Estudantes de Bruxelas e Alterações Climáticas


jpt,

eco.jpg

Há dois meses aqui botei um texto sobre uma manifestação em Bruxelas, cerca de 300 estudantes liceais a reclamarem mais e melhores políticas de protecção ambiental. Fi-lo com esperança, a de que a nova geração possa movimentar-se obrigando a algumas necessárias e urgentes alterações nas práticas produtivas e consumistas. (E fi-lo com orgulho, vendo a minha filha integrar-se activamente numa acção cívica. Ainda para mais porque me enviou uma bela fotografia que lhe fizeram durante a manifestação, que usei, pai babado, no postal. Tal como usei um trecho do belo texto que ela escreveu para aquele movimento). 

Passaram dois meses. Neste período a Bélgica tem tido posições internacionais absolutamente anti-ecológicas, nisso minoritária na União Europeia, pois tem o governo cativo das posições da extrema-direita flamenga (e tem uma ministra do Ambiente que é patética, para não dizer pior) – e é interessante ver como estes movimentos actuais de direita profunda, conservadora, são visceralmente anti-ecologistas, ao invés do tradicional anti-industrialismo da antiga direita conservadora. A sua base social é agora a pequeníssima-burguesia urbana, já não o mundo rural …  

Entretanto o movimento dos jovens liceais então iniciado cresceu. Dos 300 manifestantes de há dois meses passaram a 12 mil a semana passada. Ontem foram 35 mil a percorrer as ruas de Bruxelas, e houve manifestações em Namur e Liége, mostrando ao país e aos eurocratas a sua vontade de preservar o meio ambiente e a sua exigência para que os possidentes – nós, os mais velhos – recuem no seu omnivorismo voraz.

0 comentários em “Estudantes de Bruxelas e Alterações Climáticas”

  1. Sublinhas um ponto que me parece certeiro e merece ser desenvolvido: «É interessante ver como estes movimentos actuais de direita profunda, conservadora, são visceralmente anti-ecologistas, ao invés do tradicional anti-industrialismo da antiga direita conservadora.»

    Com efeito, assim é. Acabo de ler um interessante livro – ‘Como Ser um Conservador’, de Roger Scruton – em que este aspecto é devidamente sublinhado. Um genuíno conservador, sublinha o conhecido e controverso professor britânico, é também profundamente ecologista – na medida em que pretende conservar aquilo de que bom existe no planeta.
    Aliás – e não apenas por associação semântica – “conservationist” significa ambientalista em inglês. Eis o primeiro significado do termo, tal como nos é indicado pelo Dicionário Cambridge: «Someone who works to protect the environment from the damaging effects of human activity.»

    1. É uma oportunidade para fazer uma investigação jornalística sobre quem os financia. Até há pouco, não passavam de uns pobres diabos, marginais, nulos intelectualmente, sem acesso a meios financeiros dignos de registo, e a quem ninguém prestava atenção. De um dia para o outro aparecem na ribalta pelo ocidente fora. A única coisa certa é que não foi por geração expontânea.

    2. Um excelente livro de um magnifico pensador, dos mais influentes da actualidade, que tem hoje, tardiamente, o reconhecimento merecido!
      Mas note! Não sei onde o caro JPT foi buscar a ideia de que “…ao invés do tradicional anti-industrialismo da antiga direita conservadora.”, não sei, à excepção dos românticos de XVIII e XIX, não sei onde!
      Scruton ensina-nos o valor inestimável que têm os mores e as regras simples que os densificam. A forma como as comunidades evoluem com uma matriz fundamental. Uma metafísica de costumes sobre a qual se edificam culturas que moldam a geografia, a fauna e a flora à sua imagem e semelhança, e assim prosperam. A indústria representa o estádio do génio e o engenho de uma determinada comunidade na exploração e transformação dos recursos naturais. Evidentemente que uma industria meramente predatória e rapinante será suicidária, não ultrapassa o crivo elementar da razão e da previdência.
      A caça, de que Scruton é um conhecido adepto, espelha a relação cultural do homem com a fauna e a flora, na gestão do espaço e da vida selvagem nos espaços de reserva a esta destinados, não implica a depredação até à extinção das espécies predadas.
      O equilíbrio e o esclarecimento, ou o interesse esclarecido, são fundamentais para a preservação do todo.
      Não alinho com os ambientalistas fundamentalistas! Sou favorável a políticas ambientais que preservem o equilíbrio salutar entre o homem, e o conforto das comunidades humanas, e a manutenção do meio ambiente “natural” (com especial atenção para a água. Sou favorável à domesticação dos cursos de água, hábito humano que já vem de tempos imemoriais, e ao seu represamento e depósito em albufeiras artificiais. Evidentemente com o equilíbrio e a razoabilidade que permitam o curso natural e a subsistência das espécies que desses cursos de água dependem. Requer, sobretudo, engenho humano.)! Sou contrário às políticas ambientais que excluam o homem.

