Esta não era a polícia dele, mas também não é a nossa


Sérgio de Almeida Correia,

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Não é de hoje, nem de ontem. A violência, sempre estúpida e sem sentido, tem vindo a impor-se ao desporto em momentos que deviam de ser de festa e de alegria. E tratando-se de um fenómeno que tem décadas, que tem crescido à sombra da tolerância do Estado democrático, não se percebe por que razão as entidades com responsabilidades continuam a ser tão brandas na erradicação desse fenómeno. 

Fruto do desinvestimento na educação, resultado da cultura do boné e smartphone, de uma cultura de laxismo e irresponsabilidade que perpassa por toda a estrutura do Estado e da sociedade portuguesa, dos mais altos cargos aos estratos mais desfavorecidos, onde a violência e as imagens que lhe estão associadas promovem valores que nada têm a ver com aqueles que se pretendem para uma sociedade civilizada, os comportamentos que se têm visto dentro e fora dos estádios não são apenas o resultado da actuação de grupos organizados, de claques de vândalos que aproveitam o fenómeno desportivo para extravasar toda a sua boçalidade, seja sob a forma de verylights, destruição de bombas de gasolina, assaltos na via pública, danos em veículos, provocação de incêndios em recintos desportivos e bens públicos, mas também de actuações policiais próprias de estados autoritários que fazem da violência sobre os seus cidadãos uma marca de lei.

As condições de vida não explicam, ainda menos justificam, o que se tem visto, porque a violência acontece tanto em alturas de crise como de prosperidade, em nações ricas e em velhas democracias como em países pobres onde grassa o espectro da fome e da miséria. As causas e as razões serão certamente mais profundas.

Se é intolerável que os estádios de futebol e as claques estejam recheadas de bandidos, de marginais, de traficantes, de neo-nazis disfarçados, de pulhas ignorantes, de gente xenófoba e racista, menos ainda se pode tolerar que quem tem a obrigação e a responsabilidade de assegurar a ordem e a paz públicas reincida em comportamentos próprios desse tipo de marginais. Infelizmente, tenho tido conhecimento e sido testemunha de algumas actuações por parte de agentes de autoridade que em nada abonam ao bom nome das corporações que representam e que em vez de induzirem a confiança na sua actuação provocam o medo e o receio, levando muitas vezes a que quem necessita de ajuda e protecção não apresente queixa por receio da forma como será recebido e encarado por quem tem a responsabilidade de acolher as participações. As forças de segurança não podem ser o porto de abrigo de marginais, de verdadeiros delinquentes, que à falta de melhores oportunidades procuram ali encontrar a protecção necessária para darem vazão aos seus instintos mais primários.

O que aconteceu em Lisboa e em Guimarães só é objecto de notícia e censura porque foi testemunhado por muita gente, porque foi filmado e visto de muitos ângulos. Não raro nos tribunais há cidadãos indefesos que são confrontados com queixas de energúmenos que fazem uso da farda e do estatuto para fazerem justiça e obterem indemnizações a que sabem não ter direito, sabendo que à falta de outras testemunhas é sempre a sua palavra que se impõe ao Ministério Público e ao juiz. Recordo-me inclusivamente de um caso ocorrido no Algarve, há uns anos, em que um visado depois de saber por um colega que tinha sido apresentada queixa contra si, devido ao seu comportamento de gangster, foi a correr apresentar queixa contra o desgraçado que tinha sido agredido, humilhado e insultado por não lhe ter dado prioridade num cruzamento. Por não ter tido a prioridade que desejava fez uma ultrapassagem perigosa com a sua viatura de uso pessoal, estancou à frente do outro veículo, atravessando-se na via, numa atitude de tão grande prepotência e abuso que alguns colegas referiram ser típica, embora ninguém denunciasse o fulano para não ser acusado de bufaria.   

Espero que o inquérito que foi mandado instaurar pela ministra da Administração Interna seja célere, que o Ministério Público não vacile, ao contrário do que por vezes acontece, e que os senhores juízes tenham mão pesada. Se não podemos tolerar gangues de vândalos nas claques desportivas, menos ainda se pode aceitar que graduados de uma corporação policial actuem da forma que aqueles homens actuaram, contra gente indefesa, que nada tinha feito que justificasse a brutalidade das agressões. E mesmo que tivesse havido um insulto prévio, ou uma “cuspidela”, o que eu não acredito, a um agente ou a um graduado da PSP, que estava armado, sempre seria exigível ao “ofendido” outro tipo de actuação. Nada pode servir de atenuante para a actuação de cavalgaduras, seja para com as que ostentam a tatuagem da claque ou as que usam o estatuto ou a farda como carta de alforria para fazerem a “justiça” que entendem, não se coibindo de mentir e inventar histórias para se defenderem daquilo que está à vista de todos e assim justificarem os desmandos que praticam quando apanhados em flagrante.

A violência gera mais violência. A desconfiança gera mais desconfiança. Os cidadãos têm de confiar na sua polícia. Eu quero confiar na polícia do meu país. E tenho o direito e o dever de exigi-lo. A polícia de um Estado de direito democrático não pode ser confundida com a bandidagem fardada dos estados policiais.

0 comentários em “Esta não era a polícia dele, mas também não é a nossa”

  1. Quanto aos extensíssimos estragos que as claques do SLB provocaram no estádio de Guimarães, nem uma palavra. De quem é, outra coisa não havia a esperar.

    1. Eu tambem te topo bem: para ja nao sabes ler, o que e triste e grave.
      Depois, misturas clubite com coisas que nada tem a ver com desporto, futebol ou clubes.
      Mas como nao percebeste o texto, eu explico: assim, simples, breve e resumidinho para conseguires perceber.

      O texto condena TODA E QUALQUER violencia no desporto em geral e no futebol em particular, independentemente da cor desportiva!

      Percebeste agora?!

      http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT77172

      1. Caro Sérgio Almeida Correia,
        Li o seu texto e posso dizer que, genericamente, concordo com tudo o que nele é dito, isto apesar de mais coisas haver a dizer sobre o tema. Gostei especialmente da expressão “cultura do boné e do smartphone”. Bem observado.
        De qualquer modo, este seu comentário sobre a iliteracia de quem aqui veio comentar (com razão ou sem ela), além de trair a sua isenção, revela um certo pedantismo da sua parte que, sinceramente, não esperava e que me desiludiu.
        Cumprimentos,
        MC

      2. Então diz lá exactamente em que linha do post fazes referência a esses estragos, e qual a sua natureza e o montante atingido, se é que és capaz.

        PS- Tanto se me faz como se me fez que o Benfica seja campeão ou outro clube qualquer, incluindo, obviamente, o Porto e o Sporting (ordem alfabética)… Só para ficares a saber.

    2. Estás mais interessado em acusar os Benfiquistas que a ler o que foi escrito provavelmente fazes parte de Club rival que também fazem porcaria quando deviam ter fair-play, tal como o Sr. Correia sou da mesma opinião e penso que insurrectos há em todo o lado e infelizmente nas varias forças de autoridade incluindo juízes e magistrados também os há e pior de tudo defendem-se uns aos outros com o maior descaramento.

  2. …já não me espanta nada neste país desde que vi policias do corpo de intervenção fardados a beber shotes num bar em Lagos, Algarve, com miudas de 16 anos e após denunciar a outros colegas, a resposta foi que cada um sabe de si…!?

  3. E mesmo que tivesse havido um insulto prévio, ou uma “cuspidela”, o que eu não acredito.

    Devo aqui esclarecer que não gosto de fardas, mas fui militar, PSP, etc. Porque achei não poder continuar a servir uma instituição que não me respeitou, ou haver agentes que deveriam ser proíbidos de austentar o peso da farda, não posso tulerar o desrespeito perante a autoridade.

    Não ouvi o que foi dito, mas senti que algo de anormal se passou ente o agente fardado e o elemento à civil. Ambas as partes agiram em desfavor uma da outra. Sem defender o agente da PSP, acho que talvez o senhor agredido, teria com certeza desrespeitado a autoridade o que não queira dizer que a atitude do agente fosse a melhor atitude. Se é o que penso e foi sempre a minha atitude enquando vesti a farda, se fosse desrespeitado, agiria de uma outra forma “penso agora”, detendo o infrator e só utilizaria a força quando necessária, até porque havia reforços mais do que suficientes para agir. Termino – quantas vezes e nos campos de futebol a policia é enchovalhada e não reage. O que diz a população que assiste?…

      1. Não , a policia PODE ser enxovalhada. Não deve e ai e outra questão Se e enxovalhada e crime, punido por lei mas a lei tem que se fazer cumprir dentro das normas e da própria lei. Não foi o que aconteceu aqui.

        Assiste-se regularmente ao enxovalho da policia nomeadamente nos estádios de futebol por parte de pseudo adeptos maioritariamente e inexplicavelmente inseridos nas claques de futebol. Mas, com a classe e profissionalismo que se exige da policia, os seus profissionais aguentam a pressão , e intervêm em casos extremos, e bem. O que se viu no caso dos adeptos agredidos em Guimarães e uma situação completamente diferente.

        Estamos a falar de um adulto, um idoso e duas crianças , rodeados de pelo menos 5 policias fortemente equipados e armados. Foram enxovalhados ? Proceda-se a detenção , dentro das normas e dentro da lei. O que se assistiu foi um acto de puro abuso de poder.

