles programas em que se liga para o 760 XXX XXX, para ganhar um carrão e o tal cartão de débito com uns milhares de euros.

    Pobre país!

    1. 2,5 no máximo. O aumento é de 1 euro para as pensões mais baixas – que teriam 2,5 com um governo PSD e CDS (assumindo, claro, que estes conseguiriam fazer passar a proposta na Assembleia, vencendo as acusações de falta de sensibilidade social).

  2. Não custa a perceber. As pessoas são diferentes (até a mesma pessoa não pensa da mesma maneira em ocasiões distintas) e encaram a realidade do seu ponto de vista. Há variedade, é um facto. Daí o debate ser uma coisa importante. Provavelmente se todos vissem tudo do mesmo modo, o debate seria inútil e em política nem haveria partidos.

    1. Percebo o que escreveu, não a aplicação ao caso. Como é que um aumento de 1 euro nas pensões mínimas pode ser visto como “mais social” do que um aumento de 2,5 euros? Quando muito, pode dizer-se que a diferença não é particularmente significativa.

      1. Um euro conquistado em resultado da heróica vontade de um povo que expulsou a direita do poder, após uma claríssima derrota eleitoral dessa força do mal, e laboriosamente conseguido pela lídima vontade e luta da aliança da esquerda que abnegadamente serve esse povo, é sempre mais valioso e digno – “mais social”, deve ser isso – do que dois euros e meio, lançados arrogantemente sobre a plebe, como esmola humilhante pela sua submissão ao grande capital e aos fiéis fantoches que este instalara no poder.

        Há-de ser isto.

        Ou coisa parecida…

        Costa

  3. Exactamente. Acrescente-se o ar sumamente ridículo, mas magnanimo, dos Ministros ao repetirem o anúncio de semelhante esmola.
    Claro que não se atrevem a mencionar o valor do “aumento” nas pensões.
    Políticos, políticas de esquerda no seu melhor.

  4. O texto é um sofisma.
    Nas políticas sociais, os governos liberais aplicam sistematicamente uma estratégia, proverbial de tão velha que é, mas ao contrário: dão dois passos a trás para dar um para a frente.
    Primeiro, cortam 100.
    Depois, aumentam 2,5.
    Finalmente, apregoam e reivindicam que os rendimentos das pessoas, que menos ganham, aumentaram 2,5%.
    O mesmo se passa com o emprego.
    E mandam dizer que o país está em plena recuperação.
    E não é que muitos dos espoliados vão na cantiga?!…

    1. Quem é que foi espoliado?

      Se lhe cortarem o cartão de crédito porque ameaça não pagar é um espoliado?

    2. Meu caro, com as ilusões de quem acha que pode distribuir antes de criar (e não apenas o PSD as teve frequentemente como muita gente por lá gostaria de poder continuar a tê-las) os aumentos e recuos são ainda maiores porque as contas se tornam insustentáveis. E depois alguns aumentos até se limitam à retórica.

  5. Pensava que esta forma de fazer política já tinha passado, mas, infelizmente, é o que se vê: anunciam-se isenções de sobretaxa a quem nunca a pagou – isenções até 7.00 euros por ano – e dizem que as pensões até 628 euros vão ser aumentadas em 1,4% – ou seja, no máximo até 2 euros e meio por ano – quando esse acréscimo apenas compensa o que esses pensionistas perderam este ano, por força da inflação. Ou seja, quem recebe pensões até 628 euros vai receber o mesmo valor, pois a pequena correcção que vão fazer às suas pensões apenas serve para lhes manter o poder de compra que mantiveram, no ano que está a acabar.
    Em conclusão, em vez de anunciar um simples acerto ou uma simples actualização e anunciar isso como um aumento – aliás de valor ridículo -, não passa de uma forma baixa de fazer política, ou seja, de um tiro nos pés dos actuais governantes, especialmente nos pés do actual ministro da segurança social, que tinha obrigação de não cair nesta armadilha própria de um “chico-esperto” e nos pés do ministro das finanças que, como muitas asneiras deste género, não demora muito que deixe de rir e passe a chorar, sem falar no primeiro-ministro que afinal demonstra incapacidade para pôr a sua máquina de propaganda a funcionar correctamente, como se pensava.

    1. Para governo de um partido que perdeu clamorosamente as eleições e que, portanto, não deveria gozar de qualquer período de estado de graça, a máquina de propaganda até se encontra a funcionar bastante bem. Um governo PSD/CDS em condições similares estaria a ser trucidado pelas elites bem-pensantes (e bem instaladas).

  6. Pensava que esta forma de fazer política já tinha passado, mas, infelizmente, é o que se vê: anunciam-se isenções de sobretaxa a quem nunca a pagou – isenções até 7.000 euros por ano – e dizem que as pensões até 628 euros vão ser aumentadas em 1,4% – ou seja, no máximo até 2 euros e meio por ano – quando esse acréscimo apenas compensa o que esses pensionistas perderam este ano, por força da inflação. Ou seja, quem recebe pensões até 628 euros vai receber o mesmo valor, pois a pequena correcção que vão fazer às suas pensões apenas serve para lhes manter o poder de compra que mantiveram, no ano que está a acabar.
    Em conclusão, em vez de anunciar um simples acerto ou uma simples actualização e anunciar isso como um aumento – aliás de valor ridículo -, não passa de uma forma baixa de fazer política, ou seja, de um tiro nos pés dos actuais governantes, especialmente nos pés do actual ministro da segurança social, que tinha obrigação de não cair nesta armadilha própria de um “chico-esperto” e nos pés do ministro das finanças que, como muitas asneiras deste género, não demora muito que deixe de rir e passe a chorar, sem falar no primeiro-ministro que afinal demonstra incapacidade para pôr a sua máquina de propaganda a funcionar correctamente, como se pensava.

  7. Sr Ministro da Segurança Social

    Fico-lhe imensamente grato pelo eurito que Vexa condoído pela minha pobreza me vai aumentar… Deus o proteja.

    Boas Festas para Vexa sua Vexa família

  8. E como é que a PAF aumentava 2.5 euros nas pensões, se já se havia comprometido em Bruxelas com um corte de 600 milhões nas mesmas?
    Promessas são garantias?

  9. Caro José António Abreu
    É tudo uma qüestão rethorica.
    Um bom argumento para a direita. Um bom argumento para a esquerda.
    Qual e o que para e qual e o que nao para?
    E fica tudo cu recto.
    Boas pedaladas.

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