Escritores contra a agressão russa


Pedro Correia,

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Numa iniciativa sem precedentes a esta escala, mais de mil escritores e artistas de todo o mundo, incluindo vários galardoados com o Nobel da Literatura, condenam frontalmente a agressão da Rússia à Ucrânia. Em termos que não deixam lugar a dúvidas nem autorizam “equidistâncias”.

O abaixo-assinado, difundido pelo PEN Internacional, declara sem rodeios: «A guerra de Putin é um ataque à democracia e à liberdade não apenas na Ucrânia mas em todo o mundo.» E conclui, justamente: «Não pode haver uma Europa livre e segura sem uma Ucrânia livre e independente.»

Svetlana Alexievitch, Margaret Atwood, Paul Auster, Jonathan Franzen, Siri Hustvedt, Mario Vargas Llosa, Yann Martel, Joyce Carol Oates, Orhan Pamuk, Salman Rushdie e Olga Tokarczuk figuram entre os signatários. 

Entre os portugueses, surgem Rui Beja, Francisco Belard, Casimiro de Brito, Carlos Fiolhais, André Gago, Eugénio Lisboa, Eduardo Pitta, Eduardo Cintra Torres e Filipa Vera Jardim. Escassos nomes, o que não honra a comunidade intelectual lusa – é com tristeza que o assinalo, embora também sem surpresa.

Imaginem quantos se juntariam se os agressores fossem Israel ou os Estados Unidos…

17 comentários em “Escritores contra a agressão russa”

  1. “Nos mantenemos unidos en la condena de una guerra sin sentido, librada por la negativa del presidente Putin a aceptar el derecho del pueblo ucraniano a debatir sus futuras lealtades e historia sin la interferencia de Moscú.”
    Não serão só ‘mais de mil escritores e artistas de todo o mundo’ provavelmente serão muitos mais. Mas se os agressores fossem Israel ou os Estados Unidos mais se juntariam, porquê?
    Ah!, tá bem incluíam-se os russos e chineses.

  2. Resta saber se os escritores portugueses foram devidamente avisados da ocorrência. Dizer que não responderam ao apelo é insuficiente. Neste caso, o desconhecimento é uma não existência que não pode ser contabilizada.

    1. Se um escritor não sabe que há uma agressão da Rússia à Ucrânia e que está em curso a maior onda de desalojados na Europa desde a II Guerra Mundial e que corre um protesto da mais célebre organização internacional de escritores contra essa agressão, é melhor usar outra torre de marfim.

      Ignoro entretanto que tenha ocorrido iniciativa semelhante só entre escritores portugueses para este efeito, o que não deixa de ser estranho. Terão esgotado toda a capacidade de indignação quando os agressores eram outros?

      1. Muitos escritores cá devem preferir reservar-se para as petições “a cultura apoia António Costa” (e Costa, como agradecimento, deu-lhes agora um Adão e Silva para ministro).

  3. era normal que se juntassem mais se o agressor fosse israel , teriam tido imenso tempo : há quanto tempo dura a invasão e matança na palestina? muitos anos , dava para juntar um milhão de escritores , no mínimo.

    1. Dez milhões de desalojados depois, em apenas um mês (cerca de um quarto da população da Ucrânia), ainda estão à espera para se indignarem lá no alto da torre de marfim.
      Se fosse contra os EUA, já faziam fila quilométrica. Pela vigésima parte disso.

  4. nesta republiqueta social-fascista os ais sem intelecto vivem do e no passado
    o dia do estudante continua em 1962
    o 25 de abril fica-se por 1974
    o futuro não passa de condicional e participo mais que passado
    às vezes penso que, para se purificar, o país devia ter sofrido uma guerra civil nos últimos 50 anos

  5. São estas infelizes situações, estou a ser modestíssimo, que nos permitm avaliar quem está num e no outro lado da trincheira.

  6. Nada que me surpreenda a “intelectualidade” lusa é muito selectiva na sua indignação/condenação
    Um bom fds
    Pedro Cunha

  7. Os homens/mulheres das artes e das letras sempre se auto-intitularam de revolucionários. Infelizmente revoluções são como os chapéus, há muitas, mas a nossa classe intelectual na sua maioria, vinculou-se à Revolução de Outubro e não consegue enxergar que um ano tem 12 meses. E que os anos passam a correr.
    É bem ser-se assim.

  8. Os escritores Portugueses devem ser quase todos do PCP, não compro mais livros dos que não subscreveram o abaixo assinado.

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