    1. finalmente alguem que diga alguma coisa com sentido.. nao defendo niguem mas o agente que agediu dever ser punido pelo que fez,, selvagem e o nome que tenho para ele.. com tantos reforços 14 conto eu !!!! nao tinha de fazer o que fez muito menos o que fez ao pai do agredido.. agora a maioria das pessoas diz a policia isto a policia aquilo… entao eu faço a mesma pergunta…. e quando a policia e enchovalhada ??? mal tratada e muitas das vezes agredida.. ???? quem os defende?? quem se coloca no lugar deles ??? esses policias que cumprem o dever e actuam conforme as ordens que lhes sao dadas.. TABEM TEM FAMILIA QUANDO CHEGAM A CASA.. e mais uma vez digo nao defendo a policia .. apenas o AGENTE em causa nao é a POLCIA !!!

  4. O problema maior começa na boçalidade dos dirigentes…
    ” Pinto da Costa foi multado em 232 Euros!” Com uma multa destas até dá para chamar f.d.p. ao Capela! Isto é só um exemplo”…

    Primeira medida: Acabar com os jogos à noite e com as claques organizadas.

  5. Já postei este comentário no video. Na minha opinião, como em tudo, acho que não devemos fazer julgamentos. Basta imaginar que em primeiro, o homem detido, já pudesse estar detido pela PSP e o agente pedir que calmamente se oferece-se para ser ser levado e o filho ser levado dali para não presenciar os fatos. Ou em segundo o próprio adepto insultar um agente de autoridade. Se o primeiro caso, e se com resistência ou insulto, talvez tenha sido essa a razão da reação. Se o segundo caso, independentemente disso, o proprio agente tem de apresentar relatório e justificação, não perante nós, mas perante os superiores que têm mais que razões para analisar este caso.

  6. E fora o futebol, apenas dizer o seguinte e isto… e acho que todos devemos pensar pois penso ser uma hipocrisia e vergonha para nós. Verdade que as pessoas entristecem-se por ver crianças a chorar por causa da violência policial e seu próprio pai ser apreendido. Mas acho isso uma hipocrisia entre nós. Porquê? Porque… e aquelas crianças que choram quando há confrontos entre adeptos de clubes diferentes? E por causa desse tipo de confusões, e porque também os policias são tão humanos e propensos à violência quanto os adeptos de clubes diferentes, a verdade é que depois também são eles que têm de acalmar as hostes nas ruas para impor a ordem. As crianças choram?? Infelizmente choram devido à imaturidade de nós, adultos, de criarmos estas situações que são nada mais nada menos que uma vergonha para nós. Vergonha porque somos nós que criamos estas situações. Achovalhar os erros policiais? Policias que também podem cometer erros dignos de justiça, sim… não em julgamento a este caso, mas algo generalizado? Como nós? Infelizmente resta saber se nós aprendemos também alguma coisa com isto para que no futuro não se repita. Penso que somos uma sociedade com deveres educacionais. Por isso tanto policias como sociedade civil possam contribuir para uma sociedade melhor.


  7. Acrescento umas observações…

    Os Regimes modernos tornaram as Polícias em Tropas, equipadas para o combate contra uma população insurrecta. Se o cidadão contesta, levanta o braço, isso pode ser processado como desafio à autoridade.

    Não tem que ter lógica ou bom senso, porque se trata de incutir um algoritmo na atitude policial. A última coisa que um Regime moderno tolera é que a Polícia não cumpra o algoritmo das ordens, porque disso depende a eficácia da máquina policial.
    O algoritmo inclui diálogo e tolerância, mas apenas como uma estratégia de actuação, para evitar confronto desnecessário. Nesse aspecto, os polícias têm ordens para aguentar e não responder a ofensas.

    Ninguém está à espera que o diálogo contrarie as ordens da polícia, é usado no sentido oposto, para a compreensão e desistência do cidadão.

    Assim, num Regime militarizado, que disfarça Tropa sob o nome de “Polícia de Intervenção”, não há diálogo, não há contestação, espera-se apenas que a Tropa seja eficaz a fazer cumprir ordens superiores.

    O limite das Tropas nunca foi o grito dos cidadãos, mas sim a interpretação da sua acção face às ordens que têm.
    Por isso é inútil ao cidadão queixar-se da bastonada errada, quando ela se insere dentro de uma ordem de investida. É culpado de estar no lugar errado.

    O caso de Guimarães teve o problema de ser televisionado, senão inseria-se numa acção policial de circunscrever adeptos e lidar com contestações à ordem. Excepções justificadas são um incómodo, porque atrapalham o algoritmo simples.