  2. houve manifestações em Namur e Liége

    Por acaso há uns dias conheci uma jovem natural de Namur que está cá em Portugal a fazer um estágio num projeto de conservação ecológico na região de Lafões.

    1. Aquilo em Namur é muita siderurgia, muito ferro, muita poluição. Esperta, a rapariga. Até eu prefiro o maduro de Lafões aos ares de Namur.

      1. Aquilo em Namur é muita siderurgia, muito ferro, muita poluição.

        De verdade? Ainda hoje é isso?

        Eu já vivi em duas cidades que têm fama de ser isso (Dortmund e Pittsburgh) e constatei que nenhuma delas o é. Embora já o tenham sido. Creio que Namur será a mesma coisa: no passado terá sido ferro e poluição, hoje ainda será?

  3. Já há uns bons anos que o segundo periodo escolar não era tão extenso. Ter aulas durante tantas semanas seguidas não é ecológico.

  4. Não, «estes movimentos actuais de direita profunda, conservadora» NÃO «são visceralmente anti-ecologistas». Isso é um disparate. O que acontece é que não confundimos preocupações ambientais legítimas com fraudes, aldrabices, «baseadas» em dados falsificados e em sucessivas previsões catastrofistas que não se concretizam… e que constituem pretextos para tentativas de condicionamento da liberdade económica, de aumento da carga fiscal e de redistribuição (forçada) de riqueza. A questão das «alterações climáticas» mais não é do que marxismo na sua versão «melancia» – verde por fora, vermelho por dentro.

  5. alem de que ecologia, sendo muitissimo, também é pouco, a referencia ao filosofo também nao ajuda nada ao entendimento da coisa.

    Uma coisa é o odio , por parte dos conservadores, á industrializaçao, pois levou as pessoas, as pessoas divorciaram-se, tornaram-se pessoas.

    mas nao é dito aqui o que incomoda os conservadores, o que temem os consevadores com as regras ecologias, deixarem de poder produzir á bruta, sem regras, poluentes ?

    evidentemente (quase ) todos desejamos uma sociedade saudavel, mas entre nos existem ecologistas ás 2º 4º e 6as… ainda havera individuos que porque democraticos nao sao contra o divorcio, mas nao o aceitam na sua vida conjugal. Teoricamente o industrial poluente prefere produzir sem poluir

  6. Milhares de estudantes manifestam-se em defesa do Planeta
    – fonte:
    VISÃO

    neste momento o sapo está a mostrar este titulo

  7. idealista
    Assim são as nove ilhas artificiais ecológicas que a Dinamarca quer construir
    Redação 18 horas atrás

    e mais este titulo do momento, no msn.

  8. Pergunto porque sendo a nova direita profunda visceralmente (geneticamente, portanto, já que vem mesmo do âmago) anti ambientalista (e que é absolutamente minoritária em toda a Europa e se fosse feito um inquérito global se calhar descobriamos que em todo o mundo) os estados persistam em políticas lesivas da proteção do ambiente e não se note evolução mais rápida no combate às alterações climáticas que resultem da ação do homem sobre o meio ambiente. Se é/for evidente para a maioria é uma absoluta incongruência que vingue a posição da minoria menos esclarecida. Sendo hoje a política nacional e internacional mais do que nunca uma questão de equilíbrio, negociação e troca de benefícios mútuos entre países, organizações, partidos políticos, movimentos sociais, etc..que se influenciam decisiva e reciprocamente para alcançar objectivos comuns e que se consensualizam para a prossecução do bem comum , há algo que continua por demonstrar relativamente à lógica por detrás do curso que as coisas tomam (ou se diz que tomam) por comparação com o cientificamente já estabelecido e que é maioritariamente aceite como bom, no mundo inteiro. Não dominando o tema e reflectindo apenas por raciocínio lógico, acharia útil ver confirmado para além da afirmação (que aceito à partida esteja cientificamente comprovada) que existe realmente uma “direita profunda” visceralmente anti ambientalista. Existe mesmo essa coisa de direita profunda? E existe uma direita superficial? Também existe ambientalismo profundo e ambientalismo superficial? E esquerda profunda e esquerda superficial? O que é que caracteriza mesmo do ponto de vista da defesa do ambiente cada uma destas profundidades ou superficialidades políticas? Só haverá egoistas e gente pouco inteligente na direita e na geração mais velha ou afinal isso não é um dado estatístico e pode classificar-se agora inteligência, clarividencia e altruísmo ambiental = esquerda vs estupidez e ganância = direita? Desculpem os defensores da tese mas parece uma catalogação simplista demais.

  9. Dizem que a hipocrisia na juventude não é defeito, por incapacidade de reconhecer as auto-contradições. O problema é quando avançam para a idade adulta ainda no mesmo estado de inconsciência…

    Por cá temos um bom barómetro para aferir do activismo ecológico estudantil: basta observar o estado das ruas após a passagem do cortejo da Queima das Fitas.

  10. Ecologia na cabeça da malta nova é preferir os telemóveis da marca Apple por serem de produção biológica.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *