O CAIXEIRO-VIAJANTE IA DE GÔNDOLA
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Angelina Jolie está deslumbrante nesta longa-metragem que parece ter sido (e provavelmente foi mesmo) subsidiada pelo Turismo de Veneza. Quem nunca a viu noutros filmes (no deslumbrante Changeling, de Clint Eastwood, por exemplo) ficará certamente rendido a tanta fotogenia. Quem já a conhece, no entanto, percebe que aqui não se vislumbra sequer um simulacro de actriz: deparamos apenas com uma capa de revista.
Por outro lado, quem nunca foi a Veneza deixa-se hipnotizar provavelmente por esta colecção de bilhetes-postais. Porque O Turista, no fundo, nada mais é que isto: Angelina Jolie em pose e uma sucessão de postais. Mas o melhor mesmo é ir lá: agora até há viagens baratinhas graças aos voos de baixo custo. Alguns custam pouco mais do que um bilhete de cinema. Caro, só andar de gôndola…
E Johnny Depp? Faz de caixeiro-viajante, em propaganda nada dissimulada aos cigarros electrónicos. Se fosse português, chamar-lhe-íamos Chico Esperto. Sem exagero de qualquer espécie.
Qualquer semelhança entre isto e cinema é pura coincidência. A mim, confesso, deu-me até para bocejar.
O Turista (The Tourist, 2010). De Florian Henckel von Donnersmarck. Com Johnny Depp, Angelina Jolie, Paul Bettany.


O filme é uma treta monumental, mas embrulhada em embalagem de luxo. Enfim, vele pelos cartões postais que referes – Veneza é sempre um espectáculo comovente – e pouco mais. Até o Depp, que é um bom actor, parece apatetado neste papel medíocre. A Jolie vale o que vale: um belo cartão postal, uma “lavagem de olhos” a condizer com o cenário.
Que desilusão, esta xaropada.
Ó como é bom recordar o que dizia Gervais nos Globos de Ouro a propósito do filme…
Pois…