
É fundamental alcançar a velha máxima mens sana in corpore sano para conseguirmos carregar as 24 horas de cada dia que passa da maneira mais fácil e confortável. Felizmente estamos tão rotinados no que fazemos, que aquela primeira grande agonia a seguir ao despertar se vai esbatendo até desaparecer e, com ela, mais um dia se passou. Há dias não; há muitos dias não, daqueles que exigem de nós o máximo da nossa força interior e habilidade de camuflagem, de transformar um esgar de raiva num sorriso radioso. Isto são coisas que não se aprendem nos livros, são grandes lições que tiramos do tempo que por cá andamos e a que vulgarmente chamamos vida.
Não é fácil carregar o peso da existência principalmente com noites insones à mistura. Eu gosto de aborralhar numa cebola de polares e deixar-me levar à inconsciência. Não é frequente, mas é necessário algumas vezes dar um empurrãozinho às coisas, com a ajuda de Hipnos e Hestia que chegam até nós dentro de uns blisters, de várias cores, feitios e tamanhos, mas sempre com a função de nos ajudar a obliviar. Não gosto deles, porque me fazem sonhar coisas estranhas.
Tomei dois antes de me deitar, e daí a nada estava eu sentada a uma mesa de poker com o Beethoven, o Gandhi, o Einstein e o Martin Luther King.
E que sei eu de poker? Nada!
Que estranho, podia estar a sonhar que estava numa biblioteca, num cinema, com o streaming ligado a ver a última temporada de Stranger Things, mas não… estava ali sentada numa cadeira desconfortável , a jogar aquele jogo com um ror de génios.
O jogo começou com o Beethoven, dealer escolhido para a primeira mão a dizer “Blind” – o Einstein sussurrou-me baixinho ” Mas não é este que é surdo?”; “Acho que sim” disse eu, e encolhi-me na cadeira porque os outros olhavam-me de esguelha desconfiados e, além disso, ele tinha um hálito que parecia que lhe tinha morrido um ratinho por entre os dentes amarelos.
Cada um recebeu duas cartas e todos à sua vez disseram “Hit me”, dei um salto á retaguarda, mas não aconteceu nada!
MLK pega numa mancheia de fichas e diz “A man who won’t die for something is not fit to live”, ao mesmo tempo que as atira com determinação para o centro da mesa.
Gandhi dá uma gargalhadinha nervosa e enquanto se tenta por à vontade e desaperta os nós dos lençóis, joga as suas fichas ao centro e retorque ” First they ignore you, then they laugh at you, then they fight you, then you win.”
O Einstein que não parava quieto na cadeira e já tinha os cabelos em pé de tanto esfregar o couro cabeludo, entrou no jogo proferindo “The difference between stupidity and genius is that genius has its limits.”
… e chegou a minha vez, depois de mais 3 hit me’s, que não deram em violência de espécie alguma; olho ansiosa para as minhas cinco cartas: segurava um Ás, um Rei, uma Dama, um Valete e um dez…. tudo de Copas.. Corei. Pedi licença e fui ao WC vomitar… raio dos nervos… não me esqueci de puxar o autoclismo e voltei à sala.
Mas a sala já não era a sala de poker, era um bunker em Los Alamos e estávamos todos a olhar para uns buracos na parede. Beethoven disse-me sorridente para tapar os ouvidos e apreciar, e que como “only the pure in heart can make a good soup” e aquilo ia dar uma grande salada, o melhor mesmo seria acordar. Olhei para os buracos nas paredes e vi lá ao longe uma luz intensa que se aproximava à sua própria velocidade, enquanto tudo abanava ao meu redor. Abri os olhos de repente e discerni no escuro do quarto o vulto do gato a coçar-se aos meus pés como se estivesse preso ao pelourinho peregrino de uma colónia de pulgas.
O relógio motrou-me que eram after hours, por isso virei-me para o outro lado e ainda sob o efeito das coisinhas dos blisters, voltei a adormecer sorridente, a pensar que todos o meus geniais companheiro de poker já tinham recebido do dealer máximo uma dead man’s hand.

Há coisas piores.
Há umas décadas atrás conheci a mais linda rapariga que alguma vez vi até hoje, numa festa de gala do secundário, convidei-a para dançar nas barbas do choninhas do namorado que curiosamente jogava poker a feijões numa mesa com três estarolas e as respectivas miúdas a olharem com ar entediadas. Senti-me a fervilhar e como uma raposa sorrateira aproveitei a oportunidade, abandonei o meu par que era a minha prima e fui dançar com a rapariga ao som do stayin` alive dos Bee Gees, depois veio uma love song dos Frankie Goes to Hollywood a bela balada Power of Love. Resumindo: ela encostou-se a mim e começou a falar com um bafo do pior esgoto que alguma vez cheirei. Aguentei estoicamente. Na ânsia do vomito, fugi como um cinderelo encantado, para nunca mais voltar.
Carlos Baptista
Ahahahahah
Ela não usava Halazon! Havia um comercial antigamente sobre o mau hálito, que dizia assim!
Ó Dulce, afinal eram copas ou espadas?…
Obrigado a si e ao primeiro comentador por me divertirem
Sabe que nos sonhos vale tudo, JAB, mas creio que eu tinha um royal flush de Copas . Os outros estavam todos a fazer companhia ao Wild Bill.
É o Costa com as vacas voadoras, é você a jogar poker com defuntos, eu realmente já tinha notado que havia qualquer coisa no ar, será um novo vírus ou ainda serão efeitos secundários das vacinas?
Cá para mim é das sanchas que me mandaram do Sátão.
Então mas as sanchas são fumadas ou são salteadas?
Vamos lá a ver: o que é fumado não pode ser cozinhado? Hum? Pergunte aos holandeses, ou neerlandeses, ou lá o que é.
Impressionante!
O machismo nunca abandona o homem. A inversão da História da Cinderela. Largada por um homem que não aguentou um hálito mais azedo. O mais certo é o Sr. Carlos Baptista ser um gabiru de primeira viagem, pois abandona a prima, atira-se a namorada do choninhas e depois foge a sete pés como um passarinheiro. Coitada da rapariga.
Odeio Homens!
Ana Sousa
Gabiru de primeira viagem é impagável.
Homens bons encontram-se aos 4 cantos da Terra
😇
Só que a Terra é redonda.
Eheheheheh. Pois é Kika pois é eheheheheh