Somos maus a prever o futuro e esquecemos facilmente as ansiedades do passado. Os europeus de hoje discutem a contabilidade dos programas de ajustamento, queixam-se da crise e dos impostos elevados, mas dificilmente podem dizer que enfrentam uma ameaça existencial. Nos anos 80, quando o império soviético mostrava crescentes sinais de fissuras internas, discutiu-se a possibilidade da Terceira Guerra Mundial. Os exércitos convencionais eram gigantescos e haveria no centro da Europa um choque militar de dimensões titânicas.
Soube-se mais tarde que os soviéticos tiveram, no final dos anos 70, um plano para invadir a Alemanha Ocidental que os colocava em sete dias nas margens do Reno. Por sua vez, os ocidentais fizeram planos detalhados para esmagar o bloco socialista, com ou sem uso de armas nucleares em larga escala. As estimativas dos devastadores bombardeamentos estratégicos davam geralmente a vitória aos ocidentais, com apenas cem milhões de vítimas, contra o total extermínio dos comunistas, mas os optimistas da época esperavam que decorresse uma guerra quase exclusivamente convencional, com poucas bombas nucleares e baixas civis limitadas, apenas na ordem das dezenas de milhões. Todos estes casos erravam em relação à disposição do outro lado de usar os arsenais atómicos, que somavam 60 mil ogivas. Elas teriam sido lançadas, mesmo em operações de objectivos limitados. A doutrina estratégica da época, destruição mútua assegurada, tinha um acrónimo inglês, MAD, apropriado à loucura de todos estes planos militares. Os poucos sobreviventes dos bombardeamentos teriam morrido mais tarde das alterações climáticas, do colapso civilizacional e do envenenamento radioactivo.
O facto é que houve vários incidentes que quase provocaram uma guerra geral, incluindo problemas de computadores e líderes a entrarem em paranóia. A civilização podia ter acabado em 1953, em 1962, em 1983, mas a queda no abismo foi sendo evitada à última hora pela intervenção de felizes acasos ou palpites de heróis anónimos. Em 1914, não houve tanta sorte. Quando ouço previsões pessimistas em relação às crises de hoje, lembro-me das história esquecidas em que quase morremos todos. Somos maus a prever o futuro e somos péssimos a lembrar o passado, embora não pareça existir alguma crise actual que se compare à perspectiva, bem concreta durante 40 anos, de um suicídio quase instantâneo da própria espécie humana.


Uma analise cuidada dos resultados que advêm para a sociedade dos “grande” esforço destes peritos – militares , como até economicos ou até politicos, provavelmente demonstraria como se gastam recursos exagerados à conta dos expurgos cerebrais desses por vezes lunaticos. Quando reparo nos sucessivos flops, felizmente mais economicos e financeiros de tanto arauto, vêm-me sempre os calafrios do que se tem gasto em tropas e estartegas de coisa nenhuma. E a esperança vã de que um dia os meus co leitores votem por um modelo tipo Costa Rica.
Desde que publicou este poste tenho andado num dilema, pois quando diz que os perigos estão afastados quanto ao morrermos quase todos, por um lado, não sei se lhe dê factos que podem comprovar que o perigo é bem maior ou deixar que viva na falsa ilusão de segurança e na paz de espírito que ela dá. ness-interview-eugene-kaspersky-cybersec urity-terrorism-davos-sony-hack/
Quando as armas nucleares estavam só em dois blocos, na chamada Guerra Fria, havia uma noção clara que se podiam destruir mutuamente. Presentemente, há países que têm essas armas nucleares e nem sequer têm noção do perigo e são demasiado loucos para as poder usar a qualquer momento. Mas há pior que isso, porque a Caixa de Pandora já foi aberta há muito tempo quando surgiram os primeiros vírus informáticos. Não sei se se lembra das primeiras centrifugadoras nucleares no Irão que foram destruídas uma a uma só com um vírus informático.Na Wikipédia procure Timeline of computers viruses and worms e é apenas o que nos deixam saber. Tudo começa a estar ligado à Net e mesmo que não esteja, basta usar uma Pen USB para transmitir o vírus. Agora imagine terroristas que não precisam sair do sítio para fazer rebentar centrais nucleares, redes eléctricas, aviões em pleno vôo… Mas se não acredita em mim, veja a entrevista do que é considerado o maior especialista do mundo sobre essa matéria http://www.france24.com/en/20150129-busi
Só quero complementar o meu comentário anterior que não foi publicado mas posso acrescentar a Lista dos países com armas nucleares.
Temos primeiro os únicos 5 que assinaram o NPT (Non-Proliferation of Nuclear Weapons) Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China
e depois temos: Índia, Paquistão, Coreia do NORTE, Turquia, Israel, Bélgica, Alemanha, Itália, Holanda, Bielorrússia, Cazaquistão, Ucrânia, África do Sul e ainda o Irão e a Síria.
Não há dúvida que para dizer que estamos mais seguros… é preciso ter muita fé na natureza humana, mas depois de ver as decapitações e os atentados terroristas… e na facilidade com que se controla tudo, à distância, através da net… nunca vivemos tempos tão perigosos como nos dia de hoje e nem quero falar do avanço da inteligência artificial e outras coisas que nas mãos erradas, até me dão calafrios.