Esta legislatura chegou ao fim


Pedro Correia,

 

O mandato que os eleitores portugueses concederam pelo seu voto ao PS de José Sócrates não previa factos tão relevantes como estes: a Comissão Europeia, via Banco Central Europeu, exercer um diktakt sobre o Orçamento do Estado português e a subida generalizada dos impostos, desde sempre negada pelo primeiro-ministro ainda em funções. Alguém ouviu Sócrates prometer que submeteria o Orçamento do Estado ao veto de Bruxelas ou que subiria os impostos sete meses após ganhar as eleições? O programa eleitoral do PS contemplava qualquer destas soluções?

A resposta é negativa em ambos os casos. Isto significa que o contrato de confiança estabelecido nas urnas entre eleitos e eleitores, a 27 de Setembro de 2009, acaba de ser rasgado pelo chefe do Governo. Em termos de legitimidade política, esta legislatura chegou ao fim.

21 comentários em “Esta legislatura chegou ao fim”

  1. A legitimidade estava ferida desde o início, quando o PS jurava que o défice estava controlado dentro das previsões durante a campanha eleitoral, para subir escandalosamente logo após o governo iniciar funções.

    Na verdade, se o governo anterior falhou promessas eleitorais importantes em quatro anos, este falhou-as todas em seis meses, com excepção dos casamentos ‘gay’.

  2. Impostos, impostos, mais impostos. Hoje é assim! Até Passos Coelho concorda. Soluções parece que ninguém tem, ou por outra, usam a mais fácil: Impostos. O governo ainda não pensou ( se calhar não estão lá para pensar ), em tectos para reformas, para salários, em vez de aumentar 1% de IRS, a pessoas que ganhem pouco mais do que o salário mínimo .</a> 1% até dois mil e não sei quantos euros. Bolas! ( para não dizer outra coisa ), e os que ganham 500€ ? São só 25€ a mais que o salário mínimo .</a> Pagarão também mais 1% ? Foi o que eu entendi do noticiário Televisivo agora mesmo, logo a seguir ao Papa. Pelos vistos não temos gente capaz de nos governar. Pelos vistos também gostamos de ser usados. Sempre que penso assim lembro-me ( desculpem a publicidade ) do Klinex , depois de usado atira-se fora.

  3. Escamotear os mexilhões com…

    Tantos discursos portentosos
    de psitacismo eleitoral
    brotam de motivos ventosos
    qual patologia visceral!

    A governação declinável
    de argumentos coerentes
    tem um carácter entranhável
    de verborreias referentes.

    São distorcidos muitos milhões
    em vis políticas amorais
    escamoteando os mexilhões
    com argumentações viscerais.

  4. Sei que não é relacionado com a assunto mas tenho de reproduzir um comentário, a uma notícia do Público online, que está constantemente a ser apagada pela censura do próprio jornal:”Quando são os próprios jornalistas que fazem censura, nomeadamente nos comentários do jornal Público, apagando aqueles que não gostam, eventualmente por não serem de esquerda, então, estamos muito mal. A Ibéria socialista, personificadas em Sócrates e Zapatero, uma Ibéria socialista sem valores, subjugada a interesses das lojas maçónicas, uma Ibéria em crise, desgastada por uma desgovernação que protegeu os grandes grupos económicos, criou os subsidiodependentes, uma Ibéria dos desempregados (10% em Portugal e 20% na Espanha), uma Ibéria em que a politica de morte/aborto foi algo de central e fundamental, uma Ibéria que, conforme se pode ler nas noticias ontem vindas de Espanha, a politica de incentivos à natalidade foi o primeiro a ser cortado como medida de combate ao deficit, uma Ibéria desgovernada num despesismos em contratos públicos catastróficos para o Estado e de lucro incalculável para alguns privados, uma Ibéria… olhem podem apagar à vontade pois este comentário e outros como este já estão em milhares de blogues, em milhares de caixas de correio, para ficarem a saber que tipo de censura temos neste jornal Público… público mas muito pouco.”

    1. O Poceirão? Jamé! Só se for numa daquelas maravilhosas maquinetas que há pouco aqui nos trouxe o João Carvalho, porque para uma travessia do deserto tem que se ir muito bem equipado… E depois, quando começar a ver lá muito ao fuuuundo uma imagem tremida de um TGV, tenha atenção, pois é quase certo que se trata de uma miragem.

  5. Mas isto tem ou não a ver com o famigerado Tratado de Lisboa (talvez em Lisboa fosse mais apropriado…)?

    Não se previa algo deste intervencionismo de género(s)?

    1. Caro Zé Luís, o PS não previa nada disto. Nem no programa eleitoral nem nas sucessivas declarações do primeiro-ministro. Pelo contrário, foi desmentindo tudo até à véspera de anunciar o aumento global de impostos, pressionado por Bruxelas.

  6. Se é esta a posição do Pedro Correia, então presumo que também considere a liderança da oposição pelo actual PSD ferida de morte por ter violado a sua principal promessa eleitoral de que não aceitaria aumento de impostos e provocaria eleições antecipadas se tal fosse submetido a votação no parlamento. Donde, eleições legislativas, claro, mas precedidas de novas eleições internas no PSD. O próximo candidato a primeiro-ministro não pode estar associado a este governo como PPC nitidamente está.

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