Este (também) já não prende mais ninguém


Rui Rocha,

 

Hosni Mubarak nasceu em 1928 em Kufr el-Musailaha, uma aldeia situada no delta do Nilo. Filho de modestos agricultores, fez carreira no exército. Formou-se como piloto militar na ex-URSS e o seu desempenho na Guerra de Yom Kippur valeu-lhe o posto de Chefe da Força Aérea. Em 1975, Anuar el Sadat nomeou-o Vice-Presidente. Seis anos mais tarde, assumiu a Presidência na sequência do assassinato de Sadat. Assinou os acordos de Camp David, optando por um claro alinhamento com os EUA e foi, aos poucos, contornando o isolamento inicial que tal posição lhe valeu no mundo árabe. A sua permanência no poder ao longo de cerca de 30 anos resultou de sucessivos plebiscitos, apesar de ter prometido por várias vezes promover a realização de eleições livres. Durante as três décadas em que exerceu o poder montou um Estado totalitário, corrupto e militarizado. Mais de 50 milhões de egípcios nunca conheceram outro Presidente. E, de acordo com os planos de Mubarak, esperariam mais alguns anos até conhecer o próximo, o seu filho Gamal. Todavia, hoje, 11 de Fevereiro de 2011, como resultado da revolução que eclodiu nas ruas do Cairo e em confluência com os ventos de liberdade que sopraram da Tunísia, foi obrigado a abandonar o poder e a entregá-lo ao exército. Começa, assim, a história do novo Egipto. Esperemos que as páginas seguintes se escrevam em liberdade. E que se encerre definitivamente o capítulo da tortura, da opressão, do sangue e do sofrimento.

10 comentários em “Este (também) já não prende mais ninguém”

  1. O Egipto deu o mote, para o que pode ser uma mudança no mundo árabe tal como o conhecemos hoje. Mas uma mudança para onde e com quem…
    Entendo tudo isto como uma “crise de valores”, que só não explodiu mais cedo e, de forma violenta, por causa da história de um país que se escreveu sempre na primeira pessoa: a Jordânia de Hussein.

      1. Conhece bem o mundo árabe? Lidei de perto – não posso dizer que tenha convivido – com algumas populações islamizadas. As suas aspirações, pelo pouco que me apercebi, tinham pouco a ver com as nossas. Como será “um melhor futuro para eles? Uma democracia do tipo ocidental? Espero que não caiam nessa! Uma democracia como a ensina o Corão? É tão mal interpretada por tanta gente! Vão inventar uma? São gente nova, deviam fazê-lo!
        Têm slogans iguais aos nossos como a exigência de liberdade! Mas para quem fazer o quê?

    1. Diz bem, Francisco. Não vai faltar por aí empreendedor com vontade de construír uma colónia de férias para esta boa gente. Pode ser que tenha grades estreitas…

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