“Seguro é um líder de transição, ideal para fazer a travessia do deserto e depois queimar” – foi isto que ouvi a seguir à sua eleição para secretário-geral do PS, incluindo a militantes socialistas que votaram nele. Não acredito que Seguro não soubesse desta estratégia. Os quase 68% de votos que obteve contra Francisco Assis continham o germe da sua destruição. Estava escrito, assim que o poder voltasse a cheirar a rosas, haveria sangue.
É assim a política. Ele sabia, mas quis este desafio para provar aos cínicos e a si próprio que era capaz, alinhado com os ditames da psicologia da moda que proclama que podemos ser o que quisermos. Dizem que o Tozé é uma pessoa séria, empenhada, decente. É o que parece. E de facto os media sempre o trataram com a condescendência reservada às boas pessoas que se movem com desconforto no meio dos lobos. Por seu turno, os portugueses há muito lhe perceberam na colocação da voz e na atitude o quanto ele gostava de ser mais convincente e carismático. Na selva estas coisas cheiram-se, é atávico.
Não, não é verdade que se possa ser o que se quiser apenas porque se bate o punho. Vozes de gajos porreiros não chegam ao céu da política.


No bombo da festa toda a gente manda umas pancadas.
Bater no ceguinho não faz o meu género, caro Manuel. Passe bem.
a psicologia da moda que proclama que podemos ser o que quisermos
Excelente observação.
Quando eu era jovem, isto é, há 30 anos, a psicologia tinha, pelo contrário, o “princípio de Peter”, o qual afirmava, e ainda afirma, que todas as pessoas têm um “limiar de incompetência”: podem ser muito competentes em funções abaixo desse limiar mas, se lhes são atribuídas funções para lá desse limiar elas mostrar-se-ão dramaticamente incompetentes.
Outros tempos, menos equívocos.
António Vitorino, que é de longe o mais esperto deles todos, é que os pôs no lugar: não foi apenas o Tozé que teve uma “vitória de Pirro”, foram todos os socialistas que andaram na campanha, incluindo o Costa. Ora se o Costa também contribuiu para “ganhar por poucos”, não se percebe o que é que o leva a crer que mais tarde pode vir a ganhar por muitos. E com a tralha socrática em peso a apoiá-lo não me parece que vá muito longe. Mas desde que vi um urso a conduzir uma mota entre o Saldanha e os Restauradores, já acredito em tudo!
Entretanto e de acordo com as imagens da SIC, o Tozé parece que tem lepra: a cena da selfie que ele tentou fazer com os jornalistas foi patética. Juro que até eu fiquei chocado com aquilo.
Não por acaso corre que o PSD e o CDS torciam para que a mais que previsível tareia que levassem nas europeias ao menos revertesse a favor de Seguro. Para que nas legislativas fosse ele o adversário…
Também me impressionou a cena da selfie. Não foi comigo, mas encolhi-me.
Estou de acordo. E o pior foi Seguro a dizer “então fogem todos?”
Mas diga-se de passagem que também não lembra a ninguém chamar os jornalistas para uma selfie. Os constrangimentos eram mais que previsíveis.
Excelente análise Teresa. E eu, quase tenho pena de Seguro.
Em política ser bom menino não compensa. É preciso, até, saber ser mau menino sempre que a ocasião mande. É o preço a pagar por quem decide fazer política…
Obrigada, Helena. Pois, também “quase tenho pena” dele, porque sempre acreditei que Seguro seria capaz de se empenhar genuinamente na causa pública. Toda a gente diz que é um tipo sério, decente. Mas como dizes, para vingar na política isso não chega.
E pelo que se vê, toda a gente prefere uma má mentira dita por um mágico a uma boa verdade dita sem truques de ilusionismo. Se o preço é a subversão, teremos de combater os subversivos porque estamos no limite do aguenta, aguenta.
A política é um jogo muito subversivo, LNT. Perdoe-me o cliché.
Na mouche, Teresa Ribeiro. Disse tudo!
Não acompanhando em pormenor o lider socialista a impressão com que fico é dum desastrado, que diz de tempos a tempos umas destemperadas frases que se espalham dando uma imagem de incapaz. não cabe na cabeça dum turco com o desastre democratico que foram os resultados eleitorais vir com a palhaçada de grande vitoria. não há duvida que o P.Coelho bem pode arranjar um tacho dourado para este grande amigo seguro.
Resumindo. O que interessa é vencer.
Aquela preposição é mesmo um a ou é um de? (é que eu vejo mal)