
Que grande confusão.
Não estou habituada a ter muita gente em casa a não ser quando tenho a família reunida para jantar e tenho que andar numa fona dum lado para o outro…
Isto de ter alguém na cozinha à volta com os meus tachos e panelas faz-me um bocado de impressão, porque ninguém está autorizado a mexer nos meus utensílios de cozinha! O lava-loiças está apinhado… pessoa desarrumada! Para fritar um ovo, suja três frigideiras. Soa a coisa familiar…
No quarto revolve-se o roupeiro…
”- Alto lá, que isto não é o What not to Wear e os fatinhos e vestidinhos dos casamentos não são para mandar fora! Nunca se sabe quando é que eu volto a conseguir caber num deles ou quando é que poderão ser necessários para a vida social agitada que costumo levar. Sempre posso combinar com umas meias de descanso ou um par de sapatos ortopédicos. Isso NÃO! A minha camisa hippie em cetim roxo, jamais (leia-se jámé)! Pshhhté, largue lá o colete de pelo de camelo, que ainda vai voltar a estar na moda! Vou-me é embora daqui que isto mete pilhas! Assim não sai nada do armário. Soa a coisa familiar…
Raios! Quando preciso ir, porque preciso ir, está sempre ocupado. E há que tempos que está lá gente. E nas duas e com a água a correr há quase meia hora! Oiça lá, não pode fechar a torneira enquanto se ensaboa? É que a água está cara e o gás nem se fala e não é para estar para aí a correr de castigo. É do tipo “Que se lixe… está quentinha e sabe tão bem”, não é? Soa a coisa familiar…
Olho para a sala e vejo os meus batráquios felinos alapados num colo e penso “Traidores!“, colo quentinho é colo quentinho. Só querem comer, dormir, festinhas e calor. Estão gordos que nem uns texugos e pesam. Ahahahah… Bem feita! Alguém já está desconfortável com 7 quilos em cima do diafragma e outros 7 em cima da perna esquerda… soa a coisa familiar…
Bolas, nem o meu refúgio escapa. Está por lá alguém espojado com o meu livro na mão a ver a SIC notícias e a fazer zapping para o Food Channel, diz mal do Governo, atira com alguns impropérios ao Costa e maldiz a maioria absoluta, ao mesmo tempo que aponta meticulosamente uma receita de Butterscotch. Soa a coisa familiar…
Eu acho isto tudo muito confuso e confusões já bastam as do meu trabalho, aqui em casa é para tentar estar tranquila e é por isso que não digo mais nada. Estou calada, quieta, quentinha… e a babar-me na almofada. Olha! Já são 11 da manhã! Não posso adormecer a ver o Split!
(Imagem do Google)

Uma vez também tive assim um sonho parecido. Foi de tal maneira agitado que às três da manhã prego um valente pontapé na mulher. Ela acorda assarampatada, amanda-me um olhar…que não tive hipóteses.
Por acaso o sofá da sala até era confortável.
“Na mulher”! Machista, hein, Karamba Carlos? Faz lembrar os velhotes da terra do meu marido.
E teve sorte de ela lhe “amandar” apenas um olhar…
Mau…querem ver que agora depois de velho é que descubro que não é mulher. Não me diga que só há mulheres na terra do seu marido.
Eu bem desconfiei quando ela me pediu a lâmina de barbear.
Falar da sua esposa como ” A Mulher” é ” estar a pedi-las” . Os esbirros # metoo ainda lhe fazem a folha.
Ai é por isso? Tá bem eu reformulo a frase, ” …prego um valente pontapé no ser binário, cisgénero e portador de vagina que se encontrava deitada na ala esquerda de uma cama agénero de dois metros. “
Está melhor assim?
Onze da manhã?
Onze da manhã!
Cara Dulce, já percebi que vivemos num circuito que vai aos museus dos coachs (inclui os dois museus dos coches e o local onde vou com o pequeno ver as rãs e os sapos coachar [parque dos moinhos de Santana]) a praça da princesa e a praça Isabel Aboim, com mais uma geografia esticável em direcção à Ajuda ou em direcção a Algés.
Posto isto, como quem cuida de um, cuida de dois, os avós gostam de ver os meninos a brincar com outros meninos [eu adoro ver o meu filho a confraternizar] e como eu tipo seis, sete da manhã (nos dias bons) já estou a aturá-lo, perdão, já estou a fruir de tudo o que de bom uma criança tem para dar, às onze horas já tenho várias horas de trabalho em cima, proponho deixá-lo por aí.
Iria buscá-lo no final da tarde, uma experiência satisfatória para todos.
(Cada um tem os sonhos que pode, nesta sesta, sonhei com isto).
“Onze horas” prova que só pode ser um sonho. No sítio onde se comem bons bifes, não me levanto às 11 horas há uns bons 30 anos.
Sonhar é sorte suprema. Se os sonhos são bons, acordamos felizes; se são pesadelos, ficamos felizes por acordar verificando que era tudo apenas sonho.
Grande verdade. Tem sonho dos quais, por vezes, nem apetece acordar, Bea.