Estás com medo? Ou estás com medo?


André Couto,

Afinado coro, o das últimas horas, a pedir a demissão da Conselho de Administração da RTP, por este ter opinado contra a concessão da empresa a privados. Surgiram-me, entretanto, uma dúvida e uma certeza. A dúvida é a de não perceber se o anúncio do Mr. Goldman Sachs é, afinal, uma medida oficial, debatida e aprovada em Conselho de Ministros. Opinar sobre cenários durante um debate não me parece motivo de demissão, a menos que se lide mal com a liberdade de opinião. A certeza foi ter percebido o medo que está por trás das sugestões de demissão: gestores públicos, sérios e honestos, que fazem empresas públicas entregarem lucro ao Estado e não aos privados com os quais pouco tem a ver? “Eh lá! É melhor correr com eles não vão as pessoas perceber que a gestão pública, se séria e honesta, como se supõe, reverte o lucro a favor do Estado e não dos interesses da malta…”.

11 comentários em “Estás com medo? Ou estás com medo?”

  1. Na versão facebook recebi esta comentário de Paula Gil que transcrevo aqui por ser um importante contributo:

    “A não esquecer a importância de explicar porque raio uma gestão séria e honesta da “coisa pública” contribui para reverter o lucro a favor do estado. A coisa processa-se tanto directamente com o capital/dinheiro a favorecer o accionista único – o estado – e, através da sua acção, favorecer os contribuintes pela aplicação do seu dinheiro em áreas que tenham em conta o seu interesse e protecção, bem como melhoria das condições de vida – o propósito da existência das instituições governamentais que, caso contrário, são simplesmente, obsoletas! Esta parte final – o re-investimento do dinheiro dos contribuintes, após a sua gestão e investimento correctos – reverte então, indirectamente através de programas sociais e responsabilidade social – das empresas públicas e das políticas estatais implementadas! Para além da prestação de um serviço público que possa contribuir para a consciência e informação e crítica na sociedade, contribuindo para o envolvimento de todas e todos na sociedade e favorecendo o “dito empreendedorismo”.

    A acrescentar que este é o negócio do século: antes de sequer começar, a empresa recebe 150 milhões pagos pelos contribuintes! É como criar uma empresa a custo zero – ou a 25 euros com o simplex 😉 – e receber automaticamente 150 milhões para que este cresça! Não há melhor empreendedorismo, que o empreendedorismo do compadrio!”

  2. Estava isto tão bem orientado para uma privatizaçãozita encaminhadinha e logo agora é que se lembram de apresentar perspectivas de lucros! Mas ainda vai a tempo! Ainda vai a tempo! é verdade deixa-me lá ligar ao Octávio do CM a ver se amanhã sai mais uma manchete. Sempre ajuda!

  3. A RTP dá lucro? Se calhar foi por isso que o governo pagou no 1º trimestre deste ano um emprestimo da RTP de quase 400 milhões de euros.
    O CA sério e honesto da RTP é o melhor do mundo: gaba-se dos lucros que resultam da sua brilhante gestão séria e honesta que consumiu ao longo dos anos larguìssimos milhões de euros dos contribuintes portugueses, e esquece-se de dizer que tem lucros porque não tem de pagar as dividas que contraíu.
    Não é tão bom ser gestor sério e honesto da RTP? Eu tambem gostava de gerir empresas assim, séria e honestamente, mas quando estava em actividade, era responsavel pelos lucros quando os havia, mas tambem tinha de pagar as dividas que a empresa contraía, o que revela desosnestidade e falta de seriedade.
    Anda por aí tanta gente distraída, porque o Mr Goldman Sachs, como acintosamente classifica António Borges (ai a velha inveja lusitana), apenas confirmou o que o Sol já tinha noticiado.

    1. Alexandre Carvalho da Silveira, sabe que a intenção de concessionar o serviço tem mesmo como objectivo que a dívida fique no Estado e os lucros da actual boa gestão sigam para ao privado, não sabe?
      É que pagar por pagar, mais vale ficar com tudo fazendo com que os lucros sirvam a amortização da dívida.

  4. Os donos do Sol talvez sejam os principais interessados neste negócio da china.
    Tanto quanto se sabe, qualquer que seja o modelo de privatização do RTP é inconstitucional , pura e simplesmente porque é um serviço de cidadania.
    Colocar a privatização da RTP no caderno eleitoral, aproveitando o a fase vulneravel, por causa da pessima gestão, não esconde o golpe baixo, é clara incompetência e oportunismo sem escrúpulos das pessoas que subiram ao poder.
    Alguém avaliou o arquivo da RTP?
    Que eu saiba não. Aquilo é uma biblioteca da Historia recente de Portugal, não há valor a dar a isso, isso pertence ao país e não a um qualquer privado. Estamos a falar de património nacional. Já agora para quando a venda do mosteiro dos Jerónimos, da Torre de Belém, ou até quem sabe o Palácio de São Bento? Trastes!
    Pode até ser uma afronta a média salarial da RTP ser de 40 mil euros. Dar cabo a 1 bilião de euros em 4 anos é tremendamente errado. Mas só há uma coisa a fazer: tomar medidas sérias para impedir que tal volte a acontecer.
    Os 140 ou 150 milhões das taxas, devidamente regulados e aplicados na RTP tem de dar para fazer o serviço em condições, o que estiver a mais pura e simplesmente fica de lado e se for o caso, quem estiver a mais ou aceita baixar o ordenado ou então vá procurar trabalho para si, igual a tantos outros portugueses.
    E não venham com a conversa dos direitos adquiridos porque é graças a eles que o país esta como esta.

  5. A discussão acerca da privatização da RTP, tem revelado uma faceta dos portugueses, que de vez em quando emerge na vida publica portuguesa: o masoquismo,
    Quem anda há decadas a ver enterrar o dinheiro dos seus impostos, ao ritmo de um milhão de euros por dia, numa estação de televisão que tem estado ao serviço dos politicos e de uma casta de parasitas que por lá andam a fingir que trabalham, e mesmo assim continua a defender este estado de coisas, ou não está bom da cabeça, ou é masoquista, o que vai dar no mesmo.
    Comparar a RTP com o Mosteiro dos Jerónimos, é sintoma disso mesmo!

    1. Talvez lhe tenha dado motivo para responder assim devido ao meu lapso, o de não ter escrito “não” na seguinte frase do meu manifesto:”Mas só há uma coisa a fazer: tomar medidas sérias para impedir que tal (NÃO) volte a acontecer.”
      Talvez, não quer entender o que eu digo nos últimos 2 parágrafos, sabe-se lá porquê.
      Quanto ao masoquismo, como foi você a trazer a coisa ao de cima, estou em crer que se trata de um acto falhado.

  6. “…gestores públicos, sérios e honestos, que fazem empresas públicas entregarem lucro ao Estado…”

    Mais uma mentira da esquerda ou simplesmente ignorância pateta.

    Não há lucro nenhum numa empresa que precisa de +-300 milhões de euros do orçamento de estado todos os anos.

    É como dizer que uma empresa tem lucro quando os accionistas são chamados a aumentar o capital todos os anos em valor muito superior aos dividendos para tapar buracos.

    1. A adjectivação é sua e não me faz diferença.
      Eu chamo-lhe boa gestão, boa definição de opções e objectividade. Concessionar o serviço servirá para que a dívida fique no Estado e o lucro dos exercícios, porque esses nem sendo pateta os consegue negar, sigam para os privados. Já para não falar no prejuízo que é a qualidade do serviço público ser afectada.

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