    O que atrapalhou a acção do polícia foi a presença de crianças. Tiradas as crianças das imagens, a actuação do polícia não mereceria atenção especial pela corporação.
    Tal como não merecerá atenção especial poder ter havido bastonadas ou até detenções injustificadas em Lisboa.

    Em Lisboa, ocorre a narrativa habitual – “dos poucos que estragam a festa de muitos”. Porém, há problemas de memória, e os poucos que estragam a festa de muitos, também estiveram no Marquês noutros anos.
    Uma coisa é a presença de vândalos, outra coisa é potenciar a sua acção.

    Medina, o novo autarca, quis inovar face a Costa, e talvez para evitar a profanação da subida da estátua do Marquês Facínora, símbolo máximo do despotismo estatal, decidiu dar espectáculo.
    Inconsciente, foi ao ponto de preparar o palco para a festa antes da confirmação do título.

    Ora isso implicou uma forte tropa, em redor de um palanque frágil, onde estavam os jogadores. A situação tinha tudo para ser perigosa.
    O início do confronto parece resultar de uma pressão dos adeptos sobre o cordão policial que envolvia o palanque, e resposta à bastonada.

    É fácil dizer que o problema foi de alguns adeptos, e foi, mas é uma cegueira do palco fazê-lo. Porque é cegueira não querer ver que a diferença, face a anos anteriores, foi também esse palco pretendido pela direcção camarária, e benfiquista.

    O que acaba por ser também criminoso é descartar essa responsabilidade de péssimo planeamento. Se houvesse verdadeiramente gente que não estivesse ali para a festa, não tinham sido garrafas, nem pedras, a serem atirados.
    E é escusado misturar com o vandalismo em Guimarães, caso de hostilidade descontrolada de claques de futebol (claques que são umas vezes acarinhadas pelas direcções, e outras vezes bestializadas).

    Medina quis dar show, e a principal lição que deveria tirar é que não se meta.
    A festa é espontânea e faz-se sem ele, e pelo que sabemos antes, sem problemas.

    Quanto ao Marquês e ao seu leãozinho, pois só espero é que algum dia seja dali tirado. Enquanto lá estiver, os pedestais estão cheios de facínoras e seus lacaios.

  8. “Espero que o inquérito que foi mandado instaurar pela ministra da Administração Interna seja célere, que o Ministério Público não vacile, ao contrário do que por vezes acontece, e que os senhores juízes tenham mão pesada.”

    O que não falta são juízes a minar a acção policial, ora libertam este, ora apresentações semanais… O que não falta são exemplos contrários, o que não falta são militares e PSPs condenados e ameaçados. Quantos não prendem X, Y declara-se culpado em tribunal. X sai do tribunal a ameaçar a família e o agente que o prendeu. Que tudo fosse tão linear… Que diga o outro que deu um tiro no carro e que por “azar” tinha uma criança lá dentro. Se fosse bruxo não teria acontecido, aposto.

  9. Parabens esta´tudo muito bom! apenas um ligeiro reparo (na minha opinião), qd refere “As condições de vida não explicam ainda menos justificam, o que se tem visto, porque a violência acontece tanto em alturas de crise como de prosperidade” de facto não deveriam explicar, mas que explicam é inegavel que explicam, veja os inumeros exemplos de agressões que existem em diversas classes, dou-lhe um exemplo as agressões aos médicos subiram vertiginosamente, e não consegue convencer ninguem que não é devido ás condições de “vida”, ie condições de acesso à saúde ou falta dela. Portanto as condições de vida não deveriam explicar a coisa agora que explicam, explicam. O pessoal anda stressado, pela falta de emprego, falta de condições de acesso a boa educação, falta de acesso à saúde, quando não é com o próprio é com alguem da familia, esta muitas vezes está desestruturada com imigrações feitas à pressa, porque se aguentou até ao limite….estamos perto do caos, só não vê quem não quer, ou está comodamente a disfrutar o tacho, é vergonhoso o que se passa, portanto além de explicar, começa a justificar.

  10. Não sou um fundamentalista da não violência. E não o sou porque além de estar estudado também tenho comprovado pessoalmente que para se alcançar alguma paz há um certo tipo de gente que só conhece a linguagem da violência. Fui educado, e continuo a seguir esta regra, que a violência deve ser evitada e prevenida até ao limite do impossível, e só deveria responder nesta linguagem in extremis, quando agredido e/ou perseguido.
    Há várias formas de violência refinada na sociedade que geram outras violências brutais que, associadas ao descrédito na justiça, quem as pratica julga estar a oferecer um contributo cívico.

