Na última edição do Avante!, o neo-estalinismo continua em grande. A pretexto da próxima cimeira da NATO que se realiza em Lisboa, o jornal do PCP salienta que desde a sua criação, em 1949, esta organização «apontava o seu fogo à União Soviética, cujo prestígio no mundo era imparável por ter sido a grande responsável pela vitória sobre o nazifascismo na II Guerra Mundial». Típica linguagem da Guerra Fria: o “órgão central” dos comunistas portugueses parece estar pelo menos há 25 anos parado no tempo, como se Tchernenko ainda fosse o ditador de turno na Moscovo soviética. Por um resquício de pudor, o nome de Estaline não é impresso nesta edição do jornal, mas a glorificação do estalinismo está lá, intacta, na referência ao “imparável prestígio no mundo” da URSS em 1949, então gerida com mão de ferro por Estaline, um dos maiores criminosos da História.
Ao melhor estilo estalinista, o Avante! omite, aliás, que durante dois anos, entre 1939 e 1941, a União Soviética foi aliada de Hitler e Mussolini durante a II Guerra Mundial e só rompeu com o nazismo quando os tanques de Berlim já invadiam o seu território.
O neo-estalinismo do jornal é também muito nítido no noticiário internacional. Repare-se nesta notícia: «A rejeição do convite para conversações por parte da Coreia do Sul é uma expressão de ignorância sobre a actualidade e um acto de traição para com todos os coreanos, considerou Pyongyang. De acordo com informações veiculadas pela agência de notícias norte-coreana, o governo da República Popular Democrática da Coreia convidou o vizinho do Sul para conversações. O objectivo era o estabelecimento de um acordo militar, mas Seul terá rejeitado “persistindo no enfrentamento e na guerra”, disse fonte oficial à KCNA.»
Que vemos aqui?
A defesa aberta e declarada do regime neo-estalinista da Coreia do Norte, o mais repressivo do mundo, que o Avante! – só mesmo ele – apresenta aos seus leitores como amante do diálogo, da concórdia e da paz. Assim se distorce deliberadamente a verdade dos factos, rasurando a fotografia.
Essa mesma página é encimada com a seguinte notícia: «Por aumentos salariais e contra a retirada de direitos / Trabalhadores voltaram aos protestos nas Honduras».
Alguém imagina uma manifestação de protesto de trabalhadores por aumentos salariais na Coreia do Norte “Popular e Democrática”, como tão carinhosamente lhe chama o órgão neo-estalinista do PCP?



Olha aqui o campeão dos direitos humanos e os seus companheiros, não tem nada a dizer sobre o que se está a passar no Sahara Ocidental?
Do mapa dos direitos humanos não faz parte este povo?
Que nome dar a este facto?
Reservado há aprovação da mesa da censura do blog.
Típico. Fala-se em alhos, respondem em bugalhos. E jamais – jamais mesmo – criticam a ‘popular e democrática’ ditadura norte-coreana.
Já criticou Marrocos?
“Reservado há aprovação”
há?
ah!!!
há mesmo.
ah, ah, ah, ah,
não há mesmo, não.
à!
Transportando a sua questão para um plano teórico, faça um exercício: imagine a Catalunha onde o Governo foi derrubado em plena guerra civil. Os sindicalistas da FAI/CNT, ainda que por poucos meses, têm o poder. Vão fazer greve exactamente contra quem? Sim, diga-me, se os trabalhadores algum dia efectivarem o seu poder num sítio qualquer, pode o sindicalismo ser equiparado ao caso português na actualidade?
Bela série de posts que você está preparando para a greve geral. Já é o segundo dos bons.
O seu pressuposto, se bem o entendi, é “se os trabalhadores algum dia efectivarem o seu poder num sítio qualquer”. É um “se” enorme, como concordará. E concordará também que se existe estado no mundo onde isso não se verifica é precisamente na República «Popular e Democrática» da Coreia.
“omite, aliás, que durante dois anos, entre 1939 e 1941, a União Soviética foi aliada de Hitler e Mussolini durante a II Guerra Mundial”
Aahh! O tratado de não-agressão era uma aliança. Boa!
Decorre daí que a Alemanha nazi teve muito mais aliados para além dos soviéticos, se tivermos em conta os tratados de não-agressão da Letónia, Estónia, Polónia…e que dizer da traição de Munique?! Também conta como “aliança”?
Cumprimentos
Esse tratado de «não-agressão», como você lhe chama tão gentilmente, esteve na origem directa da II Guerra Mundial. Permitiu – só do lado soviético – a anexação da metade oriental da Polónia e dos estados bálticos, e a invasão da Finlândia.
Admirável eufemismo esse: “não agressão”. Ribbentrop foi tomar chá a Moscovo com Estaline e Molotov foi beber um cafezinho com Hitler a Berlim. Tudo numa de social. Nada de aliança, que horrrrrror…
oh,deixe-os lá coitados!Isso é com bater no “ceguinho”!
O pior ceguinho é o que não quer ver, Rosa.
O neo-estalinismo (referência a um “renovado” ideário de Estaline, um dos maiores criminosos da História) prossegue a sua senda repressiva em países como a Coreia do Norte. No caso da China, com um regime tão idolatrado por tanta gente (muitos vergam-se ao dinheiro “fresco” daquelas paragens, como pudemos constatar no passado fim de semana), o exemplo de humanismo fica evidente na prisão de Liu Xiabo (Prémio Nobel da Paz 2010), Hu Jia (Prémio Sakharov 2008) e de tantos outros. Enfim, é o mundo que temos…
É verdade, Gonçalo. Lamentavelmente, o neo-estalinismo é visto por muita gente com melhores olhos do que o neofascismo. Dois pesos, duas medidas. Como se não fossem duas faces da mesma moeda.