
Numa iniciativa sem precedentes a esta escala, mais de mil escritores e artistas de todo o mundo, incluindo vários galardoados com o Nobel da Literatura, condenam frontalmente a agressão da Rússia à Ucrânia. Em termos que não deixam lugar a dúvidas nem autorizam “equidistâncias”.
O abaixo-assinado, difundido pelo PEN Internacional, declara sem rodeios: «A guerra de Putin é um ataque à democracia e à liberdade não apenas na Ucrânia mas em todo o mundo.» E conclui, justamente: «Não pode haver uma Europa livre e segura sem uma Ucrânia livre e independente.»
Svetlana Alexievitch, Margaret Atwood, Paul Auster, Jonathan Franzen, Siri Hustvedt, Mario Vargas Llosa, Yann Martel, Joyce Carol Oates, Orhan Pamuk, Salman Rushdie e Olga Tokarczuk figuram entre os signatários.
Entre os portugueses, surgem Rui Beja, Francisco Belard, Casimiro de Brito, Carlos Fiolhais, André Gago, Eugénio Lisboa, Eduardo Pitta, Eduardo Cintra Torres e Filipa Vera Jardim. Escassos nomes, o que não honra a comunidade intelectual lusa – é com tristeza que o assinalo, embora também sem surpresa.
Imaginem quantos se juntariam se os agressores fossem Israel ou os Estados Unidos…

“Nos mantenemos unidos en la condena de una guerra sin sentido, librada por la negativa del presidente Putin a aceptar el derecho del pueblo ucraniano a debatir sus futuras lealtades e historia sin la interferencia de Moscú.”
Não serão só ‘mais de mil escritores e artistas de todo o mundo’ provavelmente serão muitos mais. Mas se os agressores fossem Israel ou os Estados Unidos mais se juntariam, porquê?
Ah!, tá bem incluíam-se os russos e chineses.
Os russos e os chineses estão na prisão ou no exílio.
Por aqui é quando dá jeito
Resta saber se os escritores portugueses foram devidamente avisados da ocorrência. Dizer que não responderam ao apelo é insuficiente. Neste caso, o desconhecimento é uma não existência que não pode ser contabilizada.
Se um escritor não sabe que há uma agressão da Rússia à Ucrânia e que está em curso a maior onda de desalojados na Europa desde a II Guerra Mundial e que corre um protesto da mais célebre organização internacional de escritores contra essa agressão, é melhor usar outra torre de marfim.
Ignoro entretanto que tenha ocorrido iniciativa semelhante só entre escritores portugueses para este efeito, o que não deixa de ser estranho. Terão esgotado toda a capacidade de indignação quando os agressores eram outros?
Muitos escritores cá devem preferir reservar-se para as petições “a cultura apoia António Costa” (e Costa, como agradecimento, deu-lhes agora um Adão e Silva para ministro).
Teatro de marionetes onde só as bombas e as vitimas indefesas soam a sério.
era normal que se juntassem mais se o agressor fosse israel , teriam tido imenso tempo : há quanto tempo dura a invasão e matança na palestina? muitos anos , dava para juntar um milhão de escritores , no mínimo.
Dez milhões de desalojados depois, em apenas um mês (cerca de um quarto da população da Ucrânia), ainda estão à espera para se indignarem lá no alto da torre de marfim.
Se fosse contra os EUA, já faziam fila quilométrica. Pela vigésima parte disso.
nesta republiqueta social-fascista os ais sem intelecto vivem do e no passado
o dia do estudante continua em 1962
o 25 de abril fica-se por 1974
o futuro não passa de condicional e participo mais que passado
às vezes penso que, para se purificar, o país devia ter sofrido uma guerra civil nos últimos 50 anos
como é que vortex sabe que ficava purificado
isso é que ter certeza nada ter sofrido com a guerra civil
São estas infelizes situações, estou a ser modestíssimo, que nos permitm avaliar quem está num e no outro lado da trincheira.
Nada que me surpreenda a “intelectualidade” lusa é muito selectiva na sua indignação/condenação
Um bom fds
Pedro Cunha
Os homens/mulheres das artes e das letras sempre se auto-intitularam de revolucionários. Infelizmente revoluções são como os chapéus, há muitas, mas a nossa classe intelectual na sua maioria, vinculou-se à Revolução de Outubro e não consegue enxergar que um ano tem 12 meses. E que os anos passam a correr.
É bem ser-se assim.
Os escritores Portugueses devem ser quase todos do PCP, não compro mais livros dos que não subscreveram o abaixo assinado.
O teu segmento não está em causa nesta questão. O dos livros para colorir.
Quem não assinava, se fosse vivo, era o nosso Nobel.