    Também fui militar, e nesta situação, assim como em outras de natureza civil, sei que existe uma ordem de comando. Mas não confundo e nunca me deixei confundir sobre o que é o comando e o mando.
    Significa isto que nunca permiti que numa escala de comando militar e civil a minha situação de SUBALTERNIDADE fosse confundida com SUBORDINAÇÃO.
    Quero com isto dizer que o facto de me considerar um subalterno e NÃO um SUBORDINADO me conduziu a dizer NÃO quando devia dizer NÃO e até mesmo a bloquear ordens de MANDO.
    Sei que a sociedade não está preparada para distinguir o conceito. E que as pessoas, em regra, quando em função de comando transformam aquilo que é uma responsabilidade em mando.

    Pretendo chegar ao ponto de dizer que em qualquer cadeia de comando militar e/ou civil, onde se inclui a actividade empresarial, o subalterno tem o dever de contrariar ordens e atitudes de puro mando; e evitar, por exemplo, a cena que se viu em Guimarães que certamente terá deixado uma marca muito negativa aquela criança que até à data dessa ocorrência provavelmente pensava que a polícia era uma força amiga.

    Aquela unidade de polícia deve oferecer um lanchinho ao menino, com outros meninos e meninas, e mostrar-lhes que existiu um erro da parte deles, mas que continuam a ser protectores das crianças e dos cidadãos.

  11. Referente aos acontecimentos do Marquês de Pombal, nem me vou pronunciar e espero que compreenda. Quanto ao que aconteceu em Guimarães, e visionando as imagens tal qual o Sérgio, e pensando de forma racional, e não embandeirando em jornalismo de ”sarjeta “ como alguns OCS. Temos “supostamente” uma troca de palavras entre um agente da PSP (devidamente fardado e no cumprimento do seu dever) e um outro cidadão, nessa breve discussão algo aconteceu, são notórios os gestos que este faz para com o agente da PSP (gestos intimidatórios e de provocação, em jeito de desafio), assim o cidadão demonstrou um total desprezo (como é pratica corrente numa sociedade como a nossa, onde impera a falta de valores), se dessa “refrega” resulta a detenção, o agente está legitimada para usar a força estritamente necessária para manter a mesma, sendo isso efetivamente que as imagens mostram. Neste caso e quanto a mim, o grande culpado foi o cidadão detido, pois se efetivamente tivesse respeitado o que lhes foi transmitido pelas autoridades dificilmente teria ocorrido o lamentável incidente. De maneira alguma posso aceitar que um cidadão estando na presença dos seus filhos ou pais, se achem acima da lei. Refiro ainda que este devia ser o comportamento adotado por todas as autoridades em situações similares, talvez assim que respeite mais a autoridade.

    1. É espantoso como o José consegue ver no vídeo tanta coisa que mais ninguém vê (o cidadão a ofender o policia, este a aplicar apenas a força indispensável para deter o cidadão, etc, etc). Claro que é fácil perceber que se trata também de um policia a defender um colega.
      Mas deve ser um policia também mal preparado, técnica e psicologicamente, para exercer a sua função.
      De facto foi isso que aconteceu: um subcomissário que não tem a qualificação necessária para a função e exaltou-se e excedeu-se, quando estava ali justamente para evitar e resolver exaltações e excessos.

    2. Desculpe lá mas com tanto polícia ali acha mesmo que era necessária a força “à bastonada” para deter um homem desarmado???

      Não se respeita alguém que usa a violência tem-se medo da mesma!
      Não é usando a violência que a polícia será respeitada. A falta de respeito é um problema que existe, de facto é, mas não me parece que é à bastonada e à pancada que se resolve. Violência gera violência. E atrás de tudo anda o medo…

    3. Bravo, José. A Coreia do Norte está consigo. A culpa é sempre dos detidos.

      Esqueceu-se o arguto comentador de mencionar os danos que o corpo do cidadão estava a provocar no bastão normal.
      Foi certamente isso que forçou o agente a mudar para o bastão de aço.

      Veja só, até a apanhar pancada desrespeitou a autoridade, querendo causar danos no material.
      Gente do piorio é o que é.

      Grande subcomissário, que em vez de mijar-se de medo com a violência dos gestos intimidatórios do pai, respondeu com uma coragem notável, perante a ameaça de cerco, pelo avô e netos, podendo criar-se ali uma situação de inferioridade numérica.

      Imaculada aquela actuação, até com teor educativo. Tendo os filhos a assistir, aprenderam logo com o exemplo do pai.
      Já o velho, o que lhe faltou aprender nos tempos moles da velha senhora, aprendeu ali num instante com dois secos ao queixo.

      Depois, é a justiça que temos.
      O meliante já está solto, e de boa saúde.
      O desgraçado do polícia é que está em apuros. E se foi a correr para a família, é porque a farda estava rasgada e cuspida, e dá trabalho a coser e a limpar.
      Não é cá por medo, que um agente daqueles não tem medo de nada.

  12. Concordo com o post e assino por baixo. Apenas acrescento e acredito que se trata de um caso isolado. Agentes do tipo prepotente, infelizmente existem um pouco por todo o país. Neste momento e porque também sou pai de dois filhos com idades análogas aos filhos do agredido, invade-me um sentimento de revolta e de medo que tal possa a vir a acontecer comigo. Os meus filhos também viram as imagens, não foi possível evitar, e quando questionado por eles sobre os acontecimentos, senti uma alguma dificuldade em conseguir explicar-lhes. Sempre lhes transmiti que quando forem abordados por alguém com atitudes violentas, devem dirigir-se imediatamente a um agente da autoridade. Acho que consegui transmitir-lhes que em todas as profissões, infelizmente, existe gente que cumpre as regras e outros que não. E, que apesar do que viram, os Polícias são pessoas que vão continuar a defender-nos dos maus. É nisto também que eu acredito.

    1. Boa tarde,
      Só pelas imagens nem sempre é possível ajuizar o que aconteceu.
      Mas é facto que a violencia só no extremo, para defesa ou imobilização.

      Infelizmente acontecimentos deste caracterizam um Portugal, doente, com doenças destas, como o BES, Salgado, que vivem impunemente.

      Prendem o Pobre por roubar uma galinha, só porque não tem dinheiro para comprar a justiça que lhe é merecida.

  13. Muito rapidamente se viram contra a policia. nas imagens o adepto está tapado e não se consegue ver se cuspiu, se agrediu, se caluniou. Só quem não vai a jogos de futebol não sabe como são os adeptos ditos “ferrenhos”, que acham que podem fazer e dizer tudo…eu vou a jogos de futebol e muitos! O que vejo e ouço? Os tais adeptos que vão aos estádios não para ver o espetáculo mas sim para descarregarem as suas frustrações. Os clubes de futebol deviam pagar caro para terem a PSP ao seu serviço em dias de jogo…o Pingo Doce paga e bem para ter um policia à porta… Os policias são apelidados de cães, chibos e coisas piores. Serão eles obrigados a “aturar” estas situações!? Gostava de ver a mesma indignação quando um médico mata um paciente…também são funcionários públicos, tratados como deuses…e matam…muita gente…eu como contribuinte pago-lhes os 5, 6, 7 e 8 anos de curso! Bem mais caro que um curso da PSP…e ganham bem, saem cedo, fazem greves…muitas!!!! Mas claro que é cultural dizer mal da policia. Pode ser que os policias um dia também façam greve…gostava de ver!

  14. Sérgio de Almeida Correia, subscrevo, palavra por palavra, ponto por ponto, tudo o que escreveu.

    A mim, indigna-me, aflige-me, atormenta-me só de pensar que posso condenar (e até mandar para a prisão) cidadãos que tiveram a infelicidade de se defrontarem com os desmandos e as mentiras de agentes policiais. E pode crer que na PSP e na GNR há muitos (porventura mais do que se supõe) agentes que não valem nada, que mentem descaradamente, sobretudo quando e posta em causa a legalidade da sua actuação. Infelizmente, por regra, o Ministério Público dá cobertura a esses desmandos policiais.

  15. PSP? Os seguranças privados dos ricos e do poder opressor? Os bastiões da garantia da aplicação de leis, algumas até imorais e ganhas com sangue dos nossos antepassados? Aqueles que (alguns) não obstante serem do povo, mas, sempre que podem é contra ele que se viram em defesa da injustiça e da opressão? Que garantem a terceira ou quarta maior receita do estado (em multas e etc…)? Por favor, alguém me indique se me enganei em alguma coisa…, posso estar enganado na instituição, porque há várias a operar nos mesmos moldes…

  16. caros amigos estou de acordo com quase tudo com o que foi dito, mas gostava que todos refletissem numa imagem a de o policia a segurar na criança e a cortar-lhe a visão do que estava a acontecer com o seu pai.
    São imagens que não me saem da cabeça , pois tudo o resto espero que a justiça ainda funcione no nosso país!

    1. Olhe que ainda arranja problemas ao homem!
      O que se passou foi que esse polícia evitou que o pequeno meliante atrapalhasse a detenção do pai.
      Senão, esse polícia ainda arrisca ser gozado por ter coração mole, coisa que seria muito mal vista pelos colegas e sobretudo pela chefia da corporação.

  17. Há um fenómeno que me impressiona e que passo a explicar.
    Praticamente toda a gente está contra o polícia.
    Há não sei quanto tempo um polícia matou a tiro, penso que não foi de propósito, um garoto que acompanhava o pai num roubo. Neste caso todos (pelo menos muitos) se manifestaram a favor do polícia. Este foi julgado em tribunal e condenado. Isso deu origem a um abaixo assinado com muitas assinaturas na internet a favor do polícia e contra a decisão do tribunal.
    A discrepância deixou-me perplexo. Mesmo muito.
    Alguém tem uma teoria que explique esta diferença?

    1. A diferença é esta: Este agente, deliberadamente, agrediu um cidadão imobilizado com um bastão metálico de que se muniu para esse efeito. Este é um crime doloso, sem qualquer atenuante e já provado. Antes, disso tinha, em reacção a palavras que lhe foram dirigidas, detido o cidadão e evitado a intervenção de outro, usando de violência desproporcional (socos), pois (i) nenhum dos dois cidadãos pôs em causa a sua integridade física, (ii) havia mais uma dúzia de agentes armados em redor, o que reforçava a inexistência de ameaça à sua integridade física e (iii) a missão do agente era o controlo de uma multidão de dez mil pessoas que se preparava para sair de um estádio. Este também é um crime doloso, mas com eventuais atenuantes (culpa das vítimas na causa). Depois disto, o agente em causa falsificou um auto de detenção, fazendo constar do mesmo que o cidadão cuspiu nele e rasgou-lhes o trajo, o que da análise das imagens disponíveis resulta manifestamente inverosímil. Este também é um crime doloso, sem atenuantes. O outro agente, de noite, ante um veículo onde seguia um suspeito de furtos e o produto do dito furto, que acelerou ante uma barreira policial, pondo em risco objectivo de vida aos agentes postados na mesma, disparou sobre a viatura, com vista a imobilizá-la, tendo os disparos causado a morte de uma criança que o pai, autor dos furtos, tinha levado para o acompanhar e que seguia deitada na parte traseira do veículo – facto que o agente desconhecia. O agente foi condenado por homicídio e a indemnizar o pai do menor morto, com base em dolo eventual (conformou-se, ao disparar sobre o veículo, com a possibilidade de matar alguém). Ora parece-me que não é exigível a um agente, que, de noite, tenta evitar a fuga de uma carrinha suspeita de transportar bens furtados, ademais, logo após o condutor da mesma o ter tentado atropelar, que tenha a serenidade para ponderar se, face ao tipo de crime, lhe é lícito tentar imobilizar o veículo recorrendo à sua arma e, muito menos, admitir como provável que alguém siga deitado na traseira de um veículo de mercadorias. Noto que eu, enquanto proprietário, tenho a expectativa que a polícia recorra à força para recuperar os meus bens furtados e deter o autor dos furtos, evitando a comissão de novos crimes. Acresce que a culpa (da vítima) na causa é, ainda, muitíssimo intensa, o que, a meu ver, torna eticamente inaceitável indemnizar o pai que leva um filho para praticar um furto pela morte do mesmo. Espero ter sido claro a explanar as diferenças e aproveito para felicitar o excelente “post”.

      1. A explicação é pouco convincente. Há uma diferença essencial entre a bastonada e a arma de fogo: aquela dificilmente mata, esta tem probabilidade muito mais elevada de matar. Um tribunal não pode ordenar a morte de um criminoso. Um polícia pode?
        Se eu encontrar um ladrão em minha casa não posso matá-lo para lhe impedir a fuga, só poderei atirar se a minha vida correr perigo. Idem para um polícia.
        Mas não quero discutir o que fez o polícia: só me interessa (de momento) a reacção popular. Como explicá-la num país avesso (suponho) à pena de morte?

        1. O país não será a favor da pena de morte (coisa que que não se pode perguntar ao povo, por medo da resposta), é contra criminosos. O país não só acha que um polícia pode disparar sobre os pneus de um veículo em fuga, com bens furtados no interior e cujo condutor acabou de tentar atropelar o dito polícia, como acha que o polícia o DEVE fazer. O país não gosta de ser roubado sistematicamente e não tem solidariedade com ladrões que levam os filhos menores em “acção de formação” e pedem indemnizações ao Estado pela morte dos mesmos no decurso dessas “acções”. Note que não foi o condutor do veículo que foi atingido pelo polícia, foi o menor que seguia na área de carga. Se o polícia tivesse intenção de matar para imobilizar o veículo, disparava sobre o condutor não sobre a zona inferior e posterior do veículo. O que aconteceu foi uma fatalidade, imputável ao criminoso, e não ao polícia. Tudo o contrário do que aconteceu em Guimarães, em que se tratou de uma acção dolosa (i.e. intencional) de um polícia com o fim de causar ao particular os danos (físicos e morais) que se representou.

  18. é isso aí, é isso mesmo. Parece-me que o post aborda amplamente a coisa, dizendo que uma coisa sao os criminosos civis e outra coisa diferente e aberrante e evitavel são os criminosos fardados. Pois, o problema sao as testemunhas (alias neste momento o Sapo diz que as testemunhas dizem coisas muito contrarias, mas enquanto nao provarem que o filme é uma montagem, tudo o mais sao pintelhos quiça postiços ). Para além da chapa 5 que as policias sempre usam nestes casos de evidencia-denuncia publica, o policia agressor viu o filme, percebeu que o filme nao prova nao ter havido cuspidela e…zás, chapa 5. O post vai ao pormenor de sugerir ou questionar se nao existem nas policias autenticos animais selvagens, bestas. Logicamente se compreende que, enfim, a vida de policia, e nomeadamente em alteraçoes da ordem publica (mesmo quando instigada por policias infiltrados ) nao seja fácil. —E agora, de memoria acrescento uns casos : no funchal na entrada de um comicio policias mataram um manifestante. Em tribunal, como ambos os policias dispararam, e nao se conseguiu “distinguir ” qual das armas matou, foram absolvidos. OUTRO : na ribeira do porto, um coitado caido no chao e algemado, foi, á vista de todos, pontapeado por varios policias. OUTRO : no porto os policias assassinaram varias pessoas no 1º de maio de 1982. FINALMENTE : alguém conhece o inquerito ao caso dos policias que supostamente foram colhidos pelo comboio ?

  19. Não posso deixar de salientar uma frase do texto escrito que pode levantar vários temas de discussão. Então uma das frases diz:
    “E mesmo que tivesse havido um insulto prévio, ou uma “cuspidela”, o que eu não acredito, a um agente ou a um graduado da PSP…”. O autor do texto escreve, não diz, mas sim regista não acreditar que tenha havido cuspidela. Eu pergunto ao autor do texto.
    Esteve lá para ver? Mas mesmo entre os dois homens que se envolveram em discussão?
    Eu não estive e “não ponho as mãos no lume”, mas como alguém já disse, não se devem fazer julgamentos em praça pública.
    Não se sabe o que está por detrás daquela situação, porque como disse, aquela situação.
    Além disso os jornalistas nos dias de hoje vivem de mediatismos, que até podem ser mentira, mas não importa, amanhã já ninguém se lembra.
    Parece que já se esqueceram daquele espectador que morreu na bancada de um estádio para ver um simples espetáculo e acabou com um very-light na barriga…
    É preciso olhar à volta e enquadrar as situações porque, presentemente, as algumas pessoas são como aqueles animais que há uns anos puxavam carroças e tinham umas palas nos olhos para não se distraírem com o que ocorria à sua volta.
    Aquele vídeo apenas mostra uns meros minutos incidindo toda a atenção naquele cenário não mostrando o que veio a acontecer ao longo do tempo anterior, desde que começou o jogo por exemplo (palas nos olhos).
    Já agora, de onde é o vídeo?
    O nome diz tudo. A origem daquela marca diz tudo. É o jornal que é…

    1. Com umas bastonadas nos jornalistas da CM-TV, e vídeos daqueles desapareciam de vez. Só assim os agentes da autoridade podem tratar dos desordeiros, como deve de ser… começando pelos jornalistas, que são os piores.

      E não esquecer os netos, que tal como o avô, vê-se bem que ainda tentaram ir em socorro do pai, contrariando a autoridade.
      Um perigo!
      Os outros agentes é que não estiveram à altura do comandante, senão não era só o avô a apanhar dois sopapos.

      Começam pequenos a desafiar a lei, e depois dá no que dá. Veja-se só o pequeno meliante a desafiar as afirmações do comandante:

      http://www.tvi.iol.pt/videos/guimaraes-o-meu-pai-nao-fez-nada/555b2f210cf2d0faf0493bdf

      Pois, pois, beber água…
      Tudo clarinho como a água que o puto bebeu.
      Outro perigo! Nos aviões já nem deixam passar água, que a populaça anda cheia de truques.

      Há gente que não vê o enquadramento, porque o puto mais velho se apressa a tapar o angulo de visão. Tudo encenado.

      Assim, não vendo aqueles 1.5 segundos,
      em que o comandante lutou pela sua vida e dos seus colegas, como se podem pronunciar?

      Se as imagens fossem doutra TV, certamente se veria que o pai trazia verylights e o avô tinha petardos nos fundilhos.

      Esta malta não vê nada, e não sabe que o polícia parou ali uma ameaça terrorista de grandes proporções. Pelo aspecto daquela gente é tudo do Estado Islâmico.

      Concluindo, há uma cambada de cegos, psicóticos, e deficientes mentais, à solta… e ainda se atrevem a escrever postas.
      Nem à bastonada!

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